Dick Van Dyke, um lendário ator e comediante americano, completou 100 anos. O ator atribui a sua longevidade ao otimismo e ao fato de nunca ficar com raiva. Embora a longevidade dependa, é claro, de muitos fatores, como genética e estilo de vida, há evidências que dão respaldo à alegaçãode Van Dyke.
Por exemplo, no início dos anos 1930, pesquisadores pediram a 678 freiras iniciantes que escrevessem uma autobiografia ao ingressar em um convento. Seis décadas depois, os pesquisadores analisaram os textos e constataram que mulheres que expressaram mais emoções positivas no início da vida, em vez de ressentimento, viveram, em média, dez anos a mais do que aquelas cujos textos tendiam a ser mais negativos.
Um estudo do Reino Unido constatou que pessoas mais otimistas viveram entre 11% e 15% mais do que seus pares pessimistas. E, em 2022, um estudo que analisou cerca de 160 mil mulheres de diferentes origens étnicas constatou que aquelas que se diziam mais otimistas tinham maior probabilidade de chegar aos 90 anos do que as pessimistas.
Se você quer viver tanto quanto Dick Van Dyke, há coisas que podem ajudar a controlar os níveis de estresse e de raiva. Ao contrário do que se acredita, tentar “extravasar” a raiva, socando um saco, gritando em um travesseiro ou correndo até a sensação passar, não ajuda de fato. Essas ações mantêm o organismo em estado de alerta elevado, o que afeta o sistema cardiovascular e pode prolongar a resposta ao estresse.
Leia o texto a seguir para responder à questão. No trecho do 4º parágrafo – Ao contrário do que se acredita, tentar “extravasar” a raiva... –, as aspas foram empregadas para indicar
Auma ironia sobre a raiva.
Buma opinião do autor.
Cum termo incomum.
Dum discurso de outrem.
Eum sentido específico do termo.
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GabaritoE — um sentido específico do termo.
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Uso das aspas: sentido específico do termo
Gabarito: letra E. As aspas em “extravasar” foram empregadas para indicar um sentido específico do termo — o autor as usa para marcar que a palavra está sendo empregada em uma acepção particular, distinta do uso comum, e não em seu sentido literal de “derramar, fazer transbordar”. A prova está no próprio 4º parágrafo, quando o autor explica o que entende por “extravasar” a raiva: “socando um saco, gritando em um travesseiro ou correndo até a sensação passar”.
O comando
A questão pergunta por que as aspas foram usadas — ou seja, qual a função do sinal naquele contexto específico. Não se trata de compreensão global do texto, mas de análise do efeito de sentido de um recurso gráfico. Para resolver, é preciso saber as funções clássicas das aspas (citação, ironia, estrangeirismo, termo incomum, sentido especial) e testar cada uma no trecho.
O texto
O 4º parágrafo discute como controlar estresse e raiva. O autor afirma que “tentar ‘extravasar’ a raiva, socando um saco, gritando em um travesseiro ou correndo até a sensação passar, não ajuda de fato”. A palavra “extravasar” está entre aspas porque o autor a usa não no sentido literal (fazer um líquido transbordar), mas no sentido figurado e específico de “liberar a raiva de forma física”. As aspas sinalizam: “estou usando esta palavra com um sentido particular, que explico a seguir”.
A técnica
As aspas têm múltiplas funções. As principais são:
Citar palavras de outrem (discurso direto).
Marcar ironia (dizer o contrário do que se quer significar).
Destacar estrangeirismos ou neologismos.
Indicar que o termo é usado em sentido especial, figurado ou incomum.
No trecho, não há citação de outra pessoa (o autor não atribui a frase a ninguém), não há ironia (o autor não quer dizer o oposto de “extravasar”), e a palavra não é estrangeira. O que há é o uso de “extravasar” em uma acepção específica — a de “liberar a raiva” —, que o autor logo explica. É exatamente essa a função: sinalizar que o termo está sendo empregado com um sentido particular, não o literal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre “sentido específico” e “ironia”. A ironia exigiria que o autor dissesse o contrário do que pensa — mas ele usa “extravasar” exatamente no sentido que explica. A alternativa A é a mais sedutora, mas não há nenhuma pista de tom irônico no trecho.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Ironia é dizer o oposto do que se quer significar, com tom de zombaria ou crítica. No trecho, o autor usa “extravasar” no sentido que ele mesmo define (liberar a raiva fisicamente). Não há inversão de sentido nem tom irônico. A alternativa extrapola ao atribuir uma intenção que o texto não autoriza.
Alternativa B — ❌ Incorreta
As aspas não marcam opinião do autor. Opinião é um juízo de valor expresso por palavras como “é lamentável”, “certamente”, “deveria”. Aqui, o autor apenas usa um termo em sentido específico. A alternativa confunde a função das aspas com a expressão de ponto de vista.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Extravasar” não é um termo incomum — é uma palavra comum da língua, com sentido literal conhecido (fazer transbordar). O que ocorre é o uso em sentido figurado/específico, não o desconhecimento do termo. A alternativa troca o conceito: o que é especial é o sentido, não a palavra em si.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Não há discurso de outrem no trecho. O autor não cita fala ou pensamento de outra pessoa. As aspas não introduzem citação direta. A alternativa tangencia o tema ao lembrar uma função das aspas que não se aplica ao caso.
Alternativa E — ✅ Correta
As aspas indicam que “extravasar” está sendo usado em sentido específico — o de liberar a raiva por meio de ações físicas —, e não no sentido literal de “fazer transbordar”. O autor explica esse sentido logo em seguida: “socando um saco, gritando em um travesseiro ou correndo até a sensação passar”. É a única alternativa inteiramente sustentada pelo texto.
PEGA ESSA DICA!
Ao encontrar aspas, pergunte: há citação? há ironia? há estrangeirismo? há sentido especial? Teste cada função no contexto. A que o texto autoriza é a correta.