Questão de Português — Linguagem Formal e Informal — VUNESP 2026
Português›Linguagem Formal e Informal
Código
vu166599
Banca
VUNESP
Órgão
USCS
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
No sinal fechado
Ele vende chiclete B)
Capricha na flanela
E se chama Pelé B)
Pinta na janela
Batalha algum trocado
Aponta um canivete D)
E até
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará
Se manda pra Tijuca C)
Sobe o Borel
Meio se maloca
Agita numa boca
Descola uma mutuca
E um papel
Sonha aquela mina, olerê
Prancha, parafina, olará
Dorme gente fina C)
Acorda pinel
Zanza na sarjeta E)
Fatura uma besteira
E tem as pernas tortas
E se chama Mané1 A)
Arromba uma porta
Faz ligação direta
Engata uma primeira
E até
Dobra a Carioca, olerê
Desce a Frei Caneca, olará
Se manda pra Tijuca
Na contramão
Dança para-lama
Já era para-choque
Agora ele se chama
Emersão
Sobe no passeio, olerê
Pega no Recreio, olará
Não se liga em freio
Nem direção
No sinal fechado E)
Ele transa chiclete
E se chama pivete
E pinta na janela
Capricha na flanela
Descola uma bereta2
Batalha na sarjeta
E tem as pernas tortas A)
(Chico Buarque de Hollanda. Tantas palavras, 2006.)
Leia a letra da canção “Pivete”, de 1978, composta por Chico Buarque de Hollanda e Francis Hime e ambientada na cidade do Rio de Janeiro, para responder à questão. 1 Mané: apelido para Mané Garrincha, importante jogador de futebol brasileiro das décadas de 1950, 60 e 70, assim como Pelé. 2 bereta: pistola portátil da marca Beretta. O registro de linguagem utilizado na canção é, predominantemente, informal, a exemplo do que ocorre nas expressões:
A“E tem as pernas tortas” e “E se chama Mané”.
B“Ele vende chiclete” e “E se chama Pelé”.
C“Se manda pra Tijuca” e “Dorme gente fina”.
D“Aponta um canivete” e “No sinal fechado”.
E“No sinal fechado” e “Zanza na sarjeta”.
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GabaritoC — “Se manda pra Tijuca” e “Dorme gente fina”.
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Registro informal na canção "Pivete"
Gabarito: letra C. A alternativa C é a única em que ambas as expressões — "Se manda pra Tijuca" e "Dorme gente fina" — são marcadamente informais, com gírias e construções coloquiais típicas da fala popular. "Se manda" é gíria para "vai embora", e "gente fina" é expressão coloquial para "pessoa elegante, distinta". As demais alternativas misturam expressões neutras ou até formais, que não exemplificam o registro informal predominante.
O comando pede que você identifique exemplos de registro informal na letra. Isso é uma questão de compreensão de texto aplicada à variação linguística: você precisa reconhecer quais expressões fogem da norma culta e carregam marcas de coloquialidade, gíria ou linguagem popular. Não se trata de interpretar sentidos implícitos, mas de reconhecer o nível de linguagem de cada trecho.
Na canção, Chico Buarque retrata o cotidiano de um menino de rua no Rio de Janeiro, usando uma linguagem que espelha a fala popular da personagem. Expressões como "se manda", "gente fina", "zanza", "maloca", "boca", "mutuca" são gírias e coloquialismos que aproximam o texto do universo retratado. A informalidade é predominante, como afirma o enunciado, e a questão pede justamente os exemplos mais evidentes.
A técnica para resolver: teste cada expressão substituindo-a por um equivalente formal. Se a substituição for natural e o sentido se mantiver, a expressão é neutra ou formal; se a substituição exigir uma reformulação completa, é porque a expressão é coloquial. Por exemplo, "Se manda pra Tijuca" → "Vai para a Tijuca" (informal); "Dorme gente fina" → "Dorme com pessoas distintas" (informal). Já "Ele vende chiclete" → "Ele vende chiclete" (neutro, sem marca de informalidade).
NÃO CAIA NESSA!
A banca coloca expressões que parecem informais, mas que são neutras (como "Ele vende chiclete") ou até formais (como "No sinal fechado"), para testar se você reconhece a marca de coloquialidade de verdade.
Registro informal
1Marcas de coloquialidade
Gírias ("se manda", "zanza")
Contrações populares ("pra")
Expressões populares ("gente fina")
2Expressões neutras (não marcam)
"Ele vende chiclete"
"No sinal fechado"
"Aponta um canivete"
3Técnica de identificação
Substituir por equivalente formal
Se exige reformulação → coloquial
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Alternativa A — ❌ Incorreta
"E tem as pernas tortas" e "E se chama Mané" são neutras: descrevem características físicas e um apelido, sem gírias ou construções coloquiais. "Mané" é um apelido, mas o uso é referencial, não informal. Erro: não há marca de informalidade.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"Ele vende chiclete" é uma frase neutra, sem coloquialismo. "E se chama Pelé" também é neutra, apenas nomeia o personagem. Erro: ausência de expressão informal.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"Se manda pra Tijuca" — "se mandar" é gíria para "ir embora"; "pra" é contração coloquial de "para". "Dorme gente fina" — "gente fina" é expressão coloquial para "pessoa elegante, distinta". Ambas são marcadamente informais, exemplificando o registro predominante da canção.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"Aponta um canivete" é neutra (ação descrita sem coloquialismo). "No sinal fechado" é formal/neutra (indicação de lugar). Erro: ausência de informalidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"No sinal fechado" é neutra. "Zanza na sarjeta" — "zanzar" é verbo informal, mas "sarjeta" é termo comum; a expressão é menos marcada que as da alternativa C. Erro: apenas uma das expressões é informal, e de forma menos intensa.
Conclusão: a questão testa o reconhecimento do registro informal por meio de gírias e coloquialismos. A alternativa C é a única em que ambas as expressões são claramente informais, como exige o enunciado. Lembre-se: informalidade se reconhece pela presença de gírias, contrações e construções populares, não por qualquer frase simples.