Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2020
- Código
- vu141397
- Banca
- VUNESP
- Órgão
- CM BP
- Ano
- 2020
- Cargo
- AGPP (CMBP)
Clareiras
Se um autor faz você voltar atrás na leitura, seja de um período ou de uma simples frase, não o julgue profundo demais, não fique complexado: o inferior é ele.
A atual crise de expressão, que tanto vem alarmando a velha-guarda que morre mas não se entrega, não deve ser propriamente de expressão, mas de pensamento. Como é que pode escrever certo quem não sabe ao certo o que procura dizer?
Em meio à intrincada selva selvagem de nossa literatura encontram-se às vezes, no entanto, repousantes clareiras. E clareira pertence à mesma família etimológica de clareza… Que o leitor me desculpe umas considerações tão óbvias. É que eu desejava agradecer, o quanto antes, o alerta repouso que me proporcionaram três livros que li na última semana.
Porque, ao ler alguém que consegue expressar-se com toda a limpidez, nem sentimos que estamos lendo um livro: é como se o estivéssemos pensando.
E, como também estive a folhear o velho Pascal, encontrei providencialmente em meu apoio estas suas palavras, à pág. 23 dos Pensamentos:
“Quando deparamos com o estilo natural, ficamos pasmados e encantados, como se esperássemos ver um autor e encontrássemos um homem”.
(Mario Quintana, A vaca e o hipogrifo. Adaptado)
É correto afirmar que a frase de Pascal expressa o sentimento de que o estilo natural
- Atransmite a mensagem com menos realismo.
- Bdecepciona pela pouca criatividade.
- Cadmira o leitor, em razão dos temas ilusórios.
- Dconfunde o leitor pela indefinição de papéis.
- Eaproxima o autor do universo do leitor.