Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
vu120114
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Raphael, 5 anos de idade, sexo masculino, é trazido ao pronto-socorro infantil por sua mãe com queixa de febre há 6 dias. Ao exame, criança apresenta exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival não purulenta, linfonodomegalia cervical esquerda (móvel, fibroelástica, com cerca de 2 cm de diâmetro, dolorosa à palpação) e hiperemia em lábios.Considerando a principal hipótese diagnóstica para este caso, assinale a alternativa correta.
AO tratamento com imunoglobulina humana deve ser realizado preferencialmente em até 10 dias do início da febre.
BRaphael apresenta todos os critérios diagnósticos clínicos especificados para a confirmação desta doença.
CA sua principal complicação é a ocorrência de aneurisma de aorta.
DO diagnóstico pode ser confirmado por meio da realização de sorologias (IgM/IgG) para o seu agente etiológico específico.
ENo caso de internação, há indicação de prescrição de precauções para gotículas.
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GabaritoA — O tratamento com imunoglobulina humana deve ser realizado preferencialmente em até 10 dias do início da febre.
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Doença de Kawasaki: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra A. O quadro clínico — febre há 6 dias, exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival não purulenta, linfonodomegalia cervical e hiperemia labial — é altamente sugestivo de Doença de Kawasaki, uma vasculite sistêmica aguda que acomete principalmente crianças menores de 5 anos. O tratamento com imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) deve ser realizado preferencialmente em até 10 dias do início da febre, pois é nessa janela que se observa a maior redução do risco de complicações cardiovasculares, especialmente aneurismas de artérias coronárias.
A Doença de Kawasaki é uma vasculite aguda, autolimitada, de etiologia desconhecida, que afeta predominantemente crianças entre 6 meses e 5 anos de idade. É a principal causa de cardiopatia adquirida na infância em países desenvolvidos, superando a febre reumática. A doença caracteriza-se por inflamação sistêmica dos vasos sanguíneos, com predileção pelas artérias coronárias, podendo levar à formação de aneurismas coronarianos em cerca de 25% dos casos não tratados. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado em critérios definidos, e o tratamento precoce com imunoglobulina intravenosa (IGIV) e ácido acetilsalicílico (AAS) é fundamental para reduzir a morbimortalidade.
Os critérios diagnósticos clínicos clássicos da Doença de Kawasaki incluem febre persistente por pelo menos 5 dias, acompanhada de pelo menos 4 dos 5 critérios principais: (1) alterações nas extremidades — eritema e edema de mãos e pés, seguidos de descamação periungueal; (2) exantema polimórfico; (3) hiperemia conjuntival bilateral não purulenta; (4) alterações em lábios e cavidade oral — hiperemia, lábios fissurados, língua em framboesa, faringite; (5) linfonodomegalia cervical, geralmente unilateral, com diâmetro maior que 1,5 cm. No caso apresentado, Raphael tem febre há 6 dias, exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival não purulenta, linfonodomegalia cervical esquerda e hiperemia em lábios — ou seja, apresenta febre + 4 dos 5 critérios principais, preenchendo os critérios clínicos para o diagnóstico.
A principal complicação da Doença de Kawasaki é o envolvimento cardiovascular, especialmente a formação de aneurismas de artérias coronárias, que ocorre em cerca de 25% dos casos não tratados. O tratamento com IGIV, quando administrado em até 10 dias do início da febre, reduz a incidência de aneurismas coronarianos para aproximadamente 5%. Por isso, a alternativa A está correta: o tratamento com imunoglobulina humana deve ser realizado preferencialmente em até 10 dias do início da febre.
A alternativa B está incorreta porque Raphael não apresenta todos os critérios diagnósticos clínicos especificados para a confirmação da doença. Embora apresente febre há 6 dias, exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival não purulenta, linfonodomegalia cervical e hiperemia em lábios, ele não apresenta alterações nas extremidades (eritema e edema de mãos e pés, seguidos de descamação periungueal). Para o diagnóstico clínico completo, seriam necessários pelo menos 4 dos 5 critérios principais, e Raphael apresenta apenas 4 (exantema, hiperemia conjuntival, linfonodomegalia cervical e hiperemia labial), mas não apresenta o critério de alterações nas extremidades. Portanto, ele não preenche todos os critérios diagnósticos clínicos especificados.
A alternativa C está incorreta porque a principal complicação da Doença de Kawasaki é a ocorrência de aneurismas de artérias coronárias, não de aneurisma de aorta. A doença afeta predominantemente as artérias coronárias, podendo levar à formação de aneurismas coronarianos, que são a principal causa de morbimortalidade na doença. O aneurisma de aorta não é uma complicação característica da Doença de Kawasaki.
A alternativa D está incorreta porque o diagnóstico da Doença de Kawasaki é essencialmente clínico, baseado nos critérios clínicos definidos, e não pode ser confirmado por meio de sorologias (IgM/IgG) para um agente etiológico específico, uma vez que a etiologia da doença é desconhecida. Não há um agente etiológico identificado para a Doença de Kawasaki, portanto não há sorologias específicas para o seu diagnóstico.
A alternativa E está incorreta porque, no caso de internação, não há indicação de prescrição de precauções para gotículas. A Doença de Kawasaki não é uma doença transmissível, não havendo necessidade de precauções de isolamento. As precauções para gotículas são indicadas para doenças respiratórias transmissíveis, como influenza, sarampo, rubéola, entre outras.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao afirmar que Raphael apresenta todos os critérios diagnósticos clínicos, mas ele não apresenta o critério de alterações nas extremidades. Além disso, a banca troca a principal complicação da doença (aneurisma de artérias coronárias) por aneurisma de aorta, e sugere que o diagnóstico pode ser confirmado por sorologias, quando na verdade é clínico. Fique atento a essas trocas!
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios diagnósticos da Doença de Kawasaki, use o mnemônico "FEBRE + 4 de 5": Febre por pelo menos 5 dias, acompanhada de pelo menos 4 dos seguintes: (1) alterações nas extremidades, (2) exantema polimórfico, (3) hiperemia conjuntival bilateral não purulenta, (4) alterações em lábios e cavidade oral, (5) linfonodomegalia cervical. Lembre-se de que o tratamento com IGIV deve ser iniciado em até 10 dias do início da febre para reduzir o risco de aneurismas coronarianos.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A está correta porque o tratamento com imunoglobulina humana intravenosa (IGIV) deve ser realizado preferencialmente em até 10 dias do início da febre. Esse é o padrão de tratamento recomendado para a Doença de Kawasaki, pois a administração precoce de IGIV reduz significativamente o risco de complicações cardiovasculares, especialmente aneurismas de artérias coronárias. O tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente dentro dos primeiros 10 dias de febre, para obter os melhores resultados.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B está incorreta porque Raphael não apresenta todos os critérios diagnósticos clínicos especificados para a confirmação da doença. Embora apresente febre há 6 dias, exantema maculopapular difuso, hiperemia conjuntival não purulenta, linfonodomegalia cervical e hiperemia em lábios, ele não apresenta alterações nas extremidades (eritema e edema de mãos e pés, seguidos de descamação periungueal). Para o diagnóstico clínico completo, seriam necessários pelo menos 4 dos 5 critérios principais, e Raphael apresenta apenas 4 (exantema, hiperemia conjuntival, linfonodomegalia cervical e hiperemia labial), mas não apresenta o critério de alterações nas extremidades. Portanto, ele não preenche todos os critérios diagnósticos clínicos especificados.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C está incorreta porque a principal complicação da Doença de Kawasaki é a ocorrência de aneurismas de artérias coronárias, não de aneurisma de aorta. A doença afeta predominantemente as artérias coronárias, podendo levar à formação de aneurismas coronarianos, que são a principal causa de morbimortalidade na doença. O aneurisma de aorta não é uma complicação característica da Doença de Kawasaki.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D está incorreta porque o diagnóstico da Doença de Kawasaki é essencialmente clínico, baseado nos critérios clínicos definidos, e não pode ser confirmado por meio de sorologias (IgM/IgG) para um agente etiológico específico, uma vez que a etiologia da doença é desconhecida. Não há um agente etiológico identificado para a Doença de Kawasaki, portanto não há sorologias específicas para o seu diagnóstico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E está incorreta porque, no caso de internação, não há indicação de prescrição de precauções para gotículas. A Doença de Kawasaki não é uma doença transmissível, não havendo necessidade de precauções de isolamento. As precauções para gotículas são indicadas para doenças respiratórias transmissíveis, como influenza, sarampo, rubéola, entre outras.