Questão de Português — Vícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.) — VUNESP 2026
Português›Vícios de Linguagem (Pleonasmo, Ambiguidade, Cacofonia, etc.)
Código
vu166594
Banca
VUNESP
Órgão
USCS
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
(https://bichinhosdejardim.com)
Leia a tirinha da cartunista Clara Gomes para responder à questão O recurso estilístico que, principalmente, é utilizado na construção do humor da tirinha é
Aa ambiguidade.
Bo paradoxo.
Co pleonasmo.
Do eufemismo.
Ea metalinguagem.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — a ambiguidade.
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Ambiguidade como recurso de humor na tirinha
Gabarito: letra A. O humor da tirinha de Clara Gomes é construído, principalmente, pela ambiguidade — a possibilidade de uma mesma expressão ser interpretada de duas maneiras diferentes. O efeito cômico nasce exatamente do choque entre o sentido que o personagem pretende dar e o sentido que o interlocutor (ou o leitor) entende. Como se vê na tirinha, a fala de um dos personagens pode ser lida de dois modos, e é essa dupla leitura que provoca o riso.
O comando: identificar o recurso estilístico predominante
A questão pede que você reconheça qual figura de linguagem é a base do humor. Não se trata de interpretar o conteúdo da tirinha, mas de nomear o mecanismo linguístico que gera o efeito cômico. Para isso, é preciso:
Ler a tirinha com atenção, percebendo onde está o gancho do humor;
Testar cada alternativa: o recurso apontado realmente explica o que acontece na tirinha?
Descartar as figuras que não têm relação com o que está representado.
O texto: onde mora o humor
Na tirinha, um personagem faz uma afirmação que, no contexto, pode ser entendida de duas formas. O outro personagem (ou o leitor) interpreta de um jeito diferente do que o falante pretendia. Esse desencontro de sentidos é a essência da ambiguidade. O humor está em perceber que a mesma frase tem dois significados possíveis, e que um deles é inesperado ou absurdo.
A técnica: reconhecendo a ambiguidade
A ambiguidade (ou anfibologia) ocorre quando uma construção permite mais de uma interpretação. Ela pode ser:
Estrutural: a organização da frase gera dupla leitura (ex.: "Peguei o ônibus correndo" — quem corria?);
Polissêmica: uma palavra tem vários sentidos (ex.: "manga" — fruta ou parte da camisa).
Na tirinha, o efeito é tipicamente estrutural ou polissêmico: uma expressão é usada de modo que o contexto permite duas leituras. O humor surge porque uma das leituras é inesperada, quebrando a expectativa.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece outras figuras que podem parecer plausíveis, mas o humor da tirinha não decorre de contradição (paradoxo), nem de repetição (pleonasmo), nem de suavização (eufemismo), nem de linguagem falando de si mesma (metalinguagem). O que gera o riso é o duplo sentido.
Análise das alternativas
Ambiguidade (anfibologia): Estrutural (Organização da frase gera dupla leitura); Polissêmica (Palavra com vários sentidos); Efeito cômico (Desencontro de sentidos, Quebra de expectativa)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ambiguidade é o recurso que sustenta o humor da tirinha. O personagem diz algo que pode ser entendido de duas formas, e o efeito cômico está justamente nessa dupla interpretação. O texto não deixa claro qual sentido é o "correto", e é essa indefinição que faz rir.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O paradoxo é uma contradição lógica (ex.: "O silêncio é o grito mais alto"). Na tirinha, não há contradição entre ideias; há apenas uma frase com dois sentidos possíveis. O paradoxo exigiria uma oposição interna, o que não ocorre.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O pleonasmo é a repetição de uma ideia (ex.: "subir para cima"). Na tirinha, não há redundância; há uma expressão que pode ser lida de duas maneiras. O pleonasmo não gera o humor aqui.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O eufemismo é a suavização de algo desagradável (ex.: "ele partiu" em vez de "morreu"). Na tirinha, não há intenção de atenuar nada; o efeito é de surpresa pelo duplo sentido, não de polidez.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A metalinguagem ocorre quando a linguagem fala de si mesma (ex.: um poema que discute o próprio ato de escrever). Na tirinha, a linguagem não está refletindo sobre si; ela está sendo usada de forma ambígua para gerar humor.
Conclusão
A única alternativa que explica o humor da tirinha é a ambiguidade, pois o efeito cômico nasce da possibilidade de dupla leitura de uma mesma expressão. As demais figuras não se aplicam ao que está representado.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar o recurso estilístico em uma tirinha, pergunte-se: "o que exatamente faz rir?" Se a resposta for "a frase pode ser entendida de dois jeitos", a resposta é ambiguidade. Desconfie de figuras que exigem contradição, repetição ou suavização, pois elas raramente são a base do humor em tirinhas.