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Questão de Português — Crase — VUNESP 2026

PortuguêsCrase
Código
vu166427
Banca
VUNESP
Órgão
Pref Osasco
Ano
2026
Cargo
Med ( )

A base invisível da transformação digital

 

À primeira vista, o futuro parece estar na nuvem. Mas é sob o solo, nos cabos, antenas e satélites, que o presente digital realmente acontece.

 

Plataformas digitais, redes sociais, serviços de streaming, e-commerces, aplicativos bancários, telemedicina, inteligência artificial. O que tudo isso tem em comum? Nenhum desses serviços funcionaria sem a presença de uma infraestrutura robusta, confiável e bem regulada de telecomunicações.

 

É essa infraestrutura que constitui a camada base do sistema digital brasileiro. E é justamente sobre essa base que se assentam todas as demais camadas da transformação digital. Essa camada é invisível para a maioria dos cidadãos. Mas sua importância não pode ser subestimada. A performance das aplicações digitais — sua velocidade, estabilidade e segurança — está diretamente relacionada à qualidade técnica da rede que as suporta. Se a conexão falha, toda a experiência digital é comprometida.

 

O Brasil tem dado passos relevantes. A massificação da fibra óptica fez com que milhões de famílias chegassem ao ensino remoto durante a pandemia. O leilão do 5G abriu espaço para novas aplicações em logística, telemedicina e agricultura de precisão.

 

À medida que o país consolida seu marco legal e institucional para o século 21, é fundamental reconhecer o papel estratégico da infraestrutura crítica do setor de telecomunicações. Não apenas como um ativo econômico, mas como guardiã da base física e lógica que viabiliza todos os serviços digitais que movem a economia e a sociedade.

 

A transformação digital é irreversível — mas ela precisa de alicerces. Esses alicerces são invisíveis à maior parte da sociedade, mas indispensáveis para o avanço da jornada digital e para o futuro do país. O Brasil tem uma oportunidade histórica: transformar sua economia digital em instrumento de desenvolvimento inclusivo, competitivo e soberano. Ignorar essa base seria comprometer não apenas a inovação, mas o próprio destino nacional na era digital.

 

Mais do que um desafio técnico, trata-se de uma escolha política e civilizatória: se queremos ser apenas consumidores de tecnologia ou protagonistas da economia digital. A relevância desse setor não pode ser ofuscada pelo encantamento e pela popularização das plataformas digitais. É justamente a infraestrutura — a base e a fundação invisível — que sustenta todo o ecossistema digital. Sem ela, as aplicações mais modernas e inovadoras não conseguem ficar de pé.

 

(Edson Holanda, 29.09.2025. Disponível em: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder a questão:     O uso do acento indicativo da crase está de acordo com a norma-padrão em:
  1. AA massificação da fibra óptica deu condições à milhões de famílias para que chegassem ao ensino remoto.
  2. BO leilão do 5G abriu espaço à novas aplicações em logística, telemedicina e agricultura de precisão.
  3. CPoderá acontecer um comprometimento a toda a experiência digital, caso a conexão venha à falhar.
  4. DEmbora a infraestrutura seja uma camada invisível à quase todos os cidadãos, ela não pode ser subestimada.
  5. EGraças à infraestrutura robusta, confiável e bem regulada de telecomunicações que os serviços funcionam.
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GabaritoE — Graças à infraestrutura robusta, confiável e bem regulada de telecomunicações que os serviços funcionam.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: a fusão da preposição com o artigo — e a pegadinha da regência

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única em que o acento grave é obrigatório, pois há a fusão da preposição "a" (exigida pela locução "graças a") com o artigo feminino "a" que antecede "infraestrutura". Nas demais, ou falta a preposição (o verbo não pede "a"), ou há um pronome indefinido que impede o artigo — e sem artigo não há crase. A regra que decide é simples: crase = preposição "a" + artigo "a"; se um dos dois faltar, o acento grave não pode ser usado.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a frase em que o acento indicativo de crase está de acordo com a norma-padrão. Isso não é uma questão de interpretação de texto — é uma questão de gramática normativa aplicada a frases construídas a partir do texto. O comando "está de acordo com a norma-padrão" significa: a crase foi empregada corretamente, ou seja, há a fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a" (ou com o "a" inicial de pronomes demonstrativos). Você não precisa inferir nada; precisa testar cada frase com a regra.

A técnica que resolve: o teste dos dois "as"

Para saber se há crase, faça o teste clássico: troque a palavra feminina por uma masculina. Se na troca aparecer "ao", há crase; se aparecer apenas "o" ou "a" sem acento, não há. Exemplo: "graças à infraestrutura" → "graças ao sistema" (aparece "ao", logo há crase). Esse teste funciona porque a crase é exatamente a fusão da preposição "a" com o artigo "a" — e, no masculino, essa fusão vira "ao".

Outro teste: substitua a expressão por "para a". Se fizer sentido, há crase. Exemplo: "graças à infraestrutura" → "graças para a infraestrutura" (faz sentido, logo há crase). Já em "deu condições a milhões", a troca por "para milhões" não exige artigo, então não há crase.

A pegadinha da banca: confundir crase com regência

A banca não testa apenas se você sabe a regra da crase; ela testa se você sabe quando o verbo ou o nome exige a preposição "a". Em A, B e D, o verbo ou o nome não exige a preposição "a", então não há crase — mesmo que a palavra seguinte seja feminina. Em C, há um verbo no infinitivo, e crase antes de verbo é proibida. A única em que a preposição é genuinamente exigida é E, com a locução "graças a".

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar a crase, pergunte: "o verbo/nome pede a preposição 'a'?" Se não pedir, não há crase, mesmo diante de palavra feminina. Esse é o erro mais comum em provas.

Análise das alternativas

Critério

A

B

C

D

E

Verbo/nome exige preposição "a"?

Sim (dar a)

Não

Não

Sim (invisível a)

Sim (graças a)

Há artigo feminino "a" após a preposição?

Não (milhões é masculino)

Não (sem artigo)

Não (verbo no infinitivo)

Não (pronome indefinido)

Sim (infraestrutura)

Crase correta?

Alternativa A — ❌ Incorreta

"A massificação da fibra óptica deu condições à milhões de famílias"

O verbo dar é transitivo direto e indireto: "dar algo a alguém". O complemento "condições" é objeto direto; "a milhões de famílias" é objeto indireto. A preposição "a" é exigida, mas "milhões" é palavra masculina (ou numeral substantivado masculino). Não há artigo feminino "a" antes de "milhões", portanto não há crase. O correto seria "deu condições a milhões de famílias". Erro: crase diante de palavra masculina.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"O leilão do 5G abriu espaço à novas aplicações"

O verbo abrir é transitivo direto: "abrir algo". O complemento "espaço" é objeto direto; "a novas aplicações" é adjunto adverbial ou complemento relativo, mas não há preposição "a" exigida pelo verbo — "abrir espaço a" não é regência do verbo abrir. Além disso, "novas aplicações" está no plural, e o artigo "as" seria necessário para a crase, mas o sentido é genérico, sem artigo. O correto seria "abriu espaço para novas aplicações" ou "abriu espaço a novas aplicações" (sem crase, pois não há artigo). Erro: ausência de preposição + artigo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"caso a conexão venha à falhar"

Aqui, "a" antes de verbo no infinitivo "falhar" é preposição, não artigo. Crase antes de verbo é proibida. O correto seria "venha a falhar" (sem acento). Erro: crase diante de verbo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"uma camada invisível à quase todos os cidadãos"

O adjetivo "invisível" exige a preposição "a" (invisível a algo), mas "quase" é um advérbio que modifica "todos", e "todos" é pronome indefinido masculino plural. Não há artigo feminino "a" antes de "quase todos". O correto seria "invisível a quase todos os cidadãos". Erro: crase diante de pronome indefinido.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Graças à infraestrutura robusta, confiável e bem regulada de telecomunicações que os serviços funcionam."

A locução "graças a" exige a preposição "a". O substantivo "infraestrutura" é feminino e admite o artigo "a". Há, portanto, a fusão: preposição "a" + artigo "a" = à. O teste do masculino confirma: "graças ao sistema" — aparece "ao", logo há crase. É a única alternativa em que a crase é obrigatória e correta.

Conclusão: a banca testa a crase como fenômeno de regência + artigo. A alternativa E é a única em que a preposição é exigida e o artigo está presente. Nas demais, ou falta a preposição, ou há palavra masculina/verbo/pronome indefinido que impede a crase. Gabarito: letra E.

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