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Questão de Português — Questões Variadas de Verbo — VUNESP 2022

PortuguêsQuestões Variadas de Verbo
Código
vu163715
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2022
Cargo
Vest ( )

O principal enfoque em O erro de Descartes é a relação entre emoção e razão. Baseado em meu estudo de pacientes neurológicos que apresentavam deficiências na tomada de decisão e distúrbios da emoção, construí a hipótese de que a emoção era parte integrante do processo de raciocínio e poderia auxiliar esse processo ao invés de, como se costumava supor, necessariamente perturbá-lo. Hoje em dia essa ideia já não causa espécie, mas na época em que a apresentei muita gente estranhou, e mesmo a recebeu com certo ceticismo. Tudo sopesado, a ideia, em grande medida, foi aceita e até, em certos casos, acolhida com tanta sofreguidão que acabou deturpada. Por exemplo, nunca afirmei que a emoção era um substituto para a razão, mas em algumas versões superficiais depreendia-se que minha ideia era que se você seguisse o coração em vez da razão tudo daria certo.

 

Na verdade, em certas ocasiões a emoção pode ser um substituto para a razão. O programa de ação emocional que denominamos medo pode afastar rapidamente do perigo a maioria dos seres humanos com pouca ou nenhuma ajuda da razão. Um esquilo ou um pássaro não pensa para reagir a uma ameaça, e o mesmo pode acontecer a um humano. Aí é que está a beleza no modo como a emoção tem funcionado no decorrer da evolução: ela abre a possibilidade de levar seres vivos a agir de maneira inteligente sem precisar pensar com inteligência. Acontece que, nos humanos, essa história tornou-se mais complexa, para o bem e para o mal. O raciocínio faz o que fazem as emoções, mas alcança o resultado conscientemente. O raciocínio nos dá a opção de pensar com inteligência antes de agir de maneira inteligente, e isso é bom: descobrimos que muitos dos problemas que encontramos em nosso complexo ambiente podem ser resolvidos apenas com emoções, porém não todos, e nestas ocasiões as soluções que a emoção oferece são, na realidade, contraproducentes.

 

Mas como evoluiu nas espécies complexas o sistema de raciocínio inteligente? A proposta inovadora em O erro de Descartes é que o sistema de raciocínio evoluiu como uma extensão do sistema emocional automático, com a emoção desempenhando vários papéis no processo de raciocínio.

 

(O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano, 2012. Adaptado.)

Leia o trecho do livro O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano, do neurocientista português António Rosa Damásio, para responder à questão.

   

O verbo sublinhado, na conjugação em que se apresenta, indica um fato pontual no passado no seguinte trecho:

  1. A“se você seguisse o coração em vez da razão tudo daria certo” (1º parágrafo).
  2. B“a emoção era um substituto para a razão” (1º parágrafo).
  3. Cconstruí a hipótese de que a emoção era parte integrante do processo de raciocínio” (1º parágrafo).
  4. D“Baseado em meu estudo de pacientes neurológicos que apresentavam deficiências na tomada de decisão” (1º parágrafo).
  5. E“O raciocínio nos a opção de pensar com inteligência antes de agir de maneira inteligente” (2º parágrafo).
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GabaritoC — “construí a hipótese de que a emoção era parte integrante do processo de raciocínio” (1º parágrafo).

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