Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166310
Banca
VUNESP
Órgão
CM Mogi Cruzes
Ano
2026
Cargo
Ana RH ( )
Um retorno necessário na estrada da vida

        A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é o retorno necessário para que rumos possam ser alterados na estrada da vida de milhões de jovens, adultos e idosos brasileiros. Os dados divulgados por órgãos oficiais revelam o tamanho do desafio que ainda enfrentamos em relação à não escolarização dessa população no Brasil. O conjunto compreendido pelas 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que são analfabetas e os 70 milhões de jovens, adultos e idosos trabalhadores com 18 anos ou mais que não concluíram a educação básica conforma a demanda potencial pela EJA.

        É um contingente desafiador que representa quase sete vezes a população total hoje de Portugal, país do qual fomos colônia por mais de três séculos e de quem herdamos, entre outras mazelas, um descaso pela garantia do acesso à escola para todas as pessoas. O analfabetismo e a baixa escolaridade da população jovem, adulta e idosa ainda marcam a história deste país, que, tendo proclamado a República em 1889, não tornou ainda republicana a garantia de direitos fundamentais, como o acesso à educação às pessoas pobres, pretas e periféricas.

        Entre as 122.469 escolas que ofertam educação básica, apenas 30.188 (24,6%) ofertam a modalidade EJA. A reduzida disponibilidade é justificada por gestores pela ausência de demanda, supostamente evidenciada pela queda do número de matrículas. As matrículas dessa modalidade no Ensino Fundamental caíram de 2,1 milhões em 2018 para 1,6 milhão em 2023, enquanto a EJA no Ensino Médio caiu de 1,4 milhão para 1 milhão no mesmo período. Essas matrículas são, em grande parte, de pessoas pretas e pardas (74%), e, especialmente na EJA no Ensino Fundamental, há número considerável de matrículas na zona rural (36%).

        Em sua imensa maioria, os 70 milhões de brasileiros sem educação básica são trabalhadores estudantes que precisam da EJA e, por características muito próprias a essa condição, não podem frequentar tempos e espaços educacionais, nem mesmo estar submetidos a propostas pedagógicas projetadas, exclusivamente, para a realidade de crianças e adolescentes. Insistir na imposição de um modelo de escola e de currículo que não dialoga com a realidade das pessoas é também parte das razões para a redução das matrículas nessa modalidade.

(Maria Margarida Machado, “Um retorno necessário na estrada da vida”, Le Monde Diplomatique Brasil. Disponível em: https://diplomatique.org.br/ eja-um-retorno-necessario-na-estrada-da-vida/. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão     Ao fazer referência à história brasileira, a autora
  1. Areconhece que a herança colonial e escravocrata deixou marcas profundas na estrutura educacional brasileira, o que explica o baixo percentual de pessoas pretas e pardas entre os matriculados na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
  2. Bsugere que o atraso educacional brasileiro decorre da falta de recursos financeiros advindos de um passado de exploração econômica do qual o país não se recuperou, mesmo com a Proclamação da República.
  3. Cevidencia uma contradição histórica: embora o Brasil tenha adotado formalmente o regime republicano, não concretizou o ideal de igualdade de direitos, especialmente na educação pública.
  4. Dafirma que a educação é tratada, desde o período colonial, como mero indicador de modernização administrativa do Estado, o qual não se compromete verdadeiramente com a diminuição do analfabetismo.
  5. Edemonstra que o país, mesmo tendo se libertado da colonização, perpetuou práticas elitistas que impedem o acesso da maioria da população à educação.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — evidencia uma contradição histórica: embora o Brasil tenha adotado formalmente o regime republicano, não concretizou o ideal de igualdade de direitos, especialmente na educação pública.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A contradição republicana na educação brasileira

Gabarito: letra C. A autora evidencia uma contradição histórica ao afirmar que o Brasil, "tendo proclamado a República em 1889, não tornou ainda republicana a garantia de direitos fundamentais, como o acesso à educação às pessoas pobres, pretas e periféricas". A alternativa C é a única que capta exatamente essa oposição entre a forma (regime republicano) e o conteúdo (desigualdade no acesso à educação).

O comando pede que você identifique o que a autora faz "ao fazer referência à história brasileira". Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita no texto, não exige inferência. A banca quer que você localize a passagem em que a autora analisa a história do Brasil e a parafraseie com fidelidade.

O texto, em seu segundo parágrafo, traça um movimento argumentativo claro: primeiro, menciona a herança colonial portuguesa ("país do qual fomos colônia por mais de três séculos e de quem herdamos, entre outras mazelas, um descaso pela garantia do acesso à escola"); depois, aponta a permanência desse problema mesmo após a Proclamação da República. É exatamente nesse segundo momento que mora a resposta.

"O analfabetismo e a baixa escolaridade da população jovem, adulta e idosa ainda marcam a história deste país, que, tendo proclamado a República em 1889, não tornou ainda republicana a garantia de direitos fundamentais, como o acesso à educação às pessoas pobres, pretas e periféricas."

A passagem estabelece uma contradição: o Brasil adotou formalmente o regime republicano (que, em tese, prega igualdade de direitos), mas não garantiu na prática o acesso à educação para todos. A alternativa C parafraseia exatamente isso: "embora o Brasil tenha adotado formalmente o regime republicano, não concretizou o ideal de igualdade de direitos, especialmente na educação pública".

A técnica para resolver: grife no texto as palavras que indicam oposição ou contraste — aqui, o "mas" implícito entre "proclamou a República" e "não tornou republicana a garantia de direitos". A banca adora transformar essa oposição em uma alternativa que a capture com precisão.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a autora "reconhece que a herança colonial e escravocrata deixou marcas profundas na estrutura educacional brasileira". O texto menciona a herança colonial ("de quem herdamos, entre outras mazelas, um descaso pela garantia do acesso à escola"), mas não fala em herança escravocrata nem diz que isso "explica o baixo percentual de pessoas pretas e pardas entre os matriculados na EJA". Na verdade, o texto diz o oposto: as matrículas da EJA são "em grande parte, de pessoas pretas e pardas (74%)". A alternativa inverte o dado e acrescenta uma causa que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa sugere que o atraso educacional decorre da "falta de recursos financeiros advindos de um passado de exploração econômica". O texto não menciona recursos financeiros nem exploração econômica como causa. Ele fala em "descaso pela garantia do acesso à escola" e em "não tornar republicana a garantia de direitos fundamentais". A alternativa inventa uma causa econômica que não está no texto.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase fiel. A alternativa reproduz a contradição central do segundo parágrafo: o Brasil "tendo proclamado a República em 1889, não tornou ainda republicana a garantia de direitos fundamentais, como o acesso à educação". A expressão "embora... não concretizou" capta a oposição entre a forma (república) e o conteúdo (desigualdade). É a única que não acrescenta nem suprime informação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa afirma que a educação é tratada "desde o período colonial, como mero indicador de modernização administrativa do Estado". O texto não diz isso — não há menção a "indicador de modernização administrativa" nem a uma suposta instrumentalização da educação pelo Estado. A alternativa inventa uma tese que não está no texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. A alternativa diz que o país "perpetuou práticas elitistas que impedem o acesso da maioria da população à educação". O texto fala em "descaso" e em "não garantir direitos", mas não usa a palavra "elitista" nem afirma que há "práticas elitistas" deliberadas. A alternativa acrescenta um juízo de valor que o autor não externou.

NÃO CAIA NESSA!

A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros do mundo real (como a herança escravocrata ou a falta de recursos) que não estão no texto. A resposta certa é sempre a que fica estritamente dentro do que o autor escreveu.

PEGA ESSA DICA!

Ao ler o comando "ao fazer referência à história brasileira", sublinhe no texto o trecho que trata da história (2º parágrafo) e procure a alternativa que o parafraseie sem acrescentar nada. Desconfie de palavras como "escravocrata", "elitista" ou "recursos financeiros" — se não estão no texto, a alternativa está errada.

Conclusão: a questão testa sua capacidade de compreender (localizar informação explícita) e parafrasear com fidelidade. A alternativa C é a única que reproduz a contradição entre a forma republicana e a desigualdade real, sem extrapolar. Gabarito: letra C.

Link permanente: /questoes/vu166310