Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu120102
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Menino de 4 anos, peso de 15 kg, previamente hígido, é trazido pela mãe ao pronto-socorro com queixa de febre há 2 dias, associada a cefaleia e prostração, sem outras queixas. A mãe relata que a vizinha foi internada por dengue recentemente. Ao exame, criança em regular estado geral, febril e prostrada. Prova do laço com presença de 15 petéquias na área do cartão de leitura.Considerando o caso descrito e as orientações de manejo da dengue do Ministério da Saúde, quais são, respectivamente, a classificação de risco e a conduta indicada?
  1. AGrupo A; hidratação oral 60 mL/kg/dia – 1/3 SRO e 2/3 outros líquidos.
  2. BGrupo A; hidratação oral 100 mL/kg/dia – 1/3 SRO e 2/3 outros líquidos.
  3. CGrupo B; solicitar hemograma + hidratação oral 60 mL/kg/dia – 1/3 SRO e 2/3 outros líquidos.
  4. DGrupo B; solicitar hemograma + hidratação oral 100 mL/kg/dia – 1/3 SRO e 2/3 outros líquidos.
  5. EGrupo C; solicitar hemograma + hidratação endovenosa com SF 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Grupo B; solicitar hemograma + hidratação oral 100 mL/kg/dia – 1/3 SRO e 2/3 outros líquidos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Dengue na infância: classificação de risco e conduta

Gabarito: letra D. O menino tem prova do laço positiva (15 petéquias), o que o enquadra no Grupo B da classificação do Ministério da Saúde — caso suspeito de dengue, sem sinais de alarme, mas com sangramento de pele induzido. A conduta para o Grupo B é solicitar hemograma (obrigatório) e iniciar hidratação oral. Para crianças de 10 a 20 kg, o volume é de 100 mL/kg/dia, sendo 1/3 com sais de reidratação oral (SRO) e 2/3 com outros líquidos — exatamente o que a alternativa D descreve.

A classificação de risco da dengue, adotada pelo Ministério da Saúde desde 2014 (baseada na revisão da OMS), divide os casos em quatro grupos (A, B, C e D) e orienta a conduta conforme o grupo. O Grupo A inclui casos suspeitos com ausência de manifestações hemorrágicas e prova do laço negativa, sem sinais de alarme — manejo ambulatorial com sintomáticos e hidratação oral. O Grupo B é definido por caso suspeito de dengue, ausência de sinais de alarme, mas com sangramento espontâneo de pele ou induzido (como a prova do laço positiva). O Grupo C apresenta sinais de alarme (dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa, derrames cavitários, sangramentos importantes, hipotensão postural, letargia, entre outros) e exige hidratação endovenosa. O Grupo D é o choque franco, com hipotensão arterial, exigindo manejo em UTI.

A prova do laço é um teste que avalia fragilidade capilar: infla-se o manguito até a pressão arterial média (ou conforme protocolo) por alguns minutos e conta-se o número de petéquias em uma área delimitada (geralmente 2,5 cm × 2,5 cm, a área do cartão de leitura). A positividade é definida por um número mínimo de petéquias — no caso, 15 petéquias na área do cartão é um resultado claramente positivo. Isso caracteriza sangramento induzido, enquadrando o paciente no Grupo B, mesmo sem sinais de alarme.

A hidratação oral na dengue segue a regra de Holliday-Segar, acrescida de reposição de perdas de 3%. Para crianças, os volumes são: até 10 kg, 130 mL/kg/dia; de 10 a 20 kg, 100 mL/kg/dia; acima de 20 kg, 80 mL/kg/dia. O menino pesa 15 kg, portanto o volume correto é 100 mL/kg/dia. A proporção é sempre 1/3 de SRO e 2/3 de outros líquidos (água, sucos, chás, água de coco). Nas primeiras 4 a 6 horas, deve-se oferecer 1/3 do volume total.

A pegadinha central desta questão está em dois pontos: primeiro, reconhecer que a prova do laço positiva classifica o paciente no Grupo B (e não no Grupo A, que exige prova do laço negativa); segundo, não confundir o volume de hidratação do adulto (60 mL/kg/dia) com o da criança de 10 a 20 kg (100 mL/kg/dia). A alternativa C, por exemplo, acerta o grupo e a solicitação de hemograma, mas erra o volume (usa 60 mL/kg/dia, que é o volume do adulto). A alternativa E erra ao classificar como Grupo C, pois não há sinais de alarme — apenas prova do laço positiva.

Guarde a sequência: prova do laço positiva → Grupo B → hemograma + hidratação oral. E para o volume, lembre-se da faixa de peso: 10–20 kg = 100 mL/kg/dia. É exatamente essa combinação que separa as alternativas.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar como Grupo A. O Grupo A exige ausência de manifestações hemorrágicas e prova do laço negativa. Como a prova do laço foi positiva (15 petéquias), o paciente não pode ser Grupo A. Além disso, o volume de 60 mL/kg/dia é o recomendado para adultos, não para crianças de 15 kg.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também classifica como Grupo A, o que está errado pela prova do laço positiva. O volume de 100 mL/kg/dia está correto para a faixa de peso, mas a classificação de risco está incorreta, o que invalida a alternativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Acerta a classificação (Grupo B) e a solicitação de hemograma, mas erra o volume de hidratação: 60 mL/kg/dia é o volume para adultos. Para crianças de 10 a 20 kg, o volume é 100 mL/kg/dia. A proporção 1/3 SRO e 2/3 outros líquidos está correta.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente como Grupo B (prova do laço positiva, sem sinais de alarme), solicita hemograma (obrigatório para todos os pacientes do Grupo B) e prescreve hidratação oral de 100 mL/kg/dia — volume correto para criança de 15 kg (faixa de 10 a 20 kg) — com 1/3 de SRO e 2/3 de outros líquidos. Todos os elementos estão de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erra ao classificar como Grupo C. O Grupo C exige presença de sinais de alarme (dor abdominal intensa, vômitos persistentes, hepatomegalia dolorosa, derrames cavitários, sangramentos importantes, hipotensão postural, letargia, entre outros). O paciente apresenta apenas prova do laço positiva, sem sinais de alarme — portanto, é Grupo B, não C. A conduta de hidratação endovenosa com SF 0,9% 20 mL/kg em até 20 minutos é reservada para o Grupo C (com sinais de alarme) ou D (choque).

Gabarito: letra D — Grupo B; solicitar hemograma + hidratação oral 100 mL/kg/dia (1/3 SRO e 2/3 outros líquidos).

Link permanente: /questoes/vu120102