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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu120106
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Em consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde, é atendido Gabriel, 2 anos e 4 meses de idade, sexo masculino, previamente saudável. A família de Gabriel se mudou recentemente e esta é a primeira consulta dele na unidade. Ao avaliar os parâmetros antropométricos do paciente, obtêm-se os seguintes dados: peso: 15 kg; estatura: 87 cm; índice de massa corpórea: 19,8 kg/m² .Com o auxílio dos gráficos de crescimento da Organização Mundial de Saúde disponibilizados a seguir, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico do estado nutricional de Gabriel.Imagem associada para resolução da questão
  1. AEutrofia.
  2. BRisco de sobrepeso.
  3. CSobrepeso.
  4. DObesidade.
  5. EObesidade grave.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Sobrepeso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Avaliação do estado nutricional infantil: IMC/idade e os gráficos da OMS

Gabarito: letra C — Sobrepeso. Gabriel, com 2 anos e 4 meses, apresenta IMC de 19,8 kg/m², que, ao ser plotado no gráfico de IMC/idade da OMS para meninos, situa-se entre os percentis 85 e 97 (escore z entre +1 e +2), faixa que define sobrepeso — não eutrofia, risco de sobrepeso, obesidade ou obesidade grave. A classificação do estado nutricional infantil não usa os mesmos pontos de corte do adulto; ela depende da posição do IMC nas curvas de percentis/escore z específicas para sexo e idade, conforme os gráficos da Organização Mundial da Saúde.

O índice de massa corporal (IMC) é calculado dividindo-se o peso (em kg) pela estatura ao quadrado (em metros): IMC = peso/altura². No caso de Gabriel: 15 kg ÷ (0,87 m)² = 15 ÷ 0,7569 = 19,82 kg/m². Esse valor, isoladamente, não diz nada — o que importa é onde ele cai na curva de IMC/idade da OMS para meninos de 2 anos e 4 meses. A OMS define os seguintes pontos de corte para crianças de 0 a 5 anos, com base no escore z (desvio-padrão) e nos percentis correspondentes:

Classificação

Escore z (DP)

Percentil aproximado

Obesidade

> +3 DP

> P99,9

Sobrepeso

> +2 DP e ≤ +3 DP

> P97 e ≤ P99,9

Risco de sobrepeso

> +1 DP e ≤ +2 DP

> P85 e ≤ P97

Eutrofia

≥ −2 DP e ≤ +1 DP

≥ P3 e ≤ P85

Magreza

< −2 DP e ≥ −3 DP

< P3 e ≥ P0,1

Magreza acentuada

< −3 DP

< P0,1

O IMC de 19,8 kg/m² em um menino de 2 anos e 4 meses corresponde a um escore z de aproximadamente +2,1 DP, ou seja, acima do percentil 97 e abaixo do percentil 99,9 — exatamente na faixa de sobrepeso. É importante notar que a nomenclatura "risco de sobrepeso" (escore z entre +1 e +2) é frequentemente confundida com sobrepeso, mas são categorias distintas: risco de sobrepeso indica um alerta, enquanto sobrepeso já é um diagnóstico de excesso de peso. A obesidade, por sua vez, exigiria um IMC acima do percentil 99,9 (escore z > +3), o que não é o caso.

Na prática clínica, a avaliação antropométrica da criança na Atenção Básica segue a Caderneta da Criança, que traz os gráficos da OMS. O profissional deve plotar o IMC/idade no gráfico correspondente ao sexo e à idade exata da criança, e classificar o estado nutricional conforme a faixa em que o ponto se encontra. No caso de Gabriel, o ponto cai na zona de sobrepeso, o que demanda orientação nutricional e acompanhamento, mas não configura obesidade nem obesidade grave.

A pegadinha desta questão está em aplicar os pontos de corte do IMC para adultos (onde 19,8 kg/m² seria eutrofia, pois está entre 18,5 e 24,9) ou em confundir as faixas de risco de sobrepeso e sobrepeso. A banca explora exatamente essa confusão: quem usa a tabela de adultos marca eutrofia; quem confunde as faixas pediátricas marca risco de sobrepeso. O critério decisivo é sempre a posição no gráfico de IMC/idade da OMS, nunca o valor absoluto do IMC.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A eutrofia (estado nutricional adequado) corresponderia a um IMC/idade entre o percentil 3 e o percentil 85 (escore z entre −2 e +1). O IMC de 19,8 kg/m² de Gabriel está acima do percentil 97, portanto não se enquadra em eutrofia. Quem marca esta alternativa provavelmente aplicou os pontos de corte de IMC para adultos (18,5–24,9 = normal), o que é um erro grave na avaliação pediátrica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O "risco de sobrepeso" é definido pela OMS como IMC/idade entre o percentil 85 e o percentil 97 (escore z entre +1 e +2). O IMC de Gabriel está acima do percentil 97, o que o coloca na faixa de sobrepeso, não de risco de sobrepeso. A confusão entre essas duas categorias é comum, mas o ponto no gráfico é claro: acima de +2 DP é sobrepeso.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O IMC de 19,8 kg/m² em um menino de 2 anos e 4 meses, plotado no gráfico de IMC/idade da OMS, situa-se entre o percentil 97 e o percentil 99,9 (escore z entre +2 e +3), o que define sobrepeso. Este é o diagnóstico correto do estado nutricional de Gabriel, conforme os gráficos de crescimento da OMS.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A obesidade é definida como IMC/idade acima do percentil 99,9 (escore z > +3). O IMC de Gabriel (19,8 kg/m²) está abaixo desse ponto de corte, portanto não configura obesidade. Para um menino de 2 anos e 4 meses, a obesidade exigiria um IMC consideravelmente mais alto (em torno de 21 kg/m² ou mais, dependendo da idade exata).

Alternativa E — ❌ Incorreta

A obesidade grave (também chamada de obesidade mórbida) é uma categoria ainda mais extrema, geralmente definida como IMC/idade acima de +3,5 ou +4 DP. O IMC de Gabriel está muito abaixo desse limiar, portanto esta alternativa é claramente incorreta. A obesidade grave é rara e exigiria um IMC muito superior ao apresentado.

Gabarito: letra C — o diagnóstico do estado nutricional de Gabriel é sobrepeso, conforme a posição do IMC/idade no gráfico da OMS.

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