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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — VUNESP 2026

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
vu120115
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFIPA
Ano
2026
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pré-Requisito em Pediatria - Especialidade: Neonatologia
Criança de 7 anos, com antecedente de doença falciforme SS, em acompanhamento com hematologista pediátrico (Hb basal relatado pela mãe de 8,0 g/dL), dá entrada com história de cansaço e palidez progressivos há 3 dias. Há relato de febre por 2 dias há 1 semana, já com melhora.Ao exame, paciente em regular estado geral, descorada 3+/4+, taquicárdica. Ausculta cardíaca e pulmonar sem alterações. Abdome flácido, indolor, sem visceromegalias. Tempo de enchimento capilar < 2 segundos, sem outras alterações. Solicitados exames evidenciando anemia (Hb 6,0 / Ht 17,9%) e reticulócitos abaixo do valor de referência da normalidade.Assinale a alternativa correta em relação à crise falciforme apresentada pela paciente do caso.
  1. ATem relação com infecção pelo herpes vírus humano 6 (HHV-6).
  2. BEstá indicada a esplenectomia eletiva após a resolução do quadro agudo.
  3. CTrata-se de quadro autolimitado que raramente se repete.
  4. DEstá indicado tratamento empírico com ceftriaxone endovenoso.
  5. EÉ a complicação mais frequente associada à doença falciforme.
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GabaritoC — Trata-se de quadro autolimitado que raramente se repete.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise aplásica na doença falciforme

Gabarito: letra C. A paciente apresenta crise aplásica (anemia aguda com reticulócitos baixos), classicamente associada à infecção pelo parvovírus B19, quadro autolimitado que raramente se repete — exatamente o que a alternativa C afirma. O diagnóstico é clínico-laboratorial: queda da hemoglobina com reticulocitopenia, como no caso (Hb 6,0 g/dL, reticulócitos abaixo do normal).

A doença falciforme (DF) é uma hemoglobinopatia hereditária em que a hemoglobina S (HbS) polimeriza em condições de desoxigenação, deformando as hemácias em formato de foice. Essas células rígidas obstruem a microcirculação, causando episódios vaso-oclusivos (crises de dor) e hemólise crônica. A anemia hemolítica crônica é compensada por uma eritropoiese aumentada — o que se reflete na reticulocitose basal (10–25% dos eritrócitos). Quando essa produção é suprimida, instala-se a crise aplásica.

A crise aplásica é uma das complicações hematológicas agudas mais importantes da DF. Ocorre supressão transitória da eritropoiese, em geral após um episódio febril. O parvovírus B19 é o agente causal em mais de 70% dos casos: ele infecta e destrói os precursores eritroides na medula óssea, interrompendo a produção de novas hemácias por cerca de 7 a 10 dias. Como a meia-vida das hemácias falcizadas é curta (10 a 20 dias, contra 120 dias das normais), essa pausa na produção leva a uma queda rápida e acentuada da hemoglobina. O achado laboratorial decisivo é a reticulocitopenia — contagem de reticulócitos abaixo de 1% — em um paciente com anemia aguda. No caso, a criança teve febre há uma semana (pródromo típico) e agora apresenta Hb 6,0 g/dL com reticulócitos baixos, configurando o quadro.

O tratamento é essencialmente de suporte: hidratação, monitorização e, se necessário, transfusão de concentrado de hemácias. A recuperação é espontânea na maioria dos casos, pois o organismo desenvolve imunidade permanente contra o parvovírus B19 — por isso as crises recorrentes são raras. É importante distinguir a crise aplásica de outras complicações agudas da DF, especialmente o sequestro esplênico, que também causa anemia aguda, mas com reticulocitose (a medula está funcionando; o sangue está sendo sequestrado no baço) e esplenomegalia — achados ausentes nesta paciente (abdome sem visceromegalias).

A pegadinha central desta questão é confundir a crise aplásica com o sequestro esplênico ou com a síndrome torácica aguda. A banca explora exatamente a diferença no comportamento dos reticulócitos: na crise aplásica eles estão baixos; no sequestro esplênico, elevados. Guarde essa fronteira: é ela que separa as alternativas.

1Crise aplásica
Causa: parvovírus B19
Reticulócitos: baixos
Baço: sem visceromegalias
Autolimitada, raramente recorre
2Sequestro esplênico
Reticulócitos: altos
Baço: esplenomegalia
Tratamento: esplenectomia eletiva se recorrente
3Crise álgica (vaso-oclusiva)
Complicação mais frequente
Complicações hematológicas agudas na doença falciforme
LEVELsoulevel.com.br
Complicações hematológicas agudas na doença falciforme: Crise aplásica (Causa: parvovírus B19, Reticulócitos: baixos, Baço: sem visceromegalias, Autolimitada, raramente recorre); Sequestro esplênico (Reticulócitos: altos, Baço: esplenomegalia, Tratamento: esplenectomia eletiva se recorrente); Crise álgica (vaso-oclusiva) (Complicação mais frequente)

Alternativa A — ❌ Incorreta

A crise aplásica está associada ao parvovírus B19, não ao herpes vírus humano 6 (HHV-6). O HHV-6 causa exantema súbito (roséola) em lactentes, não supressão medular na DF. A banca troca o agente etiológico para testar o conhecimento específico.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A esplenectomia eletiva está indicada no sequestro esplênico recorrente, não na crise aplásica. Nesta, o baço não está envolvido — a medula óssea é o órgão afetado. A alternativa confunde o manejo de duas complicações distintas.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A crise aplásica é autolimitada e raramente se repete, pois a infecção pelo parvovírus B19 confere imunidade duradoura. A recuperação espontânea ocorre na maioria dos casos, com retorno da eritropoiese em 7 a 10 dias. Esta é a descrição correta do quadro apresentado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Ceftriaxone endovenoso é indicado empiricamente em pacientes falciformes com febre, para cobrir Streptococcus pneumoniae (risco de sepse). Nesta paciente, a febre já resolveu há dias e o quadro atual é de anemia aguda com reticulocitopenia — não há indicação de antibioticoterapia. A alternativa aplica o protocolo de febre a um caso de crise aplásica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A complicação mais frequente da doença falciforme é a crise álgica (vaso-oclusiva), não a crise aplásica. A crise aplásica é uma complicação importante, mas menos comum. A alternativa troca a frequência das complicações.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora confundir crise aplásica com sequestro esplênico. A chave é o reticulócito: na aplásica, está baixo (medula parada); no sequestro, está alto (medula funcionando, sangue preso no baço). Nesta questão, o abdome sem visceromegalias e os reticulócitos baixos fecham o diagnóstico de crise aplásica.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, diante de anemia aguda em paciente falciforme, pergunte-se: os reticulócitos estão altos ou baixos? Altos → sequestro esplênico (ou hemólise); baixos → crise aplásica (pensar em parvovírus B19). Essa pergunta resolve a maioria das questões sobre complicações hematológicas agudas da DF.

Gabarito: letra C

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