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Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — VUNESP 2020

PortuguêsLinguagem Formal e Informal
Código
vu141312
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2020
Cargo
Vest ( )

O entendimento dos contos

 

— Agora você vai me contar uma história de amor — disse o rapaz à moça. — Quero ouvir uma história de amor em que entrem caravelas, pedras preciosas e satélites artificiais.

 

— Pois não — respondeu a moça, que acabara de concluir o mestrado de contador de histórias, e estava com a imaginação na ponta da língua. — Era uma vez um país onde só havia água, eram águas e mais águas, e o governo como tudo mais se fazia em embarcações atracadas ou em movimento, conforme o tempo. Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar com ele. Osmundo ofereceu-lhe um belo navio embandeirado, que ela recusou. Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e para seus familiares.

 

Ora, ninguém sabia fazer caravelas, era um tipo de embarcação há muito fora de uso. Osmundo apresentou um mau produto, que Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo. Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez sem êxito, pois desceu no fundo das águas e lá encontrou um cofre cheio de esmeraldas, topázios, rubis, diamantes e o mais que você imagina. Voltou à tona para oferecê-lo à rígida Sertória, que virou o rosto. Nada a fazer, pensou Osmundo; vou transformar-me em satélite artificial. Mas os satélites artificiais ainda não tinham sido inventados. Continuou humilde satélite de Sertória, que ultimamente passeava de uma lancha para outra, levando-o preso a um cordão de seda, com a inscrição “Amor imortal”. Acabou.

 

— Mas que significa isso? — perguntou o moço, insatisfeito. — Não entendi nada.

 

— Nem eu — respondeu a moça —, mas os contos devem ser contados, e não entendidos; exatamente como a vida.

 

(Contos plausíveis, 2012.)

Leia o conto de Carlos Drummond de Andrade para responder à questão.     Observa-se o emprego de expressão própria da linguagem coloquial no trecho
  1. A“Só aceitaria uma frota de dez caravelas, para si e para seus familiares” (2º parágrafo).
  2. B“Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo” (3º parágrafo).
  3. C“Era uma vez um país onde só havia água, eram águas e mais águas” (2º parágrafo).
  4. D“Osmundo mantinha uma grande indústria de barcos, mas não era feliz, porque Sertória, objeto dos seus sonhos, se recusava a casar com ele” (2º parágrafo).
  5. E“Osmundo, desesperado, pensou em afogar-se, o que fez sem êxito” (3º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “Sertória não aceitou, enumerando os defeitos, a começar pelas velas latinas, que de latinas não tinham um centavo” (3º parágrafo).

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