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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu164437
Banca
VUNESP
Órgão
UNIFESP
Ano
2022
Cargo
Vest ( )

O principal enfoque em O erro de Descartes é a relação entre emoção e razão. Baseado em meu estudo de pacientes neurológicos que apresentavam deficiências na tomada de decisão e distúrbios da emoção, construí a hipótese de que a emoção era parte integrante do processo de raciocínio e poderia auxiliar esse processo ao invés de, como se costumava supor, necessariamente perturbá-lo. Hoje em dia essa ideia já não causa espécie, mas na época em que a apresentei muita gente estranhou, e mesmo a recebeu com certo ceticismo. Tudo sopesado, a ideia, em grande medida, foi aceita e até, em certos casos, acolhida com tanta sofreguidão que acabou deturpada. Por exemplo, nunca afirmei que a emoção era um substituto para a razão, mas em algumas versões superficiais depreendia-se que minha ideia era que se você seguisse o coração em vez da razão tudo daria certo.

 

Na verdade, em certas ocasiões a emoção pode ser um substituto para a razão. O programa de ação emocional que denominamos medo pode afastar rapidamente do perigo a maioria dos seres humanos com pouca ou nenhuma ajuda da razão. Um esquilo ou um pássaro não pensa para reagir a uma ameaça, e o mesmo pode acontecer a um humano. Aí é que está a beleza no modo como a emoção tem funcionado no decorrer da evolução: ela abre a possibilidade de levar seres vivos a agir de maneira inteligente sem precisar pensar com inteligência. Acontece que, nos humanos, essa história tornou-se mais complexa, para o bem e para o mal. O raciocínio faz o que fazem as emoções, mas alcança o resultado conscientemente. O raciocínio nos dá a opção de pensar com inteligência antes de agir de maneira inteligente, e isso é bom: descobrimos que muitos dos problemas que encontramos em nosso complexo ambiente podem ser resolvidos apenas com emoções, porém não todos, e nestas ocasiões as soluções que a emoção oferece são, na realidade, contraproducentes.

 

Mas como evoluiu nas espécies complexas o sistema de raciocínio inteligente? A proposta inovadora em O erro de Descartes é que o sistema de raciocínio evoluiu como uma extensão do sistema emocional automático, com a emoção desempenhando vários papéis no processo de raciocínio.

 

(O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano, 2012. Adaptado.)

Leia o trecho do livro O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano, do neurocientista português António Rosa Damásio, para responder à questão.

   

De acordo com o autor,

  1. Ao sistema emocional automático pode vir a substituir, com a progressiva evolução humana, o sistema de raciocínio.
  2. Ba mente humana evolui ao tornar a inteligência cada vez mais independente das limitações impostas pela emoção.
  3. Ca evolução do sistema de raciocínio humano está intrinsecamente associada ao sistema emocional automático.
  4. Da emoção representa um entrave para o homem contemporâneo que quer tomar decisões racionais eficazes.
  5. Eo desenvolvimento das potencialidades humanas pressupõe o abandono da ideia de que a emoção pode ser de algum modo benéfica.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — a evolução do sistema de raciocínio humano está intrinsecamente associada ao sistema emocional automático.

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