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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166607
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - Ass SA II ( )

Mal os ecos das celebrações natalinas se dissipam, a sociedade brasileira é rapidamente impelida para o próximo ciclo de expectativas: a virada de ano. Entre os brindes de esperança e as promessas de renovação, uma realidade mais árida se impõe nos bastidores das famílias: a fatura do cartão de crédito. Celebrações à parte, o ciclo do consumismo transforma a alegria das festividades em uma “ressaca financeira” prolongada.

 

O período que compreende o Natal e o Réveillon é, historicamente, o motor do varejo. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o Natal sozinho movimenta dezenas de milhões de reais na economia brasileira. Contudo, esse impulso é movido, muitas vezes, por um crédito que cobra juros exorbitantes. Segundo dados recentes do Banco Central, a taxa média do cartão de crédito rotativo — para onde muitos brasileiros recorrem ao não conseguirem quitar o valor total da fatura — ultrapassa a marca de 400% ao ano.

 

O consumismo, porém, não é apenas um fenômeno econômico; é uma construção cultural de urgência. A necessidade de “começar o ano de cara nova” — seja trocando de smartphone, de carro ou renovando o guarda-roupa — é alimentada por um marketing agressivo que ignora a capacidade real de pagamento do cidadão. O resultado é um ciclo vicioso em que a satisfação imediata da compra é substituída pela angústia da inadimplência.

 

Nesse sentido, é preciso que as resoluções de ano novo extrapolem a perda de peso ou a mudança de hábitos de lazer. O “consumo consciente” precisa deixar de ser um termo distante e se tornar uma prática de sobrevivência doméstica. Além dos benefícios individuais, há o impacto coletivo, considerando que o conceito tem uma preocupação também com a mitigação de danos ambientais.

 

A transição de dezembro para janeiro marca o encontro do desejo com a realidade. Enquanto o primeiro é o mês do bônus e do 13o salário, o segundo chega acompanhado de siglas conhecidas e temidas: IPVA, IPTU e as despesas escolares. A economia da virada dos calendários exige, mais do que nunca, equilíbrio.

 

Planejar os gastos de janeiro com antecedência e priorizar o pagamento das contas fixas sobre os desejos supérfluos é o primeiro passo para garantir que o “Feliz Ano Novo” não seja apenas uma frase protocolar, mas uma realidade financeira para os próximos 12 meses.

 

(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 26.12.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão     Ao defender o consumo consciente, o edital deixa claro que
  1. Aa falta de planejamento econômico, ainda que presente na vida de alguns cidadãos, vem perdendo espaço significativo para o saneamento financeiro.
  2. Ba falta de planejamento financeiro vem impedindo que muitos cidadãos alcancem metas relevantes, como perda de peso e hábitos de lazer.
  3. Ca necessidade de começar o ano de cara nova tem levado os cidadãos a fazerem um planejamento sério de seus gastos ao longo do ano.
  4. Do reconhecimento da importância dos desejos supérfluos dos cidadãos deve impor-se à criação de uma prática de sobrevivência doméstica.
  5. Eo entusiasmo de fim de ano impele os cidadãos ao consumo exagerado, do que decorrem problemas na saúde financeira do ano seguinte.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — o entusiasmo de fim de ano impele os cidadãos ao consumo exagerado, do que decorrem problemas na saúde financeira do ano seguinte.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consumo consciente: a relação entre entusiasmo de fim de ano e endividamento

Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que sintetiza fielmente a tese do texto: o entusiasmo de fim de ano leva ao consumo exagerado, e disso decorrem problemas financeiros no ano seguinte. Essa relação de causa e consequência está explícita no 1º parágrafo, quando o autor afirma que "o ciclo do consumismo transforma a alegria das festividades em uma 'ressaca financeira' prolongada", e no 3º parágrafo, ao dizer que "a satisfação imediata da compra é substituída pela angústia da inadimplência". As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou invertem a relação de causa e efeito, ou acrescentam opiniões que o autor não emitiu.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede que se identifique o que o texto "deixa claro" ao defender o consumo consciente. Isso é uma questão de compreensão — a resposta está explícita ou diretamente decorrente do que está escrito, sem necessidade de inferências profundas. O candidato deve buscar a passagem que sustenta cada alternativa e verificar se ela está de acordo com o texto, sem acrescentar informações de fora.

O texto: tema, tese e argumentos

O texto é um editorial que discute o consumismo de fim de ano e suas consequências financeiras. A tese central é que o consumo desenfreado, estimulado pelo marketing e pela cultura de "começar o ano de cara nova", gera endividamento e sofrimento financeiro. O autor defende o consumo consciente como uma "prática de sobrevivência doméstica" (4º parágrafo) e sugere planejamento para evitar a "ressaca financeira" (último parágrafo).

A relação de causa e consequência é o fio condutor: o entusiasmo das festas (causa) leva ao consumo exagerado (consequência), que por sua vez gera problemas financeiros (nova consequência). Essa cadeia está explícita no 1º parágrafo:

"Celebrações à parte, o ciclo do consumismo transforma a alegria das festividades em uma 'ressaca financeira' prolongada."

E reforçada no 3º parágrafo:

"O resultado é um ciclo vicioso em que a satisfação imediata da compra é substituída pela angústia da inadimplência."

A técnica: testar cada alternativa contra o texto

A técnica para resolver é simples: para cada alternativa, pergunte "o texto autoriza esta afirmação?" Se a alternativa exigir que se acrescente algo que não está no texto, ela é uma extrapolação e está errada. Se ela inverter a relação de causa e consequência, também está errada. A alternativa correta é a que parafraseia o texto sem acrescentar nem retirar nada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a falta de planejamento econômico "vem perdendo espaço significativo para o saneamento financeiro". O texto não diz isso em nenhum momento. Pelo contrário, o texto sugere que o planejamento é necessário justamente porque a falta dele é um problema. A alternativa extrapola ao afirmar uma tendência de melhora que não está no texto.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a falta de planejamento financeiro impede que os cidadãos alcancem metas como "perda de peso e hábitos de lazer". O texto menciona essas metas no 4º parágrafo, mas apenas para dizer que as resoluções de ano novo devem "extrapolar" essas questões, ou seja, ir além delas. O texto não diz que a falta de planejamento impede essas metas. A alternativa distorce o sentido do texto, criando uma relação que não existe.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que a necessidade de começar o ano de cara nova tem levado os cidadãos a fazerem um planejamento sério de seus gastos. O texto diz exatamente o contrário: essa necessidade é alimentada por um marketing agressivo que "ignora a capacidade real de pagamento do cidadão" (3º parágrafo), levando ao consumo exagerado, não ao planejamento. A alternativa contradiz o texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa afirma que o reconhecimento da importância dos desejos supérfluos deve impor-se à criação de uma prática de sobrevivência doméstica. O texto defende o oposto: o consumo consciente deve se tornar uma prática de sobrevivência doméstica, e os desejos supérfluos devem ser deixados de lado. O último parágrafo diz para "priorizar o pagamento das contas fixas sobre os desejos supérfluos". A alternativa inverte a hierarquia de valores do texto.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa E afirma que "o entusiasmo de fim de ano impele os cidadãos ao consumo exagerado, do que decorrem problemas na saúde financeira do ano seguinte". Isso é exatamente o que o texto diz. O 1º parágrafo fala do "ciclo do consumismo" que transforma a alegria em "ressaca financeira". O 3º parágrafo explica que o marketing agressivo alimenta a necessidade de "começar o ano de cara nova", levando ao consumo exagerado. E o 5º parágrafo menciona as despesas de janeiro (IPVA, IPTU, despesas escolares) que chegam junto com o fim das festas. A alternativa é uma paráfrase fiel da tese do texto.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que usam palavras como "sempre", "nunca", "apenas" ou que invertem a relação de causa e consequência. A correta é a que mantém o sentido original, sem exageros.

Gabarito: letra E — a única que reproduz a relação de causa e consequência presente no texto, sem extrapolar ou contradizer o que o autor afirma.

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