Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2019
- Código
- vu134755
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- IPREMM
- Ano
- 2019
- Cargo
- Aux Escr ( )
Víamos os nossos pés
Não sou uma pessoa tropical(A). Minha terra preferida é o outono em qualquer lugar. No outono as coisas se abrandam e absorvem a luz em vez de refleti-la. É como se a Natureza etc., etc. (O verão não é uma boa estação para literatura descritiva. Me peça o resto da frase no outono.)
Sempre digo que a praia seria um lugar ótimo se não fossem a areia, o sol e a água fria. É só uma frase. Gosto do mar. O diabo é que a gente sempre tem na cabeça um banho de mar perfeito que nunca se repete. O meu aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul, em algum ano da década de 50. Sim, crianças, em 50 já existiam Torres, o oceano Atlântico e este cronista, todos bem mais jovens. O mar de Torres estava verde como nunca mais esteve(B). Via-se o fundo?
Via-se o fundo(C).
Víamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço(D), e como eram jovens os nossos pés. Havia algas no mar? Iodo, mães-d’água, siris, dejetos, náufragos, sereias? Não, a água estava límpida como nunca mais esteve. Os únicos objetos estranhos no mar eram os nossos pés, e como isso faz tempo. Até que horas ficamos na água? Alguns anoiteceram dentro d’água e estariam lá até agora se não tivessem que voltar para a cidade, se formar, fazer carreira, casar, envelhecer, essas coisas.
Como o cronista explica sua aversão ao verão depois de tais lembranças? É que eu não gostava do verão(E). Gostava de ser mais moço.
(Luis Fernado Verissimo. Em algum lugar do paraíso. Rio de Janeiro, Objetiva, 2011. Adaptado)
O cronista estabelece algumas comparações ao longo do texto, como se constata em:
- ANão sou uma pessoa tropical.
- BO mar de Torres estava verde como nunca mais esteve.
- CVia-se o fundo.
- DVíamos os nossos pés, embora a água estivesse pelo nosso pescoço...
- E... eu não gostava do verão.