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Questão de Português — Significação de Vocábulo e Expressões — VUNESP 2026

PortuguêsSignificação de Vocábulo e Expressões
Código
vu166335
Banca
VUNESP
Órgão
Pref SJRP
Ano
2026
Cargo
Ag CS ( )

Ontem, presenciei uma cena que me pareceu, salvo engano, uma pequena, incisiva e inefável lição de vida. Eis o episódio: – estava eu na esquina de Carioca com Uruguaiana. Fecha o sinal. Os homens estacam para o surdo escoamento dos veículos. E, súbito, uma voz gaiata anuncia: – “Olha o rapa!”. O que houve, a seguir, foi um desses espasmos coletivos, que só o Tolstoi de Guerra e Paz ousaria descrever.

 

Vi a histeria dos outros e a minha própria. Todos se arremessaram: – senhoras honestíssimas, mestres do direito, psiquiatras, intelectuais, viúvas, mata-mosquitos. O medo é um grande e eficaz nivelador. Sob o estímulo da pusilanimidade, tubarões e pés-rapados largam a mesma baba, elástica e bovina. O pior de tudo foi o seguinte: – era rebate falso. Não havia rapa nenhum. Imediatamente as caras começaram a resplandecer, já lavadas do medo, numa cínica, numa deslavada euforia. O último a recuperar um pouco de harmonia interior foi um psicanalista célebre. Cobra tão caro, o homem, que o cliente tem que ser, no mínimo, um estabelecimento bancário para suportar-lhe os preços. E tinha náuseas de pavor homérico.

 

(Nelson Rodrigues, “Rigoletto de lança-perfume”. Em: À sombra das chuteiras imortais: crônicas de futebol. Adaptado)

 

Inefável: indescritível; encantadora

Pusilanimidade: medo, covardia

Deslavada: descarada

Leia o trecho a seguir, da crônica de Nelson Rodrigues, para responder à questão:     O autor afirma que o anúncio “Olha o rapa!” foi feito por uma voz “gaiata”. O emprego desse adjetivo justifica-se pelo fato de o anúncio
  1. Aassustar quem estava parado no sinal.
  2. Binterromper as atividades de alguns profissionais.
  3. Cser falso, uma peça pregada por alguém.
  4. Dprovocar histeria em todos, inclusive no autor.
  5. Efazer algumas pessoas se jogarem no chão.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — ser falso, uma peça pregada por alguém.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

O adjetivo "gaiata" e o anúncio falso

Gabarito: letra C. O adjetivo "gaiata" justifica-se porque o anúncio "Olha o rapa!" era falso, uma peça pregada por alguém — como se lê no texto: "O pior de tudo foi o seguinte: – era rebate falso. Não havia rapa nenhum." A palavra "gaiata" carrega o sentido de brincadeira, travessura, algo feito para enganar de forma jocosa, o que só se confirma quando descobrimos que não havia perigo real.

O comando pede uma compreensão ("O autor afirma... justifica-se pelo fato de"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está no texto, sem deduções externas. A questão testa se você percebe a relação de sentido entre o adjetivo "gaiata" e o desfecho do episódio: a voz que anuncia o perigo é chamada de "gaiata" justamente porque o alarme era falso — uma brincadeira de mau gosto, uma peça.

O texto narra um episódio em que todos entram em pânico com o anúncio "Olha o rapa!", mas logo se descobre que não havia nada:

"O pior de tudo foi o seguinte: – era rebate falso. Não havia rapa nenhum."

É essa informação que autoriza a alternativa C. O adjetivo "gaiata" (que o próprio texto define como "indescritível; encantadora", mas no contexto ganha o sentido de brincalhona, zombeteira) só faz sentido porque o anúncio foi uma farsa. Se o perigo fosse real, a voz não seria "gaiata", seria "alarmada" ou "aterrorizada".

A técnica central aqui é: não confundir o efeito do anúncio com a razão do adjetivo. As alternativas A, D e E descrevem consequências do anúncio (assustar, provocar histeria, fazer pessoas se jogarem), mas o adjetivo "gaiata" qualifica a intenção de quem anunciou, não o resultado. A alternativa B fala de interromper atividades, o que o texto nem menciona diretamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece alternativas que descrevem os efeitos do anúncio (A, D, E) para tentar você a esquecer que o adjetivo "gaiata" se refere à causa — o fato de ser falso. A pergunta é "por que a voz é gaiata?", não "o que o anúncio causou?".

Alternativa A — ❌ Incorreta

"assustar quem estava parado no sinal."

O texto mostra que o anúncio assustou as pessoas ("Vi a histeria dos outros e a minha própria"), mas isso é uma consequência, não a justificativa do adjetivo "gaiata". Uma voz que assusta pode ser "alarmante", "aterrorizante", não necessariamente "gaiata". A alternativa tangencia o tema: descreve um efeito real, mas não responde à pergunta sobre o sentido do adjetivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"interromper as atividades de alguns profissionais."

O texto menciona "mestres do direito, psiquiatras, intelectuais" que se arremessam, mas não diz que o anúncio interrompeu atividades profissionais — eles estavam na rua, parados no sinal. A alternativa extrapola: acrescenta uma informação que não está no texto (que estavam trabalhando e foram interrompidos). Além disso, não explica o adjetivo "gaiata".

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"ser falso, uma peça pregada por alguém."

O texto afirma explicitamente: "era rebate falso. Não havia rapa nenhum." O adjetivo "gaiata" (brincalhona, zombeteira) qualifica a voz que anuncia um perigo inexistente — uma peça, uma brincadeira de mau gosto. A alternativa é uma paráfrase fiel do trecho que explica o sentido do adjetivo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"provocar histeria em todos, inclusive no autor."

O texto confirma a histeria ("Vi a histeria dos outros e a minha própria"), mas, como em A, isso é o efeito do anúncio, não a razão de a voz ser "gaiata". A alternativa tangencia o tema: descreve uma consequência real, mas não responde à pergunta sobre o adjetivo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"fazer algumas pessoas se jogarem no chão."

O texto diz que "Todos se arremessaram", mas não menciona ninguém se jogando no chão — "arremessar-se" aqui significa sair correndo em pânico, não se atirar ao solo. A alternativa contradiz o texto ao trocar o sentido de "arremessar-se" por uma ação específica que não está descrita. Além disso, não explica o adjetivo "gaiata".

Conclusão: a questão testa a relação entre o adjetivo e o contexto. "Gaiata" só se justifica porque o anúncio era falso — uma peça. As demais alternativas descrevem efeitos do anúncio, mas não a razão do adjetivo. Ao responder, pergunte sempre: "o texto autoriza esta explicação, ou ela descreve outra coisa?".

Gabarito: letra C.

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