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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2021

PortuguêsConjunção
Código
vu160622
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Piracicaba
Ano
2021
Cargo
Prof S (Piracicaba)

Meus tempos de menino

 

De cedo, aprendi a subir ladeira e a pegar bonde andando. Posso dizer, com humildade orgulhosa, que tive morros e bondes no meu tempo de menino.

 

Eu conheci, lá longe, o sol de montanha no morro da Geada, lá pelos lados do Jaguaré, de onde se avistava, mais à direita, um ponto meio preto, quase azulado, tão vistoso – o pico do Jaraguá. Ah, tempos... o rio Tietê, como o Pinheiros, dava peixe, a gente atravessava os dois de balsa ou de bote, que enchiam o coração das velhas de medo e o deste aqui de um tropel.

 

Nossa pobreza não era envergonhada. Ainda não fora substituída pela miséria nos morros pobres, como o da Geada. Tínhamos um par de sapatos para o domingo. Só. A semana tocada de tamancos ou de pés no chão.

 

Não há lembrança que me chegue sem os gostos. Será difícil esquecer, lá no morro, o gosto de fel do chá para os rins, chá de carquejo empurrado goela abaixo pelas mãos da minha bisavó Júlia.

 

Mas, se o chá de carquejo me descia brabo pela goela, como me é difícil esquecer o gosto bom do leite quente na caneca esmaltada estirada, amorosamente, pelas mãos da minha avó Nair. Sou, assim, homem de sorte. De pequeno, paparicado por avó, bisavó e doze tios e tias-avós. Muita sorte, inda agora tenho avó viva. É Nair, dona Nair, a que sabe fazer, até hoje, aos oitenta e três anos, uns olhos azuis e sararás tão femininos e bons fora da conta viajarem para os netos.

 

Nenhum de nós sabia dizer a palavra solidariedade. Mas, na casa de outro tio, o nosso tio Otacílio, criavam-se até filhos dos outros, e estou certo de que nosso coração era simples, espichado e melhor. Não desandávamos a reclamar da vida, não nos hostilizávamos feito possessos, tocávamos a pé pra baixo e pra cima e, quando um se encontrava com o outro, a gente não dizia: “Oi!”. A gente se saudava, largo e profundo:

 

– Ô, batuta!

 

(João Antônio. Boa companhia: crônicas. Organização, introdução e notas

Humberto Werneck. São Paulo: Companhia das letras, 2005. Adaptado)

Na articulação das informações textuais, o termo “mas”, destacado na passagem “Mas, se o chá de carquejo me descia brabo pela goela, como me é difícil esquecer o gosto bom do leite quente na caneca esmaltada estirada, amorosamente, pelas mãos da minha avó...”, é empregado para expressar

  1. Auma comparação entre os motivos que levavam bisavó e avó a agirem de maneiras tão distintas ao oferecerem as bebidas.
  2. Ba conclusão de que, enquanto as lembranças do consumo de leite quente permanecem, as do chá de carquejo foram apagadas.
  3. Ca causa das lembranças ruins que envolvem tanto o leite quente então ofertado pela avó quanto o chá de carquejo da bisavó.
  4. Do contraste entre os eventos que fazem parte das lembranças relacionadas ao consumo de chá de carquejo e ao de leite quente.
  5. Ea explicação do motivo para as lembranças relacionadas ao chá de carquejo lhe serem mais agradáveis que as do leite quente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — o contraste entre os eventos que fazem parte das lembranças relacionadas ao consumo de chá de carquejo e ao de leite quente.

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