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Questão de Português — Conjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais — VUNESP 2019

PortuguêsConjugação. Reconhecimento e Emprego dos Modos e Tempos Verbais
Código
vu133667
Banca
VUNESP
Órgão
Pref RP
Ano
2019
Cargo
Prof ( )

Leia o texto para responder à questão.


Vista Cansada


Acho que foi o Ernest Hemingway* quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.


Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse um poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O problema é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo.


Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não nos desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. De tanto ver, você não vê.


Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.


Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, esse profissional nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.


Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.


Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.


(Otto Lara Resende. Bom dia para nascer. Companhia das Letras. Adaptado)


* Ernest Hemingway: escritor estadunidense que se suicidou em 1961.

 

Considere os trechos do texto.


Acho que foi o Ernest Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez.


Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência.


O emprego das formas verbais destacadas permite ao autor, respectivamente:

  1. Amencionar a regularidade de uma ação executada no passado; fazer uma suposição.
  2. Brecordar um comportamento que perdura até o presente; levantar uma hipótese.
  3. Cnarrar um evento ainda inconcluso; indicar eventos ocorridos concomitantemente.
  4. Drelembrar um fato ocorrido no passado; assegurar que um evento ocorrerá no futuro.
  5. Ereferir-se a um comportamento que era habitual; enunciar um fato que ocorre no momento da fala.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — mencionar a regularidade de uma ação executada no passado; fazer uma suposição.

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