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Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2026

PortuguêsRegência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu166488
Banca
VUNESP
Órgão
FAPESP
Ano
2026
Cargo
Ana Admin ( )
Nova tecnologia, velhos riscos

        O Brasil dá um passo importante ao incorporar o supercomputador Jaci ao sistema nacional de monitoramento meteorológico e climático. Instalado na unidade do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo, o novo equipamento eleva em 24 vezes a capacidade de processamento de dados em relação ao Tupã, que será substituído após anos de serviço. Trata-se de um salto tecnológico que posiciona o País entre os mais bem aparelhados do mundo para produzir previsões mais rápidas, detalhadas e confiáveis.

        Com o Jaci em operação, prevista para o primeiro trimestre de 2026, o País passará a operar plenamente o novo modelo nacional de previsão climática e oceânica (Monan), capaz de integrar cerca de 40 bilhões de informações – da umidade do solo à velocidade dos ventos, da cobertura vegetal à formação de nuvens. Em termos práticos, isso significa expressivos ganhos de produtividade em áreas estratégicas como agricultura, defesa civil, planejamento territorial e estudos de mudança do clima. Num país continental como o Brasil, marcado por grande diversidade ambiental e crescente exposição a eventos extremos, um equipamento como o Jaci é uma necessidade básica.

        O busílis é que, aqui, o progresso científico frequentemente convive com políticas públicas frágeis, desarticuladas ou simplesmente inexistentes. Vale dizer, de pouco adiantará dispor de previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e municípios continuarem incapazes de agir com base nos achados científicos. Boletins e alertas, por si sós, não salvam vidas.

        Os exemplos estão à vista de todos. Nos últimos anos, ondas de calor mais intensas, chuvas torrenciais e outros eventos climáticos extremos se sucedem com inquietante regularidade. A tragédia que devastou o Rio Grande do Sul em maio de 2024 e os tornados no Paraná e enchentes recorrentes em grandes cidades, sobretudo na região serrana do Rio de Janeiro e no litoral de São Paulo, não podem ser tratados como fatalidades naturais. Em grande medida, são desastres anunciados, agravados por décadas de ocupação desordenada do solo, impermeabilização urbana, moradias em encostas, desmatamento e ausência de planejamento.

        A ciência pode indicar onde e quando o risco se materializa. Mas cabe ao poder público, nas três esferas da administração, decidir como esses dados serão usados para prevenir danos, principalmente à integridade física dos cidadãos mais diretamente afetados. Isso implica investir em uma defesa civil estruturada, em planos diretores responsáveis, em habitação digna fora de áreas de risco, em infraestrutura de drenagem e em políticas ambientais modernas.

        O Jaci é a materialização de um Brasil capaz de produzir conhecimento de ponta. Falta assegurar que esse conhecimento não se perca no labirinto da inépcia administrativa e da miopia política, não raro acometida pela chamada “síndrome do céu azul”. Sem governança, coordenação e responsabilidade, a alta tecnologia corre o risco de servir apenas para prever, com precisão cada vez maior, as tragédias que o Estado insiste em não evitar.

(Editorial. https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.01.2026. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão

   

A frase “Vale dizer, de pouco adiantará dispor de previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e municípios continuarem incapazes de agir com base nos achados científicos.” (3° parágrafo) mantém a conformidade com a norma-padrão de regência se as expressões destacadas forem substituídas, respectivamente, por:

  1. Avaler-se de; inabilitados sob.
  2. Bcontar com; inaptos para.
  3. Crecorrer de; incompetentes em.
  4. Dservir-se a; impedidos com.
  5. Efundamentar-se a; ineficientes a.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — contar com; inaptos para.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Regência verbal e nominal: substituindo expressões sem quebrar a norma-padrão

Gabarito: letra B. A substituição correta é "contar com" para "dispor de" e "inaptos para" para "incapazes de", pois ambas as expressões mantêm a regência e o sentido do trecho original. A frase reescrita fica: "Vale dizer, de pouco adiantará contar com previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e municípios continuarem inaptos para agir com base nos achados científicos." A alternativa B é a única em que as duas preposições estão corretas e o sentido é preservado.

O comando da questão

O enunciado pede que você substitua as expressões destacadas por outras que mantenham a conformidade com a norma-padrão de regência. Isso significa que você deve verificar se a nova expressão exige a mesma preposição (ou uma preposição adequada) e se o sentido permanece o mesmo. Não é uma questão de interpretação de texto, mas de gramática normativa aplicada ao trecho. O foco está em:

  • Regência verbal: qual preposição o verbo "dispor" exige? E o verbo "contar"? E "valer-se"?

  • Regência nominal: qual preposição o adjetivo "incapaz" exige? E "inapto"? E "incompetente"?

A regência no trecho original

No texto, temos:

"de pouco adiantará dispor de previsões climáticas cada vez mais precisas, se Estados e municípios continuarem incapazes de agir com base nos achados científicos."

  • Dispor de: o verbo "dispor", no sentido de "ter à disposição", é transitivo indireto e rege a preposição de. Ex.: "A empresa dispõe de recursos." (correto) / "A empresa dispõe recursos." (errado).

  • Incapazes de: o adjetivo "incapaz" exige a preposição de. Ex.: "Ele é incapaz de mentir." (correto) / "Ele é incapaz para mentir." (errado, embora "inapto para" seja correto).

Agora, vamos testar cada alternativa:

Alternativa A — ❌ Incorreta

"valer-se de; inabilitados sob" — A primeira expressão está correta: "valer-se de" também rege "de" e mantém o sentido de "usar, aproveitar". Porém, a segunda está errada: "inabilitados sob" não existe na norma-padrão. O adjetivo "inabilitado" rege a preposição para (inabilitado para algo), não "sob". Além disso, "sob" indica posição inferior, o que não faz sentido aqui. Erro: troca de preposição inadequada.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"contar com; inaptos para" — Ambas as expressões estão corretas:

  • Contar com: o verbo "contar" no sentido de "ter à disposição" rege a preposição com. Ex.: "Podemos contar com sua ajuda." (correto). Mantém o sentido de "dispor de".

  • Inaptos para: o adjetivo "inapto" rege a preposição para. Ex.: "Ele é inapto para o cargo." (correto). Mantém o sentido de "incapaz de".

A frase reescrita fica gramaticalmente correta e com o mesmo sentido. Esta é a resposta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"recorrer de; incompetentes em" — A primeira expressão está errada: "recorrer de" não é usada no sentido de "dispor de". O verbo "recorrer" rege "a" (recorrer a algo) ou "de" (recorrer de uma decisão, no sentido jurídico), mas não significa "ter à disposição". Além disso, "incompetentes em" é uma regência inadequada: o adjetivo "incompetente" rege "para" (incompetente para algo) ou "em" (incompetente em algo, mas com sentido diferente). Aqui, "incompetentes em agir" soa estranho e não preserva o sentido de "incapazes de". Erro: troca de verbo com sentido diferente e preposição inadequada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"servir-se a; impedidos com" — A primeira expressão "servir-se a" está incorreta: o verbo "servir-se" rege "de" (servir-se de algo, no sentido de usar). Ex.: "Serviu-se do talher." (correto). "Servir-se a" não é usado nesse sentido. A segunda, "impedidos com", também está errada: o adjetivo "impedido" rege "de" (impedido de fazer algo). Ex.: "Ele foi impedido de sair." (correto). "Impedidos com" não existe na norma-padrão. Erro: preposições incorretas.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"fundamentar-se a; ineficientes a" — A primeira expressão "fundamentar-se a" está errada: o verbo "fundamentar-se" rege "em" (fundamentar-se em algo). Ex.: "A teoria se fundamenta em dados." (correto). "Fundamentar-se a" não é usado. A segunda, "ineficientes a", também está errada: o adjetivo "ineficiente" rege "em" (ineficiente em algo) ou "para" (ineficiente para algo), mas não "a". Além disso, "ineficientes a agir" não faz sentido. Erro: preposições incorretas e sentido alterado.

Tabela comparativa das regências

Expressão original

Regência correta

Alternativa que mantém

dispor de

de

contar com (B)

incapazes de

de

inaptos para (B)

🎯 Pegadinha

A banca explora a troca de preposição que muda a regência e, às vezes, o sentido. Por exemplo, "recorrer de" (C) parece plausível, mas "recorrer" não significa "dispor". Fique atento ao sentido e à preposição exigida por cada verbo/adjetivo.

💡 Dica

Para resolver questões de regência, identifique a classe da palavra (verbo ou adjetivo) e pergunte: que preposição ela exige? Memorize as regências mais comuns: "dispor de", "contar com", "valer-se de", "incapaz de", "inapto para", "incompetente para". Treine com frases.

Gabarito: letra B.

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