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Questão de Português — Reescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto. — VUNESP 2026

PortuguêsReescrita de Frases. Substituição de Palavras ou Trechos de Texto.
Código
vu166602
Banca
VUNESP
Órgão
USCS
Ano
2026
Cargo
Vest ( )

Foi trombudo para o escritório. Era dia de seu aniversário, e a esposa nem sequer o abraçara, não fizera a mínima alusão à data. As crianças também tinham se esquecido. Então era assim que a família o tratava? Ele que vivia para os seus, que se arrebentava de trabalhar, não merecer um beijo, uma palavra ao menos!

 

Mas no escritório, havia flores à sua espera, sobre a mesa. Havia o sorriso e o abraço da secretária, que poderia muito bem ter ignorado o aniversário, e entretanto o lembrara. Era mais do que uma auxiliar, atenta, experimentada e eficiente, pé-de-boi da firma, como até então a considerara; era um coração amigo.

 

Passada a surpresa, sentiu-se ainda mais borocoxô: o carinho da secretária não curava, abria mais a ferida. Pois então uma estranha se lembrava dele com tais requintes, e a mulher e os filhos, nada? [...]

 

Durante o dia, a secretária redobrou de atenções. Parecia querer consolá-lo, como se medisse toda a sua solidão moral, o seu abandono. Sorria, tinha palavras amáveis, e o ditado da correspondência foi entremeado de suaves brincadeiras da parte dela.

 

[...]

 

 — Se o senhor quisesse, podíamos jantar juntos — insinuou ela, discretamente.

 

E não é que podiam mesmo? Em vez de passar uma noite besta, ressentida — o pessoal lá em casa pouco está me ligando —, teria horas amenas, em companhia de uma mulher que — reparava agora — era bem bonita.

 

Daí por diante o trabalho foi nervoso, nunca mais que se fechava o escritório. Teve vontade de mandar todos embora, para que todos comemorassem o seu aniversário, ele principalmente. Conteve-se, no prazer ansioso da espera.

 

— Aonde você prefere ir? — perguntou, ao saírem.

 

— Se não se importa, vamos passar primeiro em meu apartamento. Preciso trocar de roupa.

 

10 Ótimo, pensou ele; — faz-se a inspeção prévia do terreno, e, quem sabe?

 

— Mas antes quero um drinque, para animar — ela retificou.

 

[...]

 

No apartamento, ela apontou-lhe o banheiro e disse-lhe que o usasse sem cerimônia. Dentro de quinze minutos ele poderia entrar no quarto, não precisava bater — e o sorriso dela, dizendo isto, era uma promessa de felicidade.

 

Ele nem percebeu ao certo se estava se arrumando ou se desarrumando, de tal modo os quinze minutos se atropelaram, querendo virar quinze segundos, no calor escaldante do banheiro e da situação. Liberto da roupa incômoda, abriu a porta do quarto. Lá dentro, sua mulher e seus filhos, em coro com a secretária, esperavam-no atacando “Parabéns pra você”.

 

(Carlos Drummond de Andrade. 70 historinhas, 2016.)

Leia um trecho da crônica “Caso de secretária”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder à questão     “— Aonde você prefere ir? — perguntou, ao saírem.” (8o parágrafo) Ao transpor a fala do personagem para o discurso indireto e mantendo o sentido original, o trecho sublinhado assume a forma:
  1. Aaonde ela prefere ir.
  2. Baonde ela preferia ir.
  3. Caonde ele preferia ir.
  4. Daonde ele preferiu ir.
  5. Eaonde ela preferiu ir.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — aonde ela preferia ir.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transposição de discurso direto para indireto: a arte de preservar o sentido

Gabarito: letra B. Ao transpor a fala do personagem para o discurso indireto, o trecho sublinhado assume a forma "aonde ela preferia ir" — a alternativa B é a única que preserva o sentido original, pois mantém o sujeito correto (a secretária, referida por "ela") e o tempo verbal adequado (pretérito imperfeito do indicativo, que expressa simultaneidade com o verbo introdutor no passado). A passagem que ancora essa leitura está no 8º parágrafo: "— Aonde você prefere ir? — perguntou, ao saírem."

O comando: transposição de discurso direto para indireto

A questão pede uma reescritura — transformar a fala do personagem (discurso direto) em discurso indireto, mantendo o sentido original. Isso exige três operações simultâneas:

  1. Mudança de pessoa: o pronome "você" (2ª pessoa) vira "ela" (3ª pessoa), pois quem fala é o personagem masculino (ele) dirigindo-se à secretária (ela).

  2. Mudança de tempo verbal: o presente do indicativo "prefere" vira pretérito imperfeito "preferia", porque o verbo introdutor "perguntou" está no passado e a ação da pergunta é simultânea a ele.

  3. Manutenção do sujeito: o sujeito de "preferir" continua sendo a secretária — "ela" —, não o personagem que pergunta.

A armadilha central está em trocar o referente do pronome: como o personagem é quem pergunta, o candidato pode pensar que "você" se refere a ele, mas o texto mostra que ele pergunta "aonde você prefere ir" — e "você" é a secretária, pois é ela quem responde: "— Se não se importa, vamos passar primeiro em meu apartamento." Portanto, o sujeito de "preferir" é a secretária, e o pronome correto no discurso indireto é "ela".

A regra da correlação verbal

No discurso indireto, quando o verbo introdutor está no passado ("perguntou"), o presente do indicativo do discurso direto ("prefere") deve ser convertido em pretérito imperfeito do indicativo ("preferia"), pois o imperfeito expressa uma ação simultânea à do verbo introdutor. Veja o esquema:

Discurso direto

Discurso indireto

"Aonde você prefere ir?"

Perguntou aonde ela preferia ir.

Presente do indicativo

Pretérito imperfeito do indicativo

2ª pessoa (você)

3ª pessoa (ela)

Se usássemos o pretérito perfeito ("preferiu"), a ação seria anterior à pergunta, o que alteraria o sentido — a pergunta seria sobre uma preferência já manifestada, não sobre a preferência atual. O imperfeito é a única forma que mantém a simultaneidade.

Análise das alternativas

Alternativa A — ❌ Incorreta

"aonde ela prefere ir" — mantém o presente do indicativo, mas o verbo introdutor "perguntou" está no passado. A correlação verbal exige o pretérito imperfeito. Erro: contradiz a regra de correlação temporal (o presente não pode ser usado após verbo no passado sem alterar o sentido).

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"aonde ela preferia ir" — usa o pronome "ela" (referindo-se à secretária) e o pretérito imperfeito "preferia", que expressa simultaneidade com "perguntou". Preserva integralmente o sentido original: a pergunta sobre a preferência atual da secretária. Correta: mantém sujeito e tempo verbal adequados.

Alternativa C — ❌ Incorreta

"aonde ele preferia ir" — troca o referente do pronome: "ele" refere-se ao personagem, mas quem prefere ir é a secretária. O texto mostra que ele pergunta "aonde você prefere ir" — e "você" é a secretária. Erro: troca de referente (coesão referencial) — atribui a ação a quem não a pratica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"aonde ele preferiu ir" — além de trocar o referente ("ele" em vez de "ela"), usa o pretérito perfeito "preferiu", que indica ação concluída, anterior à pergunta. Isso altera o sentido: a pergunta seria sobre uma preferência já manifestada, não sobre a preferência atual. Erro: troca de referente + erro de correlação temporal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"aonde ela preferiu ir" — mantém o referente correto ("ela"), mas usa o pretérito perfeito "preferiu", que indica ação concluída. O sentido original é de simultaneidade, não de anterioridade. Erro: erro de correlação temporal (o perfeito não expressa simultaneidade com o verbo introdutor).

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o referente do pronome e o tempo verbal. O candidato pode pensar que "você" se refere ao personagem (porque ele pergunta), mas o texto mostra que ele pergunta à secretária. Além disso, a troca do imperfeito pelo perfeito altera o sentido de simultaneidade.

PEGA ESSA DICA!

Ao transpor do discurso direto para o indireto, identifique primeiro quem é o sujeito da fala (quem pratica a ação) e depois o tempo verbal em relação ao verbo introdutor. Se o verbo introdutor está no passado, o presente vira pretérito imperfeito; o pretérito perfeito vira pretérito mais-que-perfeito; o futuro do presente vira futuro do pretérito.

Conclusão: a alternativa B é a única que preserva o sentido original, pois mantém o sujeito correto (a secretária) e o tempo verbal adequado (pretérito imperfeito). As demais erram ao trocar o referente do pronome ou ao usar um tempo verbal que altera a relação temporal. Gabarito: letra B.

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