A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é o retorno
necessário para que rumos possam ser alterados na estrada
da vida de milhões de jovens, adultos e idosos brasileiros.
Os dados divulgados por órgãos oficiais revelam o tamanho
do desafio que ainda enfrentamos em relação à não escolarização dessa população no Brasil. O conjunto compreendido pelas 9,3 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que
são analfabetas e os 70 milhões de jovens, adultos e idosos
trabalhadores com 18 anos ou mais que não concluíram a
educação básica conforma a demanda potencial pela EJA.
É um contingente desafiador que representa quase sete
vezes a população total hoje de Portugal, país do qual fomos
colônia por mais de três séculos e de quem herdamos, entre
outras mazelas, um descaso pela garantia do acesso à escola para todas as pessoas. O analfabetismo e a baixa escolaridade da população jovem, adulta e idosa ainda marcam a
história deste país, que, tendo proclamado a República em
1889, não tornou ainda republicana a garantia de direitos fundamentais, como o acesso à educação às pessoas pobres,
pretas e periféricas.
Entre as 122.469 escolas que ofertam educação básica,
apenas 30.188 (24,6%) ofertam a modalidade EJA. A reduzida disponibilidade é justificada por gestores pela ausência de demanda, supostamente evidenciada pela queda do
número de matrículas. As matrículas dessa modalidade no
Ensino Fundamental caíram de 2,1 milhões em 2018 para
1,6 milhão em 2023, enquanto a EJA no Ensino Médio caiu
de 1,4 milhão para 1 milhão no mesmo período. Essas matrículas são, em grande parte, de pessoas pretas e pardas
(74%), e, especialmente na EJA no Ensino Fundamental, há
número considerável de matrículas na zona rural (36%).
Em sua imensa maioria, os 70 milhões de brasileiros sem
educação básica são trabalhadores estudantes que precisam
da EJA e, por características muito próprias a essa condição, não podem frequentar tempos e espaços educacionais,
nem mesmo estar submetidos a propostas pedagógicas projetadas, exclusivamente, para a realidade de crianças e adolescentes. Insistir na imposição de um modelo de escola e
de currículo que não dialoga com a realidade das pessoas
é também parte das razões para a redução das matrículas
nessa modalidade.
(Maria Margarida Machado, “Um retorno necessário na estrada da vida”,
Le Monde Diplomatique Brasil. Disponível em: https://diplomatique.org.br/
eja-um-retorno-necessario-na-estrada-da-vida/. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão
Considere as frases a seguir:
• “… Portugal, país do qual fomos colônia por mais de três séculos…” (2o parágrafo)
• “A reduzida disponibilidade é justificada por gestores pela ausência de demanda…” (3o parágrafo)
• “… trabalhadores estudantes que precisam da EJA e, por características muito próprias a essa condição…” (4o parágrafo)
É correto afirmar que as palavras destacadas expressam, respectivamente, sentido de
Aduração, causa e meio.
Bcausa, agente e meio.
Cmeio, causa e causa.
Dduração, agente e causa.
Emeio, meio e agente.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — duração, agente e causa.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valor semântico das preposições: o polissêmico "por"
Gabarito: letra D. As palavras destacadas expressam, respectivamente, duração, agente e causa. Isso se prova pela análise do contexto de cada ocorrência: em "fomos colônia por mais de três séculos", o "por" indica tempo de duração; em "justificada por gestores", o "por" introduz o agente da passiva; em "por características muito próprias a essa condição", o "por" expressa causa. A alternativa D é a única que combina corretamente esses três valores.
O comando: o que a banca pede
A questão pede que você identifique o sentido que a preposição "por" assume em cada frase. Não se trata de decorar uma lista de sentidos, mas de analisar o contexto — a preposição, sozinha, é "vazia" de sentido; é o contexto que a preenche. A banca explora a polissemia do "por", que pode indicar causa, meio, agente, duração, lugar, entre outros. O verbo da questão é "expressam", ou seja, você deve reconhecer o valor semântico de cada ocorrência.
O texto: onde mora a resposta
O texto-base é um artigo sobre a EJA (Educação de Jovens e Adultos). As três frases destacadas estão em parágrafos diferentes, mas a análise é puramente linguística: você não precisa entender o tema para resolver, apenas o contexto imediato de cada preposição. Vejamos cada uma:
"fomos colônia por mais de três séculos" — o "por" introduz uma extensão de tempo. A ideia é: durante mais de três séculos, fomos colônia. Isso é duração.
"justificada por gestores" — o verbo "justificar" está na voz passiva analítica ("é justificada"). O "por" introduz o agente da passiva, ou seja, quem pratica a ação de justificar: os gestores. Isso é agente.
"por características muito próprias a essa condição" — o "por" aqui indica o motivo, a razão pela qual os trabalhadores estudantes não podem frequentar tempos e espaços educacionais. A frase poderia ser reescrita como "devido a características muito próprias". Isso é causa.
A técnica: como identificar o valor semântico da preposição
A dica é substituir a preposição por uma locução equivalente e ver se o sentido se mantém:
Duração: "por" pode ser substituído por "durante" (ex.: "por mais de três séculos" = "durante mais de três séculos").
Agente da passiva: "por" introduz o agente em voz passiva (ex.: "justificada por gestores" = "justificada pelos gestores"). Não há locução equivalente, mas você pode transformar a frase em voz ativa: "gestores justificam".
Causa: "por" pode ser substituído por "devido a", "em razão de", "por causa de" (ex.: "por características" = "devido a características").
PEGA ESSA DICA!
Ao se deparar com uma preposição, pergunte: "qual a relação entre o termo anterior e o posterior?" Se for tempo, é duração; se for quem pratica a ação, é agente; se for motivo, é causa.
Análise das alternativas
Valor semântico de "por": Duração (Substitui por "durante", Ex.: "por mais de três séculos"); Agente da passiva (Só em voz passiva, Ex.: "justificada por gestores"); Causa (Substitui por "devido a", Ex.: "por características próprias")
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa A diz "duração, causa e meio". O primeiro valor está correto (duração), mas o segundo está errado: "por gestores" não é causa, é agente da passiva. O terceiro também está errado: "por características" não é meio, é causa. A alternativa erra ao trocar agente por causa e causa por meio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B diz "causa, agente e meio". O primeiro valor está errado: "por mais de três séculos" não é causa, é duração. O segundo está correto (agente), mas o terceiro está errado: "por características" não é meio, é causa. A alternativa erra ao trocar duração por causa e causa por meio.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C diz "meio, causa e causa". O primeiro valor está errado: "por mais de três séculos" não é meio, é duração. O segundo está errado: "por gestores" não é causa, é agente da passiva. O terceiro está correto (causa). A alternativa erra ao trocar duração por meio e agente por causa.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa D diz "duração, agente e causa". Os três valores estão corretos, como demonstrado acima. É a única alternativa que combina corretamente os sentidos.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E diz "meio, meio e agente". O primeiro valor está errado: "por mais de três séculos" não é meio, é duração. O segundo está errado: "por gestores" não é meio, é agente da passiva. O terceiro está errado: "por características" não é agente, é causa. A alternativa erra em todos os valores.
Conclusão
A questão testa sua capacidade de analisar o contexto para identificar o valor semântico da preposição "por". A pegadinha está em confundir os sentidos, especialmente entre causa e meio, e entre agente e causa. Lembre-se: agente da passiva só ocorre em voz passiva; causa pode ser substituída por "devido a"; duração por "durante".