Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166289
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2026
Cargo
Ag FiscP ( )
Cuidar de quem cuida


    Responder a uma pergunta várias vezes, lidar com uma crise de agressividade e insistir para que o ente querido se alimente ou tome banho. Esses são alguns dos desafios enfrentados por brasileiros que assumem a tarefa de cuidar de um familiar idoso com demência. Na sua maioria, são mulheres, mas há também homens, filhos e filhas ou netos e netas, que se dedicam àqueles que precisam de ajuda, compreensão e afeto.

    Não raro, o peso dessa rotina implica angústia, estresse e depressão, com o adoecimento de toda a família. Para atenuar esse sofrimento, o Ministério da Saúde traz a boa notícia de que está desenvolvendo um protocolo de terapia em parceria com o Hospital Alemão Oswaldo Cruz, de São Paulo. Batizado de Estratégias para Cuidadores em Demência (Escada), o projeto-piloto é uma adaptação do protocolo britânico Start. Ou seja, foi testado e aprovado.

    O Hospital Oswaldo Cruz treina agentes comunitários que replicam o protocolo junto dos cuidadores, que passam por oito sessões, com suporte psicológico, nas quais aprendem técnicas de manejo do estresse. O projeto está em andamento em Vitória (ES), Manaus (AM), Chapecó (SC), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Guarapuava (PR) e Benevides (PA).

    Os cuidadores são estimulados a refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde; a reconhecer os padrões de comportamento do idoso e o seu próprio comportamento para evitar gatilhos e reações negativas ou impulsivas; a fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família; a evitar a solidão; a resgatar pequenos prazeres; e a planejar o futuro. Não menos importante, há técnicas de relaxamento, com exercícios de respiração, meditação e alongamento.

    O autocuidado, enfim, entrou na agenda do Sistema Único de Saúde (SUS). Já não era sem tempo, haja vista que, segundo o Relatório Nacional sobre a Demência: Epidemiologia, (Re)Conhecimento e Projeções Futuras, divulgado pelo Ministério da Saúde em setembro do ano passado, 8,5% da população com 60 anos ou mais convive com a demência. São nada menos do que 1,8 milhão de brasileiros idosos nessa condição. Para piorar, projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.

    Tais números mostram que o projeto Escada é mais do que bem-vindo. Com o avanço da expectativa de vida do brasileiro, essa é uma política pública necessária. Oxalá seu teste seja um sucesso e, em breve, essa iniciativa seja replicada por todo o SUS, em todo o país. Só assim serão garantidas saúde mental e qualidade de vida àqueles que cuidam dos seus e precisam cuidar de si mesmos.


(Editorial, Disponível em: https://www.estadao.com.br/opiniao, 02.11.2025. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão:     De acordo com o editorial, o projeto-piloto Escada tem como finalidade
  1. Aestabelecer um protocolo para os cuidadores de idosos, de tal forma que essas pessoas se dediquem ao próprio cuidado, evitando danos à saúde física e mental decorrentes da rotina vivenciada.
  2. Brevisar os protocolos de cuidados com as pessoas idosas com demência, porque o número de idosos é alto atualmente e projetam-se 5,7 milhões de pessoas com demência na terceira idade até 2050.
  3. Coferecer às famílias que têm um idoso com demência serviços de atendimento especializado, tanto para o doente quanto aos demais familiares, evitando sobrecarga à saúde física e emocional das pessoas.
  4. Dafastar os cuidadores de suas atribuições profissionais para que possam especializar-se nos cuidados aos idosos com demência, participando de oito sessões contínuas, com atendimento psicológico.
  5. Ealiar as atribuições de cuidados da família com idoso com demência às dos cuidadores, para que não haja, para nenhuma das partes, sobrecarga de tarefas, evitando-se, assim, angústia, estresse e depressão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — estabelecer um protocolo para os cuidadores de idosos, de tal forma que essas pessoas se dediquem ao próprio cuidado, evitando danos à saúde física e mental decorrentes da rotina vivenciada.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A finalidade do projeto Escada no editorial

Gabarito: letra A. O editorial define a finalidade do projeto-piloto Escada como um protocolo para que os cuidadores de idosos com demência se dediquem ao próprio cuidado, evitando danos à saúde física e mental decorrentes da rotina. Essa leitura se ancora diretamente no trecho em que o texto afirma que os cuidadores são estimulados a "refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde" e a "resgatar pequenos prazeres", além de mencionar "técnicas de relaxamento". A alternativa A é a única que sintetiza com fidelidade esse objetivo central.

O comando da questão pede que se identifique a finalidade do projeto, ou seja, o propósito, a intenção que o move. Isso é diferente de pedir uma informação explícita qualquer: exige que o candidato compreenda o movimento argumentativo do texto, que parte do problema (a sobrecarga dos cuidadores) e apresenta o projeto como solução voltada ao bem-estar dessas pessoas. Não se trata de inferir algo oculto, mas de sintetizar o que o texto declara sobre os objetivos do Escada.

O texto é um editorial, um gênero dissertativo-argumentativo em que o autor defende uma tese: a de que o autocuidado dos cuidadores de idosos com demência é uma política pública necessária. O projeto Escada é apresentado como a materialização dessa tese. Para resolver a questão, é preciso localizar os parágrafos que descrevem o projeto (2º, 3º e 4º) e identificar o foco das ações: todas elas são direcionadas ao cuidador, não ao idoso doente nem à família como um todo. O 4º parágrafo é decisivo, pois enumera os objetivos do protocolo, todos centrados no cuidador.

A armadilha central da banca é a extrapolação com dados verdadeiros. As alternativas B, C, D e E misturam informações que realmente aparecem no texto (o número de idosos, as oito sessões, a sobrecarga da família) com acréscimos que o editorial não afirma. A técnica para desarmar essa pegadinha é testar cada alternativa perguntando: "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?". A alternativa correta é a única que permanece inteiramente dentro do que o texto diz, sem adicionar nenhum elemento novo.

PEGA ESSA DICA!

Ao responder questões sobre "finalidade" ou "objetivo", grife no texto os verbos que indicam propósito ("para", "a fim de", "estimulados a"). Eles apontam diretamente para a resposta. No 4º parágrafo, a lista de ações "a refletir", "a reconhecer", "a fortalecer", "a evitar", "a resgatar", "a planejar" é o coração da finalidade do projeto.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A afirma que o projeto visa "estabelecer um protocolo para os cuidadores de idosos, de tal forma que essas pessoas se dediquem ao próprio cuidado, evitando danos à saúde física e mental decorrentes da rotina vivenciada". Isso é uma paráfrase fiel do texto. O 2º parágrafo diz que o projeto foi criado "para atenuar esse sofrimento" dos cuidadores, e o 4º parágrafo detalha como: os cuidadores são estimulados a "refletir sobre o que é a demência e como a sobrecarga do cuidado pode impactar a sua saúde", a "evitar a solidão", a "resgatar pequenos prazeres" e a "planejar o futuro", além de aprenderem "técnicas de relaxamento". O foco é o autocuidado do cuidador, exatamente o que a alternativa descreve. Não há nenhum elemento estranho ao texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B afirma que o projeto visa "revisar os protocolos de cuidados com as pessoas idosas com demência". O texto não diz isso em nenhum momento. O projeto Escada é uma adaptação do protocolo britânico Start, mas a finalidade não é "revisar protocolos", e sim criar um novo protocolo de apoio aos cuidadores. Além disso, a alternativa justifica essa finalidade com os números de idosos com demência (8,5% da população com 60 anos ou mais e a projeção de 5,7 milhões até 2050). Esses dados aparecem no 5º parágrafo, mas como justificativa da necessidade do projeto, não como sua finalidade. A alternativa contradiz o texto ao trocar o objeto do projeto (cuidadores) pelo objeto dos cuidados (idosos) e extrapola ao inventar a finalidade de "revisar protocolos".

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o projeto oferece "serviços de atendimento especializado, tanto para o doente quanto aos demais familiares". O texto é claro ao delimitar o público-alvo: o projeto é direcionado aos cuidadores. O 3º parágrafo diz que "agentes comunitários replicam o protocolo junto dos cuidadores", e o 4º parágrafo descreve ações voltadas exclusivamente a eles. Não há menção a atendimento ao idoso doente nem à família como um todo. A alternativa extrapola ao ampliar o escopo do projeto para além do que o texto afirma. O texto menciona que a rotina de cuidados pode adoecer "toda a família", mas isso é a descrição do problema, não a finalidade do projeto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D afirma que o projeto visa "afastar os cuidadores de suas atribuições profissionais". O texto não menciona, em nenhum trecho, que os cuidadores tenham "atribuições profissionais" nem que o projeto os afaste delas. Essa é uma extrapolação clara: o texto fala de cuidadores familiares ("filhos e filhas ou netos e netas"), não de cuidadores profissionais. Além disso, a alternativa menciona as "oito sessões contínuas, com atendimento psicológico", o que é verdadeiro (o 3º parágrafo fala em "oito sessões, com suporte psicológico"), mas essa informação é usada para sustentar uma finalidade que o texto não declara. A alternativa tangencia o texto ao usar um dado real para construir uma afirmação falsa.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que o projeto visa "aliar as atribuições de cuidados da família com idoso com demência às dos cuidadores". O texto não fala em "aliar atribuições" nem em dividir tarefas entre família e cuidadores. O 4º parágrafo menciona que os cuidadores são estimulados a "fortalecer a comunicação com a pessoa com demência e com outros membros da família", mas isso é uma técnica de manejo, não uma finalidade de "aliança de atribuições". A alternativa extrapola ao inventar um objetivo que não está no texto. Além disso, a alternativa afirma que o projeto evita "angústia, estresse e depressão", o que é verdadeiro (o 2º parágrafo diz que o projeto visa "atenuar esse sofrimento"), mas essa informação é usada para sustentar uma finalidade distorcida.

Conclusão: a questão testa a capacidade de sintetizar a finalidade de um projeto descrito no texto. A alternativa A é a única que permanece fiel ao texto, sem acrescentar, restringir ou contradizer informações. As demais cometem o erro clássico de extrapolar a partir de dados verdadeiros, mas que não sustentam a finalidade apresentada. Ao resolver questões assim, pergunte sempre: "o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora?". A resposta correta é a que o texto sustenta por completo.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/vu166289