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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu166441
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2026
Cargo
2º Ten ( )

Alucinações musicais

 

Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e se torna, por assim dizer,D) patológica, como quando determinado fragmento de uma música se repete incessantemente por dias a fio e às vezes nos irrita. Essas repetições, em geral uma frase ou tema breve e bem definido de três ou quatro compassos, tendem a continuar por horas ou dias, circulando na mente, antes de desaparecer pouco a pouco. Essa repetição interminável e o fato de que a música em questão pode ser banal ou sem graça, não nos agradar ou até mesmo ser abominável, indica um processo coercivo: a música entrou e subverteu uma parte do cérebro, forçando-o a disparar de maneira repetitiva e autônoma (como pode ocorrer com um tique ou uma convulsão). Vem daí o termo em inglês earworms (algo como “vermes de ouvido”).

 

Obviamente, na própria música existem tendências inerentes à reiteração. Nossos poemas, baladas e canções são ricos em repetições. Cada obra de música clássica possui suas marcas para indicar as repetições ou variações sobre um tema, e os nossos maiores compositores são mestres da repetição; as rimas infantis e as cantigas que ensinamos às crianças pequenas têm coros e refrões. Somos atraídos pela repetição, mesmo quando adultos; queremos o estímulo e a recompensa várias vezes, e a música nos dá.

 

Embora sem dúvida existam earworms desde que nossos antepassados pela primeira vez tocaram notas em flautas de osso ou tamborilaram em troncos caídos, é significativo que o termo só tenha entrado para o uso comum em décadas recentes. Quando Mark Twain escrevia sobre o assunto nos anos 1870, havia bastante música para se ouvir, mas ela não era onipresente. Para ouvir música instrumental, quem não possuía piano ou outro instrumento em casa tinha de ir à igreja ou a um concerto.A) Tudo isso mudou radicalmente com o advento das gravações, das transmissões radiofônicas e dos filmes. De repente, a música passou a estar por toda parte, e a magnitude dessa disponibilidade multiplicou-se muitas vezes nas duas últimas décadas. Hoje estamos cercados por um incessante bombardeio musical, queiramos ou não.C)

 

Metade de nós vive plugada em iPods, 24 horas imersa em concertos com repertório da própria escolha, praticamente alheia ao ambiente. E para quem não está plugado há a música incessante, inevitável e muitas vezes ensurdecedora nos restaurantes, bares, lojas e academias. Essa barragem musical gera certa tensãoE) em nosso sistema auditivo primorosamente sensível, o qual não pode ser sobrecarregado sem temíveis consequências. Uma delas é a grave perda de audição encontrada em parcelas cada vez maiores da população, mesmo entre os jovens e particularmente entre os músicos. Outra são as irritantes músicas que não saem da cabeça, que chegam sem ser chamadasB) e só vão embora quando bem entendem. Podem não passar de anúncios de creme dental, mas neurologicamente são irresistíveis.

 

(Oliver Sacks, Alucinações musicais: relatos sobre a música e o cérebro. Adaptado)

Leia o texto a seguir para responder a questão:     Assinale a alternativa em que o trecho foi reescrito em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.
  1. APara ouvir música instrumental, quem não possuía piano ou outro instrumento em casa recorria à concertos... (3º parágrafo)
  2. BOutra consequência diz respeito à músicas irritantes que não saem da cabeça, que chegam sem ser chamadas… (4º parágrafo)
  3. CHoje estamos incessantemente expostos à escutar música, queiramos ou não. (3º parágrafo)
  4. DÀs vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e conduz à patologia, por assim dizer… (1º parágrafo)
  5. EEssa barragem musical submete nosso sistema auditivo primorosamente sensível à uma certa tensão... (4º parágrafo)
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e conduz à patologia, por assim dizer… (1º parágrafo)

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crase: quando o acento é obrigatório e quando é proibido

Gabarito: letra D. A alternativa D é a única em que o acento indicativo de crase foi empregado corretamente, pois há a fusão da preposição a (exigida pelo verbo "conduzir") com o artigo definido a que antecede o substantivo feminino "patologia". Nas demais, o acento foi usado indevidamente antes de palavra masculina, de verbo no infinitivo ou de palavra no plural sem artigo definido — casos em que a crase é proibida.

O comando: o que a banca pede

A questão pede que você identifique a reescrita em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase. Isso significa que você deve testar cada alternativa verificando se o acento grave (à) foi usado apenas onde há, de fato, a contração da preposição a com o artigo a (ou com os pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo). A crase não é um enfeite: ela só existe quando há dois "as" que se fundem — um que pertence ao verbo/nome (preposição) e outro que acompanha a palavra seguinte (artigo).

A regra que decide a questão

A crase é a fusão de duas vogais idênticas: a preposição a + o artigo a. Para saber se o acento é obrigatório, use o teste clássico: substitua a palavra feminina por uma masculina equivalente. Se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas o, não há.

  • Antes de palavra masculina: crase é proibida (não há artigo feminino para fundir).

  • Antes de verbo no infinitivo: crase é proibida (verbo não admite artigo).

  • Antes de palavra no plural sem artigo definido: crase é proibida (sem artigo, não há fusão).

  • Antes de palavra feminina com artigo definido: crase é obrigatória (há fusão).

A pegadinha da banca está em oferecer reescritas que parecem corretas porque mantêm o sentido do texto, mas que violam a regra da crase. O comando não pede para avaliar o sentido, e sim a norma-padrão do acento grave.

Análise das alternativas

Crase: fusão a + a
  • 1Obrigatória
    • Palavra feminina com artigo definido
    • Teste do masculino: aparece "ao"
  • 2Proibida
    • Palavra masculina
    • Verbo no infinitivo
    • Plural sem artigo definido
    • Artigo indefinido ("uma")
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

"Para ouvir música instrumental, quem não possuía piano ou outro instrumento em casa recorria à concertos..."

O erro está em "à concertos": a palavra concertos é masculina e está no plural, sem artigo definido feminino. Não há fusão possível, portanto a crase é proibida. O correto seria "a concertos" (apenas preposição). A alternativa extrapola a regra ao aplicar o acento onde não há artigo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"Outra consequência diz respeito à músicas irritantes que não saem da cabeça..."

O erro está em "à músicas": a palavra músicas é feminina, mas está no plural sem artigo definido (não se diz "as músicas" no sentido genérico). Sem artigo, não há fusão, logo a crase é proibida. O correto seria "a músicas". A alternativa restringe indevidamente a regra ao ignorar a ausência do artigo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"Hoje estamos incessantemente expostos à escutar música, queiramos ou não."

O erro está em "à escutar": escutar é verbo no infinitivo, e verbo não admite artigo definido. Portanto, não há fusão, e a crase é proibida. O correto seria "a escutar" (apenas preposição). A alternativa contradiz a regra ao aplicar o acento antes de verbo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"Às vezes a imaginação musical normal transpõe um limite e conduz à patologia, por assim dizer..."

Aqui, "à patologia" está correto: o verbo conduzir exige a preposição a (conduzir a algo), e o substantivo patologia é feminino e admite o artigo a. Há fusão: a + a = à. O teste do masculino confirma: "conduz ao problema" (aparece ao). Esta é a única alternativa que respeita a norma-padrão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"Essa barragem musical submete nosso sistema auditivo primorosamente sensível à uma certa tensão..."

O erro está em "à uma": a palavra uma é artigo indefinido, e não se usa crase antes de artigo indefinido (a fusão ocorre apenas com artigo definido a). O correto seria "a uma" (apenas preposição). A alternativa generaliza indevidamente a regra ao aplicar o acento antes de artigo indefinido.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a crase obrigatória (antes de palavra feminina com artigo definido) e os casos proibidos (antes de masculino, verbo, plural sem artigo, artigo indefinido). A alternativa D é a única que apresenta a fusão legítima.

PEGA ESSA DICA!

Antes de marcar, faça o teste do masculino: substitua a palavra feminina por uma masculina. Se aparecer ao, há crase; se aparecer apenas o, não há. Isso elimina rapidamente as alternativas A, B, C e E.

Gabarito: letra D — a única reescrita em conformidade com a norma-padrão de emprego do acento indicativo de crase.

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