Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120105
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Os três seguintes pacientes estão internados na enfermaria de pediatria:• Valentina, 3 meses, com antecedente de infecção pelo HIV, internada por bronquiolite viral aguda, cartão vacinal em dia pelo PNI;• Vicente, 4 anos, internado por pneumonia adquirida na comunidade, cartão vacinal em dia pelo PNI;• Theo, 2 anos, internado com quadro de febre sem sinais localizatórios, vacinação em atraso (última vacina, contra febre amarela, aplicada aos 9 meses).Durante a visita, o pediatra constata que Theo iniciou exantema vesicular com lesões em diversos estágios de evolução em face e tronco, fazendo então a hipótese diagnóstica de varicela.Assinale a alternativa que apresenta as condutas corretas em relação ao controle da disseminação do vírus varicela zoster nesse cenário.
AEncaminhar Theo para leito de isolamento com precauções para aerossóis e contato; solicitar imunoglobulina específica para varicela (VZIG) para Valentina; Vicente não tem indicação de receber VZIG ou vacina.
BEncaminhar Theo para leito de isolamento com precauções para gotículas e contato; solicitar vacina contra varicela para Valentina e Vicente.
CIsolar a enfermaria, mantendo os 3 pacientes no mesmo quarto sob precauções para aerossóis e contato; solicitar imunoglobulina específica para varicela para Valentina e vacina contra varicela para Vicente.
DIsolar a enfermaria, mantendo os 3 pacientes no mesmo quarto sob precauções para aerossóis e contato; solicitar vacina contra varicela para Valentina; Vicente não tem indicação de receber VZIG ou vacina.
EIsolar a enfermaria, mantendo os 3 pacientes no mesmo quarto sob precauções para gotículas e contato; solicitar vacina contra varicela para Valentina e Vicente.
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GabaritoA — Encaminhar Theo para leito de isolamento com precauções para aerossóis e contato; solicitar imunoglobulina específica para varicela (VZIG) para Valentina; Vicente não tem indicação de receber VZIG ou vacina.
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Varicela em ambiente hospitalar: isolamento e profilaxia pós-exposição
Gabarito: letra A. Theo deve ser isolado com precauções para aerossóis e contato; Valentina, por ser lactente jovem com infecção pelo HIV (imunossuprimida), tem indicação de imunoglobulina específica para varicela (VZIG); Vicente, hígido e com cartão vacinal em dia, não tem indicação de VZIG nem de vacina. A questão combina três eixos: a via de transmissão do vírus varicela-zoster (VZV), a definição de contato suscetível de alto risco e as recomendações de profilaxia pós-exposição.
O vírus varicela-zoster é transmitido por duas vias principais: aerossóis (partículas menores que 5 µm, que permanecem suspensas no ar) e contato direto com as lesões de pele ou secreções respiratórias. Por isso, o paciente com varicela ativa deve ser mantido em quarto privativo com pressão negativa, se disponível, e os profissionais devem usar máscara N95/PFF2 (proteção respiratória para aerossóis) e luvas/avental (precauções de contato). A transmissão por gotículas (partículas > 5 µm) é considerada menos relevante, pois o VZV não se dissemina predominantemente por essa via — daí o erro das alternativas que citam apenas "gotículas e contato".
A profilaxia pós-exposição (PEP) para varicela depende do status imunológico e vacinal do contato. A VZIG (imunoglobulina específica) é indicada para contatos suscetíveis com alto risco de doença grave: imunossuprimidos (incluindo HIV com imunodeficiência), gestantes suscetíveis, recém-nascidos de mãe com varicela no período perinatal e lactentes prematuros. A vacina contra varicela é indicada para contatos suscetíveis sem contraindicação, idealmente em até 72-120 horas após a exposição, para prevenir ou atenuar a doença. Contatos com história de varicela prévia ou vacinação completa (2 doses) são considerados imunes e não necessitam de profilaxia.
Aplicando ao caso: Valentina tem 3 meses e infecção pelo HIV — mesmo com cartão vacinal em dia, ela é imunossuprimida e não recebeu a vacina contra varicela (que só é administrada a partir de 12 meses). Portanto, é contato suscetível de alto risco e tem indicação de VZIG. Vicente tem 4 anos, é hígido e está com vacinação em dia pelo PNI — aos 4 anos, já recebeu as duas doses da vacina varicela (aos 12 meses e aos 4 anos), sendo considerado imune; não precisa de VZIG nem de vacina. Theo é o caso-índice, com varicela ativa; não recebe profilaxia, apenas isolamento e tratamento sintomático.
A pegadinha central está em dois pontos: (1) a via de transmissão — a banca troca "aerossóis" por "gotículas", o que muda completamente a precaução; (2) a indicação de VZIG — muitos candidatos pensam que a vacina serve para qualquer contato, mas para imunossuprimidos a imunoglobulina é a conduta correta, e a vacina é contraindicada nesse grupo. Guarde a fronteira: imunossuprimido suscetível → VZIG; hígido suscetível → vacina; imune (vacinação completa ou doença prévia) → nada.
Esta alternativa acerta os três pilares: Theo em isolamento com aerossóis e contato (via de transmissão correta); Valentina recebe VZIG (imunossuprimida, suscetível, alto risco); Vicente não recebe nada (imune por vacinação completa). É a conduta alinhada às recomendações do CDC e da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erra ao indicar precauções para gotículas (a transmissão do VZV é por aerossóis e contato) e ao solicitar vacina para Valentina e Vicente. Valentina, imunossuprimida, tem indicação de VZIG, não de vacina (que é contraindicada em imunossupressão); Vicente, imune, não precisa de nenhuma profilaxia.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erra ao manter os 3 pacientes no mesmo quarto — Theo deve ser isolado em quarto privativo, não compartilhado. Além disso, indica vacina para Vicente, que é imune e não precisa, e VZIG para Valentina (correto), mas a falha no isolamento já invalida a alternativa.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erra ao manter os 3 pacientes no mesmo quarto sob precauções para aerossóis e contato. O isolamento de Theo deve ser individual; compartilhar o quarto expõe desnecessariamente os outros pacientes, mesmo com precauções. A conduta para Valentina (VZIG) e Vicente (nada) está correta, mas o isolamento inadequado torna a alternativa errada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erra ao indicar precauções para gotículas (deveria ser aerossóis e contato) e ao manter os 3 no mesmo quarto. Além disso, solicita vacina para Valentina (imunossuprimida — contraindicação) e para Vicente (imune — desnecessário). Múltiplos erros.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora duas trocas clássicas: (1) aerossóis por gotículas — o VZV se transmite por aerossóis, e a precaução correta é a de aerossóis + contato; (2) VZIG por vacina — para o imunossuprimido suscetível, a conduta é imunoglobulina, não vacina (que é viva atenuada e contraindicada). Reconhecer essas inversões é o que separa o acerto do erro.
PEGA ESSA DICA!
Monte um fluxo mental para PEP de varicela: (1) o contato é imune? (vacinação completa ou doença prévia) → nada; (2) é suscetível e hígido? → vacina (até 72-120h); (3) é suscetível e imunossuprimido/gestante/RN de risco? → VZIG. E lembre: aerossóis + contato é a precaução padrão para varicela, nunca só gotículas.