Artrite séptica em pediatria: diagnóstico e conduta
Gabarito: letra C. A principal hipótese diagnóstica é artrite séptica, uma emergência ortopédica que exige internação, investigação laboratorial e de imagem e antibioticoterapia empírica imediata. O quadro de monoartrite aguda com febre, dor, edema, hiperemia e calor em criança pré-escolar, mesmo com história de trauma prévio, é altamente sugestivo de infecção articular, e o atraso no tratamento pode levar a sequelas graves.
A artrite séptica é a inflamação de uma articulação sinovial causada por um microrganismo, mais comumente o Staphylococcus aureus. Na infância, a faixa etária de maior incidência é de 1 a 5 anos, e o quadril é a articulação mais acometida, embora o joelho também seja um sítio frequente. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e no exame físico, e deve ser confirmado pela cultura do líquido sinovial obtido por artrocentese. Os exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS, hemocultura) e de imagem (radiografia, ultrassonografia) são complementares e não devem retardar o início do tratamento. A presença de febre alta, dor intensa à mobilização, limitação funcional e sinais flogísticos (edema, hiperemia, calor) em uma articulação é o cenário clássico. A história de trauma prévio, como a queda da própria altura relatada, é um dado que pode confundir, mas não exclui a hipótese infecciosa, especialmente quando o quadro é agudo e acompanhado de febre. O tratamento consiste na internação, na coleta de exames (hemograma, PCR, hemocultura) e na antibioticoterapia empírica, além da artrocentese para diagnóstico e alívio sintomático. A ultrassonografia articular é útil para identificar derrame articular e guiar a punção. A demora no diagnóstico e no tratamento pode levar a destruição da cartilagem articular, osteomielite e sequelas funcionais permanentes.
A distinção entre artrite séptica e outras causas de monoartrite aguda é crucial. A artrite idiopática juvenil (AIJ) é uma doença inflamatória crônica, geralmente com duração superior a 6 semanas, e não cursa com febre alta e sinais flogísticos tão exuberantes quanto a artrite séptica. A osteocondrite dissecante é uma causa de dor no joelho em crianças maiores e adolescentes, geralmente sem febre e sem sinais inflamatórios agudos. A artrite reativa é uma inflamação articular que ocorre após uma infecção em outro local do corpo, como gastrointestinal ou geniturinária, e não é uma emergência. A febre reumática é uma complicação tardia de uma infecção por estreptococo do grupo A, com quadro de poliartrite migratória, cardite, coreia e nódulos subcutâneos, e não se apresenta como monoartrite aguda com febre alta em uma criança previamente hígida. A presença de febre, dor, edema, hiperemia e calor em uma articulação, com limitação funcional, é o quadro clássico de artrite séptica, e a conduta imediata é a internação para investigação e tratamento.
A banca explora a confusão entre artrite séptica e outras causas de monoartrite, especialmente em um contexto de trauma prévio. A história de queda da própria altura é um distrator, pois pode sugerir uma causa mecânica, mas a presença de febre e sinais flogísticos intensos aponta para infecção. O candidato deve reconhecer que a artrite séptica é uma emergência e que a conduta é a internação imediata, com coleta de exames e início de antibioticoterapia empírica. A demora no tratamento pode levar a sequelas graves, como destruição articular e osteomielite. A ultrassonografia articular é um exame complementar útil para identificar derrame articular e guiar a artrocentese, mas não deve retardar o início do tratamento.
O critério decisivo para diferenciar as alternativas é a presença de febre e sinais flogísticos em uma articulação, que indica infecção e exige conduta emergencial. As alternativas que sugerem conduta ambulatorial ou alta sem investigação estão incorretas, pois a artrite séptica requer internação e tratamento imediato. A alternativa que sugere artrite idiopática juvenil, osteocondrite dissecante, artrite reativa ou febre reumática não se encaixa no quadro agudo e febril apresentado. A alternativa correta é a que reconhece a artrite séptica como principal hipótese e indica a conduta adequada: internação, exames laboratoriais e de imagem, e antibioticoterapia empírica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A artrite idiopática juvenil (AIJ) é uma doença inflamatória crônica, com duração superior a 6 semanas, e não se apresenta como monoartrite aguda com febre alta e sinais flogísticos intensos. A conduta de encaminhamento ambulatorial para reumatologista é inadequada para um quadro agudo e febril, que sugere infecção e exige investigação e tratamento imediatos. A AIJ pode cursar com dor articular, mas geralmente é insidiosa, sem febre alta e sem os sinais inflamatórios tão exuberantes quanto os da artrite séptica. A solicitação de FAN e fator reumatoide é útil para investigação de doenças autoimunes, mas não é a prioridade no momento agudo, em que a hipótese infecciosa deve ser afastada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A osteocondrite dissecante é uma causa de dor no joelho em crianças maiores e adolescentes, geralmente sem febre e sem sinais inflamatórios agudos. O quadro apresentado, com febre, edema, hiperemia e calor, é sugestivo de infecção, não de uma lesão osteocondral. A conduta de encaminhamento ambulatorial para ortopedia é inadequada para um quadro agudo e febril, que exige investigação e tratamento imediatos. A radiografia pode ser útil para avaliar lesões ósseas, mas não é o exame de escolha para o diagnóstico de artrite séptica, que é clínico e confirmado por cultura do líquido sinovial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A artrite séptica é a principal hipótese diagnóstica, pois o quadro de monoartrite aguda com febre, dor, edema, hiperemia e calor em criança pré-escolar é altamente sugestivo de infecção articular. A conduta recomendada é a internação, a solicitação de ultrassonografia articular para identificar derrame articular e guiar a artrocentese, a coleta de exames laboratoriais (hemograma, PCR, hemocultura) e o início de antibioticoterapia empírica. O diagnóstico é clínico, e os exames complementares não devem retardar o tratamento. A artrocentese é importante para confirmar o diagnóstico e aliviar os sintomas. A demora no tratamento pode levar a sequelas graves, como destruição articular e osteomielite.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A artrite reativa é uma inflamação articular que ocorre após uma infecção em outro local do corpo, como gastrointestinal ou geniturinária, e não se apresenta como monoartrite aguda com febre alta e sinais flogísticos intensos em uma criança previamente hígida. A conduta de alta com anti-inflamatório não esteroidal, sem necessidade de exames complementares, é inadequada para um quadro agudo e febril, que sugere infecção e exige investigação e tratamento imediatos. A artrite reativa geralmente tem curso autolimitado, mas o quadro apresentado é mais sugestivo de artrite séptica, que é uma emergência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A febre reumática é uma complicação tardia de uma infecção por estreptococo do grupo A, com quadro de poliartrite migratória, cardite, coreia e nódulos subcutâneos, e não se apresenta como monoartrite aguda com febre alta em uma criança previamente hígida. A conduta de alta com penicilina benzatina IM dose única e anti-inflamatório não esteroidal, além de encaminhamento para reumatologista ambulatorial, é inadequada para um quadro agudo e febril, que sugere infecção articular e exige internação e tratamento imediato. A febre reumática é uma doença inflamatória sistêmica, e o tratamento envolve erradicação do estreptococo e profilaxia secundária, mas não é a hipótese principal neste caso.
Gabarito: letra C