Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2026
Medicina›Médico da Família
Código
vu120426
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2026
Nível
Superior
Durante uma consulta de rotina em uma Unidade Básica de Saúde, a mãe de uma adolescente recusa a aplicação da vacina contra o HPV, alegando ter visto nas redes sociais que “a vacina pode estimular o início precoce da vida sexual” e que a filha “não precisa se vacinar agora, porque ainda não é sexualmente ativa”.Considerando as recomendações oficiais do Programa Nacional de Imunização, a conduta correta da equipe de saúde é:
AExplicar que a vacina é mais eficaz antes da exposição ao vírus, não altera comportamento sexual e deve ser administrada até os 14 anos.
BRespeitar a decisão da família sem fornecer mais informações, pois debater mitos tende a aumentar a hesitação para outras vacinas.
CAdiar a vacina até o início da vida sexual, para garantir que a adolescente receba o imunizante apenas quando realmente precisar.
DOrientar a adolescente a utilizar métodos contraceptivos se decidir iniciar a vida sexual antes de receber a vacina.
EInformar que à adolescente que a vacina pode ser aplicada após os 18 anos, facilitando a decisão futura pela própria paciente.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — Explicar que a vacina é mais eficaz antes da exposição ao vírus, não altera comportamento sexual e deve ser administrada até os 14 anos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Vacinação contra HPV: conduta diante da hesitação vacinal
Gabarito: letra A. A conduta correta é explicar que a vacina é mais eficaz antes da exposição ao vírus, não altera o comportamento sexual e deve ser administrada até os 14 anos, conforme as recomendações do Programa Nacional de Imunizações (PNI). A alternativa A sintetiza os três pilares da orientação correta: eficácia máxima antes do início da vida sexual, ausência de impacto no comportamento sexual e a faixa etária-alvo da vacinação de rotina.
A hesitação vacinal é um fenômeno complexo, definido pela Organização Mundial da Saúde como o atraso na aceitação ou a recusa da vacinação, apesar da disponibilidade dos serviços. No caso da vacina contra o HPV, um dos mitos mais frequentes e danosos é exatamente o que a mãe da adolescente relatou: a suposta associação entre a vacinação e o início precoce da vida sexual. Esse mito não tem nenhum respaldo científico e precisa ser ativamente combatido pela equipe de saúde, pois a hesitação vacinal é um dos maiores obstáculos para o alcance das metas de cobertura vacinal e, consequentemente, para a prevenção do câncer de colo do útero e de outras doenças associadas ao HPV.
A vacina contra o HPV é uma ferramenta de prevenção primária extremamente eficaz. Ela age estimulando o sistema imunológico a produzir anticorpos contra os tipos de HPV incluídos na vacina, antes que a pessoa tenha contato com o vírus. Por isso, o momento ideal para a vacinação é antes do início da vida sexual, quando a pessoa ainda não foi exposta ao vírus. Estudos demonstram que a resposta imunológica à vacina em adolescentes é robusta, com produção de anticorpos em quantidade significativamente maior do que a observada na infecção natural. A vacinação em massa de adolescentes, independentemente do sexo, é a estratégia mais eficaz para reduzir a circulação do vírus na população e, a longo prazo, diminuir a incidência de câncer de colo do útero, de pênis, de ânus e de orofaringe, além das verrugas genitais.
A faixa etária recomendada pelo PNI para a vacinação de rotina contra o HPV é de 9 a 14 anos para meninas e de 11 a 14 anos para meninos, com esquema de duas doses (0 e 6 meses). Essa recomendação se baseia justamente na premissa de vacinar antes da exposição ao vírus, maximizando a eficácia da vacina. A alternativa A menciona "até os 14 anos", o que está alinhado com a faixa etária preconizada para meninas. É importante destacar que a vacina também está disponível para outros grupos, como pessoas vivendo com HIV, transplantados e pacientes oncológicos, com esquema de três doses, mas a vacinação de rotina na adolescência é o foco da questão.
A conduta da equipe de saúde diante da hesitação vacinal deve ser pautada pela comunicação não violenta, pelo acolhimento das dúvidas e pela oferta de informações baseadas em evidências científicas. O profissional deve ouvir atentamente as preocupações da família, validar seus sentimentos, mas, ao mesmo tempo, apresentar os fatos de forma clara e objetiva, desconstruindo os mitos com informações corretas. A decisão de não vacinar não deve ser simplesmente aceita sem diálogo, pois isso representaria uma falha na promoção da saúde e na proteção da adolescente. O papel da equipe é empoderar a família com conhecimento para que ela possa tomar uma decisão informada e consciente.
A pegadinha central desta questão é a tentativa da banca de fazer o candidato acreditar que a conduta correta seria "respeitar" a decisão da família sem questionar, ou adiar a vacinação. Na prática, a hesitação vacinal deve ser enfrentada com informação e diálogo, e a vacinação não deve ser adiada, pois isso reduziria a janela de oportunidade para a proteção antes da exposição ao vírus. A alternativa A é a única que contempla a abordagem correta, baseada na educação em saúde e na recomendação técnica do PNI.
Guarde o tripé da conduta correta: eficácia antes da exposição, ausência de impacto no comportamento sexual e faixa etária-alvo. É exatamente esse tripé que separa a alternativa correta das demais.
Vacina HPV: Eficácia (Antes da exposição ao vírus, Resposta imune robusta em adolescentes); Mitos (Não estimula vida sexual precoce, Não altera comportamento sexual); Faixa etária (PNI) (Meninas: 9 a 14 anos, Meninos: 11 a 14 anos, Esquema: 2 doses (0 e 6 meses)); Conduta da equipe (Acolher dúvidas, Informar com evidências, Desconstruir mitos)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Esta alternativa está correta porque sintetiza as três informações essenciais que a equipe de saúde deve transmitir à mãe e à adolescente. Primeiro, a vacina é mais eficaz quando administrada antes da exposição ao vírus, ou seja, antes do início da vida sexual, pois o sistema imunológico é estimulado a produzir anticorpos antes de qualquer contato com o HPV. Segundo, a vacinação não altera o comportamento sexual dos adolescentes, desmentindo o mito citado pela mãe. Terceiro, a vacina deve ser administrada até os 14 anos, conforme a faixa etária recomendada pelo PNI para meninas (9 a 14 anos). A conduta correta é, portanto, explicar esses pontos à família, acolhendo suas dúvidas e oferecendo informações baseadas em evidências.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque a conduta de "respeitar a decisão da família sem fornecer mais informações" é uma postura passiva e contrária aos princípios da promoção da saúde e da prevenção de doenças. A hesitação vacinal não deve ser simplesmente aceita; ela deve ser enfrentada com diálogo, acolhimento e informação baseada em evidências. Debater mitos, como o de que a vacina estimula o início precoce da vida sexual, é fundamental para desconstruí-los e aumentar a confiança na vacinação. A equipe de saúde tem o dever de oferecer informações claras e objetivas para que a família possa tomar uma decisão informada, e não de se omitir.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque adiar a vacinação até o início da vida sexual é exatamente o oposto da recomendação oficial. A vacina é mais eficaz quando administrada antes da exposição ao vírus, ou seja, antes do início da vida sexual. Adiar a vacinação reduziria a janela de oportunidade para a proteção, pois a adolescente poderia iniciar a vida sexual a qualquer momento e se expor ao vírus antes de estar imunizada. A vacinação deve ser oferecida na faixa etária recomendada, independentemente do início da vida sexual, para garantir a proteção no momento em que ela for mais necessária.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque, embora a orientação sobre métodos contraceptivos seja importante para a prevenção de gravidez e de outras ISTs, ela não substitui a vacinação contra o HPV. A vacina previne a infecção pelo HPV, que é a causa do câncer de colo do útero e de outras doenças, enquanto os métodos contraceptivos, como a camisinha, previnem a gravidez e outras ISTs, mas não oferecem proteção completa contra o HPV. A conduta correta é oferecer a vacinação e, simultaneamente, orientar sobre a prevenção combinada, mas nunca adiar ou substituir a vacina por orientações contraceptivas.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Esta alternativa está incorreta porque a vacina contra o HPV deve ser administrada na adolescência, na faixa etária recomendada pelo PNI (9 a 14 anos para meninas), e não após os 18 anos. Adiar a vacinação para a maioridade reduziria a eficácia da vacina, pois a pessoa poderia já ter sido exposta ao vírus. Além disso, a vacinação na adolescência é uma estratégia de saúde pública para proteger a população antes do início da vida sexual, e não uma decisão que deve ser deixada para o futuro. A conduta correta é oferecer a vacinação na idade recomendada, com informações claras sobre seus benefícios.