Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120103
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Íris, 4 meses, é trazida pelos pais à sala de emergência após apresentar episódio de crise convulsiva. Segundo a descrição dos pais, o episódio se assemelhou a uma crise tônico-clônica generalizada e durou cerca de 5 minutos. Ao chegar à emergência, a criança estava sonolenta, febril (38,5 ºC), sem outras alterações. Segundo a família, a paciente nunca havia apresentado episódios semelhantes antes, não possui nenhuma doença de base nem faz uso de medicamentos de rotina. A febre se iniciou há um dia sem associação a outros sinais e sintomas. Após avaliação da paciente, o pediatra indica investigação completa da crise convulsiva, incluindo tomografia de crânio e coleta de líquor, se tomografia sem alterações.Qual dos dados do caso clínico aponta para a necessidade de investigação da crise convulsiva e não apenas para o manejo de uma crise convulsiva febril benigna?
ACaracterística da crise como tônico-clônica generalizada.
BQuadro de febre sem sinais localizatórios.
CDuração da crise apresentada.
DSonolência presente ao exame no período pós-ictal.
EIdade da paciente.
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GabaritoE — Idade da paciente.
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Crise febril: simples × complexa e a idade como critério de investigação
Gabarito: letra E. O dado que obriga a investigação completa (tomografia e punção lombar) é a idade de 4 meses — abaixo do limite inferior de 6 meses para o diagnóstico de crise febril simples, o que a torna, por definição, uma crise febril complexa (ou, ao menos, fora do espectro da crise febril simples benigna). A crise febril simples é definida como aquela que ocorre em crianças entre 6 meses e 5 anos; fora dessa faixa etária, a crise não pode ser classificada como simples e exige investigação de causas subjacentes, incluindo infecções do sistema nervoso central.
A crise febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando 2% a 5% das crianças. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico. O ponto central para esta questão é a distinção entre crise febril simples (CFS) e crise febril complexa (CFC), pois a conduta — investigar ou apenas manejar — depende diretamente dessa classificação.
A CFS é definida por quatro critérios que devem estar todos presentes: (1) idade entre 6 meses e 5 anos; (2) crise generalizada (tônico-clônica); (3) duração menor que 15 minutos; (4) ausência de recorrência em 24 horas e de déficits neurológicos prévios ou pós-ictais. A CFC, por sua vez, é definida pela presença de qualquer um dos seguintes: crise focal, duração maior que 15 minutos, recorrência em 24 horas, ou anormalidades neurológicas pós-ictais (como paralisia de Todd). Crianças com CFC devem ser internadas e investigadas, devido à ampla variabilidade das condições subjacentes.
No caso de Íris, a crise foi tônico-clônica generalizada (critério de simplicidade), durou cerca de 5 minutos (menos de 15, critério de simplicidade), não recorreu em 24 horas e não havia déficits neurológicos prévios. A sonolência pós-ictal é esperada e não configura, por si só, anormalidade neurológica — o período pós-ictal é caracterizado por torpor e confusão que podem durar de minutos a horas. O único critério que falha é a idade: 4 meses está abaixo do limite de 6 meses. Portanto, a crise não pode ser classificada como simples, e a investigação completa (laboratório, imagem, EEG e punção lombar) está indicada.
A banca explora exatamente a confusão entre os critérios: o candidato pode achar que a duração de 5 minutos ou a sonolência são os fatores decisivos, mas ambos são compatíveis com crise febril simples. A idade é o critério que desclassifica o caso como simples e impõe a investigação. Guarde a fronteira: idade fora de 6 meses a 5 anos, duração > 15 min, crise focal ou recorrência em 24h — qualquer um desses torna a crise complexa e exige investigação.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A característica tônico-clônica generalizada é justamente um critério de simplicidade da crise febril, não de complexidade. A crise febril simples é definida como uma crise tônico-clônica generalizada isolada. Portanto, esse dado aponta para o manejo benigno, não para a investigação.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Febre sem sinais localizatórios é o cenário típico da crise febril simples, em que a febre é o único agente provocador agudo, geralmente por infecção de vias aéreas superiores. A ausência de sinais localizatórios não é, por si só, indicação de investigação completa — o que importa é a associação com outros critérios de complexidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A duração de cerca de 5 minutos está dentro do limite de 15 minutos para crise febril simples. A duração que indica complexidade é maior que 15 minutos. Portanto, a duração apresentada no caso é compatível com o manejo benigno, não com a investigação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A sonolência no período pós-ictal é um achado esperado e fisiológico após uma crise tônico-clônica generalizada. O período pós-ictal é caracterizado por torpor e confusão que podem durar de minutos a horas. Apenas anormalidades neurológicas focais (como paralisia de Todd) ou déficits persistentes configuram critério de complexidade — a sonolência isolada não.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A idade de 4 meses está abaixo do limite inferior de 6 meses para o diagnóstico de crise febril simples. A definição de CFS exige idade entre 6 meses e 5 anos. Fora dessa faixa, a crise não pode ser classificada como simples e exige investigação completa, incluindo punção lombar (para excluir meningite) e neuroimagem. Este é o dado que aponta para a necessidade de investigação e não apenas para o manejo de uma crise febril benigna.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o critério decisivo: o candidato pode achar que a duração de 5 minutos ou a sonolência pós-ictal são os fatores que indicam complexidade. Mas ambos são compatíveis com crise febril simples. A idade de 4 meses é o único dado que desclassifica o caso como simples — é o limite inferior de 6 meses que define a faixa etária da CFS. Memorize os quatro critérios de simplicidade: idade 6m–5a, generalizada, <15 min, sem recorrência/déficits. Qualquer falha em um deles torna a crise complexa e exige investigação.