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Questão de Medicina — Médico da Família — VUNESP 2026

MedicinaMédico da Família
Código
vu120432
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2026
Nível
Superior
A gestora de uma UBS identifica que pessoas com diabetes, do território, apresentam baixa adesão ao tratamento e que muitas estão com controle inadequado da doença.Nas visitas ao bairro, observa poucas áreas verdes, dificuldade de transporte público e grande quantitativo de trabalhadores informais entre os moradores. O bairro tem 2 mini-mercados, com disponibilidade de alimentos ultraprocessados e pouca oferta de alimentos frescos.Considerando ações viáveis dentro da atenção primária, qual intervenção tem maior potencial para melhorar o controle glicêmico da população?
  1. AReforçar que os profissionais cobrem dos pacientes mudanças de estilo de vida, responsabilizando-os pelo controle da doença.
  2. BAmpliar oferta de grupos de atividade física e orientação alimentar, assim como horários de consultas, facilitando o acesso desse grupo populacional.
  3. CImplementar campanhas on-line nas redes sociais e na comunidade, com cartazes e dicas de conscientização sobre hábitos saudáveis.
  4. DCriar um protocolo mais rígidos de prescrição e oferta de medicamentos para diabetes na UBS, reduzindo a necessidade de mudança de estilo de vida.
  5. EImplementar um programa de automonitoramento de glicemia capilar em casa, com disponibilização de glicosímetros e fitas para os pacientes.
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GabaritoB — Ampliar oferta de grupos de atividade física e orientação alimentar, assim como horários de consultas, facilitando o acesso desse grupo populacional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Atenção Primária à Saúde e Controle do Diabetes: abordagem populacional e de acesso

Gabarito: letra B. A intervenção com maior potencial para melhorar o controle glicêmico da população descrita é aquela que combina a ampliação de grupos de atividade física e orientação alimentar com a flexibilização dos horários de consulta, pois ataca diretamente as barreiras de acesso e os determinantes sociais identificados no território (poucas áreas verdes, transporte público precário e trabalhadores informais). As demais alternativas ou responsabilizam individualmente o paciente, ou se limitam a campanhas de conscientização, ou focam apenas em medicamentos e automonitoramento, sem enfrentar as causas estruturais da baixa adesão.

O caso descreve uma situação típica da atenção primária à saúde (APS): uma população com diabetes mal controlada, em um território com determinantes sociais adversos. A baixa adesão ao tratamento e o controle inadequado da doença não são fenômenos individuais, mas sim o resultado da interação entre fatores relacionados ao paciente, à doença, à terapia, ao sistema de saúde e aos fatores socioeconômicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) elenca exatamente esses cinco grupos de fatores que impactam na adesão ao tratamento de doenças crônicas, e a abordagem eficaz na APS deve considerar todos eles.

A alternativa B é a mais completa porque propõe intervenções que atuam em múltiplos níveis: (1) ampliar a oferta de grupos de atividade física e orientação alimentar, (2) flexibilizar os horários de consulta, e (3) facilitar o acesso desse grupo populacional. Isso contrasta com as demais, que focam em um único aspecto, como a responsabilização individual (A), campanhas de conscientização (C), protocolos rígidos de prescrição (D) ou automonitoramento (E). A abordagem populacional e de acesso é a que tem maior potencial de impacto, pois enfrenta as barreiras estruturais que impedem a adesão.

A literatura de saúde pública e as diretrizes de atenção primária reforçam que intervenções que promovem alimentação saudável, prática regular de atividade física e redução de ganho de peso são as que têm maior potencial de reduzir a incidência de diabetes tipo 2. Além disso, a criação de espaços urbanos para a prática de atividade física, impostos sobre alimentos não saudáveis e subsídios para alimentos saudáveis são exemplos de intervenções populacionais eficazes. No contexto da APS, a ampliação de grupos de atividade física e orientação alimentar, aliada à flexibilização de horários, é uma ação viável e de alto impacto.

A pegadinha da questão está em confundir intervenções individuais (como automonitoramento ou prescrição rígida) com intervenções populacionais e de acesso. A banca quer que o candidato identifique que a baixa adesão é um problema multifatorial, e que a solução mais eficaz é aquela que atua nas barreiras de acesso e nos determinantes sociais, não apenas na responsabilização individual ou em medidas isoladas.

Controle glicêmico na APS
  • 1Fatores da baixa adesão
    • Determinantes sociais
      • Poucas áreas verdes
      • Transporte precário
      • Trabalhadores informais
    • Acesso a alimentos
      • Poucos frescos
      • Muitos ultraprocessados
  • 2Intervenção eficaz (B)
    • Grupos de atividade física
    • Orientação alimentar
    • Horários flexíveis de consulta
  • 3Intervenções insuficientes
    • Responsabilização individual (A)
    • Campanhas de conscientização (C)
    • Protocolo rígido de medicamentos (D)
    • Automonitoramento isolado (E)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Esta alternativa propõe que os profissionais cobrem dos pacientes mudanças de estilo de vida, responsabilizando-os pelo controle da doença. O erro está em atribuir a responsabilidade exclusivamente ao paciente, ignorando os determinantes sociais e as barreiras de acesso identificadas no território (poucas áreas verdes, transporte público precário, trabalhadores informais). Essa abordagem é individualista e não considera que a baixa adesão é influenciada por fatores estruturais, como a falta de acesso a alimentos frescos e a dificuldade de transporte. A responsabilização individual sem suporte estrutural tende a ser ineficaz e pode até gerar culpa e desmotivação.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa é a correta porque propõe intervenções que atuam diretamente nas barreiras de acesso e nos determinantes sociais identificados. Ampliar a oferta de grupos de atividade física e orientação alimentar atende à necessidade de promover hábitos saudáveis, enquanto a flexibilização dos horários de consulta facilita o acesso de trabalhadores informais, que muitas vezes não podem comparecer durante o horário comercial. Essa abordagem é multifatorial e populacional, alinhada com as recomendações de saúde pública para o controle de doenças crônicas na APS.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Esta alternativa propõe campanhas on-line e cartazes de conscientização. Embora a educação em saúde seja importante, campanhas de conscientização isoladas têm baixo impacto na mudança de comportamento, especialmente quando não são acompanhadas de intervenções estruturais que facilitem a adoção de hábitos saudáveis. No contexto descrito, com poucas áreas verdes e oferta limitada de alimentos frescos, a conscientização sem ações concretas de acesso tende a ser insuficiente. Além disso, a população de trabalhadores informais pode ter acesso limitado a meios digitais, reduzindo ainda mais a efetividade da campanha on-line.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Esta alternativa propõe criar um protocolo mais rígido de prescrição e oferta de medicamentos, reduzindo a necessidade de mudança de estilo de vida. O erro está em focar exclusivamente no tratamento medicamentoso, ignorando que o controle glicêmico adequado depende também de mudanças no estilo de vida, como alimentação saudável e atividade física. Além disso, um protocolo mais rígido de prescrição pode aumentar a adesão medicamentosa, mas não aborda as barreiras estruturais que impedem a adoção de hábitos saudáveis. A abordagem medicamentosa isolada é insuficiente para o controle adequado do diabetes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Esta alternativa propõe um programa de automonitoramento de glicemia capilar em casa, com disponibilização de glicosímetros e fitas. Embora o automonitoramento seja importante para o ajuste de doses de insulina e para a avaliação do controle glicêmico, ele não aborda as causas da baixa adesão ao tratamento, que estão relacionadas a fatores socioeconômicos e de acesso. O automonitoramento é uma ferramenta complementar, mas não é a intervenção com maior potencial para melhorar o controle glicêmico da população, pois não enfrenta as barreiras estruturais identificadas no território.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato ao apresentar intervenções individuais (como automonitoramento ou prescrição rígida) como se fossem soluções para um problema populacional. A chave é identificar que a baixa adesão é multifatorial e que a intervenção mais eficaz é aquela que atua nas barreiras de acesso e nos determinantes sociais, como a ampliação de grupos de atividade física e a flexibilização de horários. Fique atento: a questão não pergunta qual é a melhor conduta individual, mas qual intervenção tem maior potencial para melhorar o controle glicêmico da população.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de atenção primária e saúde coletiva, lembre-se de que a abordagem deve ser sempre populacional e considerar os determinantes sociais. Intervenções que ampliam o acesso (horários flexíveis, grupos comunitários) e promovem hábitos saudáveis (atividade física, alimentação) tendem a ser mais eficazes do que campanhas de conscientização isoladas ou medidas individuais. Na prova, desconfie de alternativas que responsabilizam o paciente ou que focam apenas em medicamentos, pois elas ignoram o contexto social.

Gabarito: letra B

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