Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166485
Banca
VUNESP
Órgão
FAPESP
Ano
2026
Cargo
Ana Admin ( )
Nova tecnologia, velhos riscos
O Brasil dá um passo importante ao incorporar o supercomputador Jaci ao sistema nacional de monitoramento meteorológico e climático. Instalado na unidade do Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe) de Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, o novo equipamento eleva em 24 vezes a
capacidade de processamento de dados em relação ao Tupã,
que será substituído após anos de serviço. Trata-se de um salto
tecnológico que posiciona o País entre os mais bem aparelhados do mundo para produzir previsões mais rápidas, detalhadas e confiáveis.
Com o Jaci em operação, prevista para o primeiro trimestre
de 2026, o País passará a operar plenamente o novo modelo
nacional de previsão climática e oceânica (Monan), capaz de
integrar cerca de 40 bilhões de informações – da umidade do
solo à velocidade dos ventos, da cobertura vegetal à formação de nuvens. Em termos práticos, isso significa expressivos
ganhos de produtividade em áreas estratégicas como agricultura, defesa civil, planejamento territorial e estudos de mudança do clima. Num país continental como o Brasil, marcado por
grande diversidade ambiental e crescente exposição a eventos
extremos, um equipamento como o Jaci é uma necessidade
básica.
O busílis é que, aqui, o progresso científico frequentemente
convive com políticas públicas frágeis, desarticuladas ou simplesmente inexistentes. Vale dizer, de pouco adiantará dispor
de previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e
municípios continuarem incapazes de agir com base nos achados científicos. Boletins e alertas, por si sós, não salvam vidas.
Os exemplos estão à vista de todos. Nos últimos anos,
ondas de calor mais intensas, chuvas torrenciais e outros
eventos climáticos extremos se sucedem com inquietante
regularidade. A tragédia que devastou o Rio Grande do Sul em
maio de 2024 e os tornados no Paraná e enchentes recorrentes em grandes cidades, sobretudo na região serrana do Rio
de Janeiro e no litoral de São Paulo, não podem ser tratados
como fatalidades naturais. Em grande medida, são desastres
anunciados, agravados por décadas de ocupação desordenada do solo, impermeabilização urbana, moradias em encostas,
desmatamento e ausência de planejamento.
A ciência pode indicar onde e quando o risco se materializa. Mas cabe ao poder público, nas três esferas da administração, decidir como esses dados serão usados para prevenir
danos, principalmente à integridade física dos cidadãos mais
diretamente afetados. Isso implica investir em uma defesa
civil estruturada, em planos diretores responsáveis, em habitação digna fora de áreas de risco, em infraestrutura de drenagem e em políticas ambientais modernas.
O Jaci é a materialização de um Brasil capaz de produzir
conhecimento de ponta. Falta assegurar que esse conhecimento não se perca no labirinto da inépcia administrativa e da
miopia política, não raro acometida pela chamada “síndrome
do céu azul”. Sem governança, coordenação e responsabilidade, a alta tecnologia corre o risco de servir apenas para prever, com precisão cada vez maior, as tragédias que o Estado
insiste em não evitar.
Leia o texto para responder à questão O editorial reconhece a relevância da incorporação do supercomputador Jaci ao sistema nacional de monitoramento meteorológico e climático, fazendo a ressalva de que
Ao avanço tecnológico deve contar com políticas públicas eficientes que permitam a prevenção de danos, salvaguardando a integridade física dos cidadãos.
Ba tecnologia, por mais precisa que seja, vive sob a possibilidade de falhar, uma vez que as condições climáticas são imprevisíveis e fogem do controle humano.
Ca população, de forma geral, ignora as vantagens do progresso científico, destruindo a natureza e alterando o clima, fatos que a tecnologia não pode coibir.
Da manutenção do Tupã provavelmente seria mais econômica para o país, cujos gastos com os eventos climáticos extremos já têm sido excessivamente elevados.
Eo investimento em tecnologia de ponta deixa de fazer sentido quando as fatalidades naturais e a ocupação desordenada põem em risco a vida de muitas pessoas.
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GabaritoA — o avanço tecnológico deve contar com políticas públicas eficientes que permitam a prevenção de danos, salvaguardando a integridade física dos cidadãos.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
A ressalva do editorial: tecnologia sem políticas públicas não basta
Gabarito: letra A. O editorial reconhece o valor do supercomputador Jaci, mas faz uma ressalva central: de nada adianta a precisão tecnológica se o poder público não agir com base nos dados para prevenir danos e proteger a integridade física dos cidadãos. Essa ideia está explícita no 3º e no 5º parágrafos, como se lê em: "de pouco adiantará dispor de previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e municípios continuarem incapazes de agir com base nos achados científicos" e "cabe ao poder público... decidir como esses dados serão usados para prevenir danos, principalmente à integridade física dos cidadãos mais diretamente afetados".
O comando pede compreensão ("O editorial reconhece... fazendo a ressalva de que"), ou seja, a resposta deve ser uma paráfrase fiel do que está escrito, sem deduções. A palavra-chave é "ressalva": o autor elogia a tecnologia, mas impõe uma condição — a necessidade de políticas públicas eficientes. Vamos ver como cada alternativa se comporta frente ao texto.
O texto é um editorial dissertativo-argumentativo. Nos dois primeiros parágrafos, o autor reconhece os avanços do Jaci (capacidade de processamento, modelo Monan, ganhos de produtividade). A partir do 3º parágrafo, introduz a ressalva com o conectivo "O busílis é que" — sinal claro de que virá a crítica. O autor argumenta que a ciência pode indicar riscos, mas cabe ao poder público agir. Essa estrutura é típica de editorial: tese (elogio) + ressalva (crítica) + proposta.
A técnica para resolver é simples: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta deve ser uma reescrita fiel, sem acrescentar nada. As erradas, em geral, extrapolam — trazem ideias que o texto não menciona, como a imprevisibilidade climática (B) ou a economia (D). Vamos analisar cada uma.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é uma paráfrase fiel da ressalva do editorial. O texto afirma que "de pouco adiantará dispor de previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e municípios continuarem incapazes de agir com base nos achados científicos" e que "cabe ao poder público... decidir como esses dados serão usados para prevenir danos, principalmente à integridade física dos cidadãos mais diretamente afetados". A alternativa diz exatamente isso: o avanço tecnológico deve contar com políticas públicas eficientes para prevenir danos e salvaguardar a integridade física. Nada é acrescentado, nada é suprimido. É a única que se sustenta integralmente no texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B extrapola ao afirmar que a tecnologia "vive sob a possibilidade de falhar, uma vez que as condições climáticas são imprevisíveis e fogem do controle humano". O texto não menciona falhas tecnológicas nem imprevisibilidade climática. Pelo contrário, o autor elogia a precisão do Jaci ("previsões mais rápidas, detalhadas e confiáveis"). A ressalva do editorial não é sobre a tecnologia falhar, mas sobre a falta de ação do poder público. A banca tenta seduzir com uma ideia plausível no mundo real, mas ausente do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C extrapola e acrescenta opinião ao afirmar que "a população, de forma geral, ignora as vantagens do progresso científico, destruindo a natureza e alterando o clima". O texto não diz que a população ignora o progresso científico. Ele menciona que os desastres são "agravados por décadas de ocupação desordenada do solo, impermeabilização urbana, moradias em encostas, desmatamento e ausência de planejamento" — mas isso é atribuído a políticas públicas frágeis, não à população em geral. A alternativa generaliza e culpa a população, o que o texto não faz.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D extrapola ao afirmar que "a manutenção do Tupã provavelmente seria mais econômica para o país". O texto não faz nenhuma comparação de custos entre o Tupã e o Jaci. Ele apenas diz que o Tupã "será substituído após anos de serviço" e que o Jaci "eleva em 24 vezes a capacidade de processamento". A ideia de economia é uma invenção da banca, que tenta explorar o senso comum de que tecnologia nova é cara. O texto não aborda esse aspecto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E contradiz o texto ao afirmar que "o investimento em tecnologia de ponta deixa de fazer sentido quando as fatalidades naturais e a ocupação desordenada põem em risco a vida de muitas pessoas". O texto não diz que o investimento deixa de fazer sentido. Pelo contrário, o autor reconhece o Jaci como "um salto tecnológico que posiciona o País entre os mais bem aparelhados do mundo" e como "uma necessidade básica". A ressalva não é contra a tecnologia, mas contra a falta de políticas públicas que a acompanhem. A alternativa inverte a posição do autor.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora extrapolar com fatos verdadeiros que o texto não traz. Aqui, a alternativa B (imprevisibilidade climática) e a D (economia) são exemplos clássicos: parecem plausíveis, mas não estão no texto. A correta é sempre a que parafraseia o que está escrito, sem acrescentar nada.
PEGA ESSA DICA!
Grife o comando: "fazendo a ressalva de que" pede a crítica do autor, não o elogio. A ressalva está sempre depois de um conectivo de oposição ("mas", "porém", "O busílis é que"). Localize esse trecho e compare com as alternativas.
Gabarito: letra A. A única alternativa que se sustenta integralmente no texto é a A, que parafraseia a ressalva do editorial: tecnologia sem políticas públicas eficientes não basta para prevenir danos e proteger a integridade física dos cidadãos.