Questão de Português — Advérbio — VUNESP 2019
- Código
- vu133757
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- Pref SJC
- Ano
- 2019
- Cargo
- Ana GM ( )
O debate de ideias no Brasil de hoje é marcado pela polarização. Em geral se crê que aquele que diverge não merece respeito nem ser ouvido. O adepto de determinada ideologia prefere o xingamento ou o recolhimento ao conforto de suas protegidas câmaras de reverberação nas redes sociais a se engajar em discussões civilizadas com adversários.
Muitos intelectuais se tornaram metralhadoras de “lacração” e xingamentos. Ontem mesmo no Twitter, um deles denunciou os organizadores de um painel sobre Previdência por terem escolhido apenas homens, brancos e ricos. O detalhe é que ele fez parte do painel e se incluía na descrição.
A essa grave acusação de preconceito, é inevitável que ocorram contestações similarmente histéricas, e assim caminha o debate público.
Como chegamos a esse ponto?
Em um artigo sobre intelectuais, F.A. Hayek explica que esses intermediários de ideias têm o poder de moldar a opinião pública. É uma classe formada por diversas categorias de profissionais e por reais especialistas em seu campo de atuação, que passam a ter espaço para opinar em assuntos nos quais são amadores.
Esses intelectuais não precisam ser particularmente inteligentes nem deter real conhecimento; basta que se familiarizem, previamente, com novas ideias adequadas a sua plateia e que sejam hábeis em prontamente opinar sobre temas variadíssimos.
Porém, a vanguarda intelectual se distanciou demais dos anseios do povo e a reação chegou. As massas não engolem os fetiches de que tudo é “construção social” em conflitos de poder, que culturas bárbaras e civilizadas são igualmente idôneas, que o globalismo político deve suplantar as nações, que “lugar de fala” serve como argumento.
E o povo quer emprego, saneamento, segurança, honestidade e não hermetismo de elite desconectada que se identifica melhor com cidadãos globais frequentadores da ONU e de congressos internacionais em universidades.
Hayek conclui seu artigo com a recomendação de que “precisamos de líderes intelectuais que resistam às bajulações e aos agrados do poder e que trabalhem por um ideal puro, por menor que seja a chance de sua efetiva realização”.
E eu complemento: não de deslumbrados por esse ou aquele governante.
(Helio Beltrão, Intelectuais que traem. Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br). Acesso em: 02.10.2019. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a palavra “melhor” está empregada como advérbio, tal qual ocorre no trecho – se identifica melhor com cidadãos globais.
- ANeste ano, a safra de grãos foi melhor do que a do ano passado.
- BA melhor solução é adiar o encontro dos colegas de turma.
- CÉ sabido que, em qualquer competição, nem sempre vence o melhor.
- DÉ preciso escolher melhor com quem se faz uma sociedade.
- EVai ficar mais um tempo? Melhor, assim colocamos os assuntos em dia.