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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu164530
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Osasco
Ano
2022
Cargo
GCM ( )

A perda da privacidade


Um dos problemas do nosso tempo, uma obsessão mais ou menos generalizada, é a privacidade. Para dizer de maneira muito, mas muito simples, significa que cada um tem o direito de tratar da própria vida sem que todos fiquem sabendo. Por isso, é preocupante que, através dos nossos cartões de crédito, alguém possa ficar sabendo o que compramos, em que hotel ficamos e onde jantamos.


Parece, portanto, que a privacidade é um bem que todos querem defender a qualquer custo.


Mas a pergunta é: as pessoas realmente se importam tanto com a privacidade? Antes, a ameaça à privacidade era a fofoca, e o que temíamos na fofoca era o atentado à nossa reputação pública. No entanto, talvez por causa da chamada sociedade líquida, na qual todos estão em crise de identidade e de valores e não sabem onde buscar os pontos de referência para definir-se, o único modo de adquirir reconhecimento social é “mostrar-se” – a qualquer custo.


E assim, os cônjuges que antigamente escondiam zelosamente suas divergências participam de programas de gosto duvidoso para interpretar tanto o papel do adúltero quanto o do traído, para delírio do público.


Foi publicado recentemente um artigo de Zygmunt Bauman revelando que as redes sociais, que representam um instrumento de vigilância de pensamentos e emoções alheios, são realmente usadas pelos vários poderes com funções de controle, graças também à contribuição entusiástica de seus usuários. Bauman fala de “sociedade confessional que eleva a autoexposição pública à categoria de prova eminente e mais acessível, além de verossimilmente mais eficaz, de existência social”. Em outras palavras, pela primeira vez na
história da humanidade, os espionados colaboram com os espiões, facilitando o trabalho destes últimos, e esta rendição é para eles um motivo de satisfação porque afinal são vistos por alguém enquanto levam a vida – e não importa se às vezes vivam como criminosos ou como imbecis.


A verdade também é que, já que todos podem saber tudo de todos, o excesso de informação não pode produzir nada além de confusão, rumor e silêncio. Mas, para os espionados, parece ótimo que eles mesmos e seus segredos mais íntimos sejam conhecidos pelo menos pelos amigos, vizinhos, e possivelmente até pelos inimigos, pois este é o único modo de sentirem-se vivos, parte ativa do corpo social.

(Umberto Eco. Pape satàn aleppe: Crônicas de uma sociedade líquida.
Editora Record, Rio de Janeiro: 2017. Adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.   Conforme o autor, a obsessão mais ou menos generalizada pela privacidade
  1. Atem aumentado o temor das pessoas quanto à forma como empresas que dispõem de dados pessoais lidam com eles.
  2. Bé condizente com a tendência de abandono à exposição em redes sociais e de maior cuidado com a reputação pública.
  3. Cdestoa do objetivo das redes sociais, que lucram justamente quando usuários se expõem a um público cada vez maior.
  4. Dobriga as redes sociais a buscarem novos meios para que os usuários voltem a sentir satisfação em expor sua vida pessoal.
  5. Evai de encontro à predisposição das pessoas para expor a própria intimidade em busca de reconhecimento social.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — vai de encontro à predisposição das pessoas para expor a própria intimidade em busca de reconhecimento social.

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