Questão de Português — Colocação Pronominal — VUNESP 2026
Português›Colocação Pronominal
Código
vu166372
Banca
VUNESP
Órgão
CM Matão
Ano
2026
Cargo
Cont Leg ( )
Leia a tira a seguir para responder a questão
MateMática (Charles M. Schulz, Minduim. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/quadrinhos)
Assinale a alternativa em que a fala “Eu te alimento bem e você tem uma boa casa.” está reescrita conforme a norma-padrão de emprego e colocação de pronomes.
AEu sempre alimentei-lhe bem além de ter dado-lhe uma boa casa.
BEu sempre lhe alimentei bem além de o ter dado uma boa casa.
CEu sempre o alimentei bem além de ter lhe dado uma boa casa.
DEu sempre alimentei-o bem além de ter dado-lo uma boa casa.
EEu sempre alimentei-o bem além de tê-lo dado uma boa casa.
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GabaritoC — Eu sempre o alimentei bem além de ter lhe dado uma boa casa.
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Reescrita com colocação pronominal: a norma-padrão na prática
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que respeita simultaneicamente a regência verbal (o pronome o como objeto direto de "alimentar" e de "dar") e a colocação pronominal em locução verbal com infinitivo: "Eu sempre o alimentei bem além de ter lhe dado uma boa casa". A pista decisiva está na regra de colocação: com o advérbio "sempre" (palavra atrativa), o pronome deve ficar antes do verbo auxiliar na primeira oração; na segunda, com o verbo "ter" no infinitivo, o pronome pode ficar após o auxiliar (ênclise ao auxiliar) ou após o infinitivo (ênclise ao infinitivo), e a forma "ter lhe dado" é aceita pela norma-padrão.
O comando: o que a banca pede
A questão pede a reescrita da fala "Eu te alimento bem e você tem uma boa casa." conforme a norma-padrão de emprego e colocação de pronomes. Isso significa que devemos avaliar duas coisas em cada alternativa: (1) se o pronome usado é o adequado à função sintática (objeto direto ou indireto) e (2) se a posição do pronome em relação ao verbo obedece às regras de próclise, ênclise e mesóclise. Não se trata de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada — o texto-base (a tira) serve apenas de contexto; a resposta está na correção gramatical.
O texto e o que importa para a questão
A fala original usa o pronome "te" (2ª pessoa) como objeto direto de "alimento" e o possessivo "sua" (referente a "você"). Na reescrita, a banca troca a 2ª pessoa pela 3ª pessoa ("o", "lhe"), o que exige atenção à regência de cada verbo:
Alimentar é verbo transitivo direto: exige objeto direto ("alimentar alguém"). O pronome adequado é o (e flexões), nunca "lhe".
Dar é verbo transitivo direto e indireto: "dar algo a alguém". O objeto direto é a coisa dada ("uma boa casa"), e o indireto é a pessoa ("lhe"). Na reescrita, "lhe" é o pronome correto para o beneficiário.
Além da regência, a colocação pronominal é o segundo filtro. A regra fundamental: palavras atrativas (advérbios, conjunções subordinativas, pronomes relativos, negativas, indefinidas, interrogativas) puxam o pronome para antes do verbo (próclise). O advérbio "sempre" é uma dessas palavras atrativas.
A técnica que decide: regência + colocação
Vamos aplicar a regra ao caso concreto:
Primeira oração: "Eu sempre o alimentei bem". O advérbio "sempre" atrai o pronome para antes do verbo "alimentei" → próclise obrigatória. Além disso, "alimentar" pede objeto direto, então o pronome é o (não "lhe").
Segunda oração: "além de ter lhe dado uma boa casa". Aqui temos uma locução verbal com o verbo auxiliar "ter" no infinitivo. A norma-padrão permite duas posições para o pronome:
Ênclise ao auxiliar: "ter lhe dado" (como na alternativa C);
Ênclise ao infinitivo: "ter dado-lhe".
Ambas são aceitas. A forma "ter lhe dado" é correta porque, com verbo no infinitivo, mesmo havendo palavra atrativa (a preposição "de" antes de "ter"), a ênclise é facultativa.
A alternativa C combina as duas exigências: próclise na primeira oração (por causa de "sempre") e ênclise ao auxiliar na segunda (facultativa no infinitivo).
Análise das alternativas
Colocação pronominal
1Próclise (antes do verbo)
Palavras atrativas
Advérbios ("sempre")
Negação
Conjunção subordinativa
Pronome relativo/indefinido
2Ênclise (após o verbo)
Verbo no infinitivo (facultativa)
"ter lhe dado"
"ter dado-lhe"
3Regência verbal
Alimentar (VTD) → pronome "o"
Dar (VTDI) → "lhe" (objeto indireto)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: troca de pronome (regência). "Eu sempre alimentei-lhe bem" usa o pronome "lhe" como objeto direto de "alimentar", o que é inaceitável — "lhe" só pode ser objeto indireto. O correto seria "alimentei-o". Além disso, "ter dado-lhe" está com ênclise ao infinitivo, o que seria aceitável, mas o erro de regência já invalida a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: troca de pronome (regência). "Eu sempre lhe alimentei" repete o mesmo erro da A: "lhe" como objeto direto de "alimentar". O correto é "o alimentei". A segunda parte "de o ter dado" também está errada: a forma correta seria "de ter lhe dado" ou "de lhe ter dado" — o pronome "o" não pode ser usado como objeto indireto de "dar" (quem dá, dá algo a alguém; o "alguém" é "lhe").
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Correta por completo. "Eu sempre o alimentei" — próclise correta (advérbio "sempre" atrai) e pronome "o" como objeto direto. "além de ter lhe dado uma boa casa" — ênclise ao auxiliar no infinitivo, aceita pela norma-padrão, e "lhe" como objeto indireto de "dar". Nenhum erro de regência ou colocação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: colocação pronominal (ênclise proibida). "Eu sempre alimentei-o" está errado porque o advérbio "sempre" exige próclise ("sempre o alimentei"). A ênclise após verbo no pretérito perfeito, com palavra atrativa antes, é vedada. Além disso, "ter dado-lo" é forma incorreta: com o verbo "dar" no infinitivo, o pronome "o" não pode ser usado como objeto indireto — o correto seria "lhe".
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: colocação pronominal (ênclise proibida). "Eu sempre alimentei-o" repete o erro da D: a próclise é obrigatória por causa de "sempre". A segunda parte "tê-lo dado" está correta quanto à forma (ênclise ao infinitivo com "tê-lo"), mas o pronome "o" está errado para o objeto indireto de "dar" — deveria ser "lhe".
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura dois erros clássicos: trocar "o" por "lhe" (regência) e ignorar a próclise obrigatória após advérbio. A alternativa E é a mais sedutora porque "tê-lo dado" parece correto, mas esconde o erro de regência.
PEGA ESSA DICA!
Antes de analisar a colocação, identifique a regência de cada verbo — pergunte "alimentar o quê?" (objeto direto) e "dar o quê a quem?" (direto + indireto). Só depois verifique se há palavra atrativa (advérbio, negação, conjunção) exigindo próclise.
Conclusão: a alternativa C é a única que acerta tanto a regência ("o" para objeto direto, "lhe" para indireto) quanto a colocação (próclise após "sempre", ênclise facultativa no infinitivo). As demais ou trocam o pronome ou violam a próclise obrigatória.