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Questão de Português — Denotação e Conotação — VUNESP 2026

PortuguêsDenotação e Conotação
Código
vu166285
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2026
Cargo
Ag Adm ( )

Acreditou-se por muito tempo que, deixando-se de lado a Revolução Industrial, a produção de bens de consumo nunca aumentou de forma tão rápida e robusta quanto por obra da invenção da agricultura. Graças à agricultura, pensava-se, os grupos humanos puderam tornar-se sedentários e assegurar uma provisão regular, conservando os grãos. Como dispunham de excedentes, as sociedades puderam dar-se ao luxo de manter indivíduos ou classes ‒ chefes, nobres, sacerdotes, artesãos ‒ que não participavam da produção de alimentos. No espaço de quatro ou cinco milênios, a impulsão dada pela agricultura e mantida por ela teria levado os homens de um modo de vida precário, ameaçado pela fome, a uma existência estável, primeiro em aldeias e finalmente em impérios.

 

Essas eram as visões que prevaleciam até recentemente. Hoje, essa reconstrução simples e grandiosa da história humana jaz em ruínas. Pesquisas entre os povos sem agricultura, voltadas para questões como tempo de trabalho, produtividade e valor nutricional dos alimentos, demonstram que a maior parte deles leva uma vida confortável. Meios geográficos que, por ignorância de seus recursos naturais, julgávamos miseráveis reservam para aqueles que ali vivem grande quantidade de espécies vegetais muito apropriadas para a alimentação. Descobriu-se, por exemplo, que os indígenas das regiões desérticas da Califórnia, onde hoje uma pequena população branca subsiste com dificuldade, consumiam uma grande variedade de plantas selvagens de alto valor nutritivo.

 

Calculou-se que, entre os povos que viviam da caça e da coleta de produtos selvagens, um homem supria as necessidades de quatro ou cinco pessoas, ou seja, tinha uma produtividade superior à de muitos camponeses europeus. Além disso, o tempo gasto com a procura de alimentos não excedia a média de três horas diárias, para uma produção alimentar bastante equilibrada e que ultrapassava 2 mil calorias por pessoa (média que inclui crianças e idosos).

 

(Claude Lévi-Strauss. Somos todos canibais, 2022. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder à questão:

   

Em “Hoje, essa reconstrução simples e grandiosa da história humana jaz em ruínas.” (2º parágrafo), a expressão destacada apresenta

  1. Asentido figurado e significa “foi abandonada”.
  2. Bsentido próprio e significa “foi adotada”.
  3. Csentido próprio e significa “foi enterrada”.
  4. Dsentido figurado e significa “foi reconhecida”.
  5. Esentido figurado e significa “foi comprovada”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — sentido figurado e significa “foi abandonada”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Sentido figurado de "jaz em ruínas"

Gabarito: letra A. A expressão "jaz em ruínas" está em sentido figurado (conotativo) e significa que a reconstrução da história humana "foi abandonada", ou seja, deixou de ser aceita. A pista decisiva está no próprio texto, que contrapõe as "visões que prevaleciam até recentemente" à constatação de que "essa reconstrução simples e grandiosa da história humana jaz em ruínas", seguida da explicação de que as pesquisas atuais "demonstram" o contrário do que se acreditava.

O comando pede que você identifique o sentido da expressão destacada — uma tarefa de semântica contextual: não basta saber o significado de dicionário de "jaz" (estar sepultado, permanecer), é preciso avaliar como a expressão funciona naquele trecho específico. A banca testa exatamente a diferença entre denotação (sentido literal, próprio) e conotação (sentido figurado, que depende do contexto).

No texto, o autor descreve uma mudança de paradigma: primeiro apresenta a crença antiga de que a agricultura teria sido a grande impulsão da história humana; em seguida, afirma que essa visão "jaz em ruínas". Uma "reconstrução" (ideia abstrata) não pode literalmente estar em ruínas como um prédio — o uso é metafórico. O sentido é que essa teoria foi desacreditada, superada, abandonada. Isso fica claro na sequência imediata:

"Essas eram as visões que prevaleciam até recentemente. Hoje, essa reconstrução simples e grandiosa da história humana jaz em ruínas. Pesquisas entre os povos sem agricultura... demonstram que a maior parte deles leva uma vida confortável."

A palavra "Hoje" marca a oposição temporal: o que antes prevalecia agora não se sustenta mais. As pesquisas "demonstram" o oposto da antiga crença, logo a reconstrução histórica foi abandonada como explicação válida.

A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o sentido proposto cabe no contexto e se a classificação (próprio/figurado) está correta. A expressão "jaz em ruínas" é claramente figurada — elimine B e C. Depois, verifique qual significado é compatível com a ideia de que a teoria foi superada: "abandonada" (A) é a única que expressa isso; "reconhecida" (D) e "comprovada" (E) dizem exatamente o oposto do que o texto afirma.

Sentido da expressão
  • 1Denotação (próprio)
    • Literal, dicionário
  • 2Conotação (figurado)
    • Depende do contexto
    • Metáfora
  • 3"Jaz em ruínas"
    • Não é literal (ideia não vira ruína)
    • Figurado: foi abandonada
    • Contexto: oposição temporal
      • Antes: prevalecia
      • Hoje: superada
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta porque classifica a expressão como sentido figurado e atribui o significado de "foi abandonada". O texto sustenta isso ao mostrar que a antiga visão "prevalecia até recentemente", mas agora "jaz em ruínas" — ou seja, foi superada pelas novas pesquisas. A metáfora "jaz em ruínas" (como um edifício em ruínas) transmite a ideia de que a reconstrução histórica não é mais aceita, foi deixada de lado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro de classificação: a expressão "jaz em ruínas" não está em sentido próprio (denotativo). Uma "reconstrução" da história é uma ideia abstrata — não pode literalmente estar em ruínas. Além disso, o significado "foi adotada" contradiz o texto, que afirma que a visão antiga foi superada, não adotada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro de classificação e de sentido: "jaz" pode ter sentido próprio de "estar sepultado", mas aqui o uso é metafórico (a ideia de "reconstrução" não pode ser enterrada literalmente). Além disso, "foi enterrada" não é o sentido que o contexto exige — o texto fala em superação da teoria, não em sepultamento.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A classificação está correta (sentido figurado), mas o significado contradiz o texto: "foi reconhecida" é o oposto do que ocorre. O texto afirma que a reconstrução "jaz em ruínas" justamente porque as pesquisas desmentiram a visão antiga, não a reconheceram.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Mesmo erro da D: classificação correta (figurado), mas significado contradiz o texto. "Foi comprovada" inverteria o sentido — o texto diz que a reconstrução foi desacreditada pelas pesquisas, não comprovada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre classificação e significado. As alternativas D e E acertam o "sentido figurado" para atrair quem marca rápido, mas erram o significado — e o significado é o que o contexto decide. Sempre confira os DOIS elementos: a classificação (próprio/figurado) E o sentido no contexto.

PEGA ESSA DICA!

Ao ver "sentido figurado" ou "sentido próprio", pergunte: "a palavra pode ser entendida literalmente aqui?" Se não pode (como "reconstrução" em ruínas), é conotação. Depois, busque no texto a ideia que a expressão substitui — a resposta mora na oposição entre o que "prevalecia" e o que "jaz em ruínas".

Gabarito: letra A — a única que acerta a classificação (figurado) e o significado contextual (abandonada), ambos ancorados na passagem que contrapõe a antiga visão às novas pesquisas.

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