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Questão de Português — Conjunção — VUNESP 2026

PortuguêsConjunção
Código
vu166328
Banca
VUNESP
Órgão
CM Mogi Cruzes
Ano
2026
Cargo
Ass Ceri ( )
A tempestade da desigualdade climática

        Em todo o mundo, há cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivendo em condições de “pobreza multidimensional aguda” – aquela que define a pobreza não só pela falta de renda, mas por um conjunto de privações, como saúde, educação, habitação, saneamento básico, energia elétrica, água potável e acesso à informação. Desse número gigantesco, quase 900 milhões de pessoas, ou cerca de 80%, estão diretamente expostas a riscos climáticos, por viverem em regiões mais suscetíveis ao impacto, por exemplo, do calor extremo, inundações, seca ou poluição do ar. Esse cruzamento entre índices de pobreza e risco climático, feito de maneira inédita, é um dos méritos de um relatório divulgado pela ONU e pela Iniciativa Pobreza e Desenvolvimento Humano de Oxford, da Universidade de Oxford.

        Intitulado “Índice de Pobreza Multidimensional Global de 2025 – Dificuldades sobrepostas: pobreza e riscos climáticos”, o documento não só reafirma o quanto a pobreza está longe de ser um problema socioeconômico isolado, como reforça o que a ciência vem alertando, isto é, sua conexão direta com instabilidades planetárias. Afinal, efeitos climáticos extremos são parte da rotina dos mais vulneráveis e integram o conjunto de alertas de especialistas para tentar tornar mais ambiciosos os compromissos em negociação durante a COP-30, em Belém.

        A constatação reforça uma verdade incômoda: o aquecimento global é também um problema de desigualdade. A pobreza e o clima formam um círculo perverso, pois a escassez de recursos obriga milhões a depender de atividades frágeis, como a agricultura de subsistência e o trabalho informal, justamente as mais afetadas por eventos extremos. Quando secas e enchentes se alternam com frequência, tanto comprometem o sustento quanto destroem o pouco que resta. O relatório mostra a África Subsaariana e o sul da Ásia como regiões especialmente críticas. Mas o Brasil também faz parte desse retrato. Enchentes no Rio Grande do Sul, deslizamentos em Petrópolis e no litoral paulista, estiagens no Nordeste e queimadas na Amazônia revelam um mesmo padrão: são os mais pobres que mais perdem.

(https://www.estadao.com.br/opiniao, 30.10.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão

   

Considere a passagem do 1° parágrafo:

 

… aquela que define a pobreza não só pela falta de renda, mas por um conjunto de privações, como saúde, educação, habitação, saneamento básico, energia elétrica, água potável e acesso à informação. Desse número gigantesco, quase 900 milhões de pessoas, ou cerca de 80%, estão diretamente expostas a riscos climáticos, por viverem em regiões mais suscetíveis ao impacto, por exemplo, do calor extremo, inundações, seca ou poluição do ar.

 

As expressões destacadas “não só … mas”, “como” e “por” estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de

  1. Aadição; comparação; causa.
  2. Boposição; comparação; adição.
  3. Ccomparação; adição; consequência.
  4. Doposição; exemplificação; conclusão.
  5. Eadição; exemplificação; causa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — adição; exemplificação; causa.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Relações de sentido: "não só… mas", "como" e "por"

Gabarito: letra E. As expressões estabelecem, respectivamente, relações de adição ("não só… mas"), exemplificação ("como") e causa ("por"). A passagem do 1º parágrafo comprova: a pobreza é definida "não só pela falta de renda, mas por um conjunto de privações" (soma de elementos); "como saúde, educação, habitação…" (enumeração de exemplos); e as pessoas estão expostas a riscos "por viverem em regiões mais suscetíveis" (motivo).

O comando pede que você identifique o valor semântico de três conectivos em um trecho específico. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não basta decorar a classe da palavra, é preciso observar o efeito de sentido que ela produz naquele contexto. A banca VUNESP adora esse tipo de cobrança, pois testa se você entende a função real do conectivo, e não apenas se o reconhece.

No trecho, temos três expressões com funções distintas:

  1. "não só… mas" — trata-se de uma correlação aditiva. A estrutura "não só X, mas (também) Y" soma dois elementos: a pobreza não é definida apenas pela falta de renda, e também por outras privações. O "mas" aqui não tem valor de oposição (como em "estudei, mas não passei"); ele funciona como um reforço aditivo, equivalente a "e também".

  2. "como" — introduz uma exemplificação. Após citar "um conjunto de privações", o autor lista exemplos concretos: "saúde, educação, habitação…". O "como" poderia ser substituído por "tais como" ou "por exemplo", sem alteração de sentido.

  3. "por" — é uma preposição causal. A oração "por viverem em regiões mais suscetíveis" indica o motivo pelo qual as pessoas estão expostas a riscos climáticos. Equivale a "porque vivem" ou "já que vivem".

A técnica para resolver: substitua o conectivo por outro de mesmo valor e veja se o sentido se mantém. Se "não só… mas" virar "e também", é adição. Se "como" virar "por exemplo", é exemplificação. Se "por" virar "porque", é causa. Essa é a prova dos nove.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o "mas" aditivo (correlação "não só… mas") e o "mas" adversativo. Em "não só… mas", o "mas" soma, não opõe. Quem não percebe isso cai na letra B ou D.

  1. 1não só… mas → adição
  2. 2como → exemplificação
  3. 3por → causa
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "como" como comparação. No trecho, "como" não compara dois termos; ele exemplifica as privações. A comparação exigiria uma estrutura do tipo "tão… quanto" ou "assim como".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "não só… mas" como oposição. A correlação "não só… mas" é aditiva: soma elementos. O "mas" só teria valor adversativo se estivesse sozinho, opondo duas ideias (ex.: "pobre, mas feliz"). Aqui, ele integra uma estrutura correlativa de adição.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "não só… mas" como comparação e "como" como adição. Inverte os valores: "não só… mas" adiciona, e "como" exemplifica. A ordem correta é adição; exemplificação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erra ao classificar "não só… mas" como oposição e "por" como conclusão. O "por" não conclui; ele causa. A oração "por viverem em regiões mais suscetíveis" explica o motivo da exposição, não uma conclusão tirada dela.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Classifica corretamente as três expressões: adição ("não só… mas"), exemplificação ("como") e causa ("por"). A sequência bate exatamente com o valor semântico de cada conectivo no trecho.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de conectivo, substitua a expressão por outra de mesmo valor. Se "não só… mas" virar "e também", é adição; se "como" virar "por exemplo", é exemplificação; se "por" virar "porque", é causa. Essa substituição é a prova definitiva.

Gabarito: letra E — a única que acerta a tríade adição, exemplificação e causa.

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