Interpretação do conto "Os cavalos brancos de Napoleão"
Gabarito: letra E. A visão dos cavalos brancos nas nuvens representa simbolicamente a ruptura da rotina racional do personagem, alterando sua percepção do cotidiano. O texto mostra que Napoleão, um advogado imerso em uma vida familiar e profissional repetitiva, é profundamente abalado por essa visão: "Tanta que Napoleão piscou, comovido. E começou a afundar." A passagem "Porque ver é permitido, mas sentir já é perigoso" confirma que o episódio transcende o mero fato visual e provoca uma mudança interior.
Alternativa A — ❌ Incorreta
"Marta disse não enche, Napoleão... Achou que as nuvens tinham mesmo certo jeito de cavalos." Marta não confirma a presença objetiva dos cavalos; ela apenas vê uma semelhança nas nuvens. O texto ainda afirma: "O que ela não percebia é que os animais estavam além (ou aquém) das nuvens." Portanto, não há prova de fenômeno sobrenatural. Erro: extrapolação (acrescenta elemento ausente do texto).
Alternativa B — ❌ Incorreta
O texto menciona as acusações familiares, mas não as relaciona a "dificuldades emocionais graves" nem afirma que elas sejam "constantes". A palavra "sempre" é um absoluto não sustentado. A visão é um evento novo, não uma consequência de problemas preexistentes. Erro: generalização indevida (transforma uma situação particular em regra universal).
Alternativa C — ❌ Incorreta
Os cavalos não são descritos como "imagens meteorológicas" literais; o narrador diz que eles estão "além (ou aquém) das nuvens". A interpretação poética não é sugerida; o efeito é de comoção e afundamento, não de criação literária. Erro: contradiz o texto (inverte o sentido do fenômeno).
Alternativa D — ❌ Incorreta
O personagem não se mostra insatisfeito com a profissão; pelo contrário, "vezenquando faziam-no sorrir gratificado". A visão é espontânea ("Tão natural achou"), não uma "evasão consciente". Erro: extrapolação (imputa um motivo psicológico não explicitado).
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A visão quebra a rotina racional de Napoleão. O texto descreve sua vida jurídica e os julgamentos domésticos, e então a visão o "afunda", alterando sua percepção. O narrador conclui que "sentir já é perigoso", indicando a ruptura com a lógica cotidiana. Tudo isso está ancorado no texto, sem acréscimos.
Portanto, a alternativa E é a única inteiramente sustentada pelo texto.