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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2022

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu164639
Banca
VUNESP
Órgão
TJ SP
Ano
2022
Cargo
ASJ ( )

Em uma sociedade desigual, aqueles que alcançam o topo querem acreditar que seu sucesso tem justificativa moral. Em uma sociedade de meritocracia*, isso significa que os vencedores devem acreditar que conquistaram o sucesso através do próprio talento e empenho. Quem entra em uma universidade pública de prestígio com credenciais brilhantes se orgulha da conquista e considera que o fez por conta própria. Mas isso, de certa forma, é ilusório. Ainda que seja verdade o fato de a entrada refletir dedicação e empenho, não se pode dizer que foi somente resultado da própria ação. E o que dizer a respeito de pai, mãe e professores que ajudaram ao longo do caminho? E a sorte de viver em uma sociedade que cultiva e recompensa os talentos que eles por acaso têm?

 

As pessoas que, por meio de um pouco de esforço e talento, prevalecem em uma meritocracia ficam endividadas de uma forma que a competição ofusca. À medida que a meritocracia se intensifica, o esforço nos absorve tanto que o fato de estarmos endividados sai de vista. Dessa maneira, até mesmo uma meritocracia justa, uma em que não haja trapaça, ou suborno, ou privilégios especiais para os ricos, induz a uma impressão equivocada: de que chegamos lá por conta própria. Os anos de árduo esforço exigidos de candidatos a universidades de elite praticamente os obriga a acreditar que o sucesso deles é resultado das próprias ações, e, se fracassarem, não terão a quem culpar, a não ser a si mesmos.

 

Esse é um fardo pesado para pessoas jovens carregarem. Além disso, corrói sensibilidades cívicas. Porque quanto mais pensarmos em nós como pessoas que vencem pelo próprio esforço e que são autossuficientes, mais difícil será aprender a ter gratidão e humildade. E sem esses sentimentos é difícil se importar com o bem comum.

 

O ingresso em universidades não é a única ocasião para discussões sobre mérito. Na política contemporânea, há uma abundância de debates acerca de quem merece o quê. Na superfície, esses debates são sobre o que é justo – todo mundo tem oportunidades verdadeiramente iguais para competir por bens desejáveis e posições sociais? No entanto, nossas discordâncias a propósito do mérito não são apenas em relação a ser justo mas também quanto a como definimos sucesso e fracasso, vencer e perder, e o comportamento que vencedores devem direcionar àqueles menos bem-sucedidos do que eles. Essas são questões bastante pesadas e que tentamos evitar, até o momento em que elas se lançam sobre nós. Precisamos perguntar se a solução para nossa política conflituosa é viver mais fielmente pelo princípio do mérito ou buscar um bem comum além da classificação e da luta.

 

* meritocracia: sistema de recompensa e/ou promoção fundamentado no mérito pessoal

 

(Michael J. Sandel. A tirania do mérito: o que aconteceu com o bem comum? Trad. Bhuvi Libanio. – 4a ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2021. Excerto adaptado)

Leia o texto, para responder à questão.     Para o autor, em uma sociedade meritocrática, a conquista do sucesso
  1. Aproduz nos vencedores a percepção enganosa de que tudo se deve ao esforço pessoal, que ignora as condicionantes determinantes para o resultado alcançado.
  2. Bratifica a importância da adoção de mecanismos de concorrência que permitam apenas às pessoas verdadeiramente empenhadas se projetarem socialmente.
  3. Cdemanda pouco empenho e recursos, o que iguala as condições de concorrência e contribui decisivamente para a diminuição da desigualdade social.
  4. Dpromove o bem comum, já que casos de superação despertam em outros indivíduos o desejo de também serem alçados a uma posição social privilegiada.
  5. Erepresenta a coroação do talento e do empenho para sobressair-se em uma disputa cujo resultado é definido pela competência individual dos participantes.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — produz nos vencedores a percepção enganosa de que tudo se deve ao esforço pessoal, que ignora as condicionantes determinantes para o resultado alcançado.

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