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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166608
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - Ass SA II ( )

Mal os ecos das celebrações natalinas se dissipam, a sociedade brasileira é rapidamente impelida para o próximo ciclo de expectativas: a virada de ano. Entre os brindes de esperança e as promessas de renovação, uma realidade mais árida se impõe nos bastidores das famílias: a fatura do cartão de crédito. Celebrações à parte, o ciclo do consumismo transforma a alegria das festividades em uma “ressaca financeira” prolongada.

 

O período que compreende o Natal e o Réveillon é, historicamente, o motor do varejo. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o Natal sozinho movimenta dezenas de milhões de reais na economia brasileira. Contudo, esse impulso é movido, muitas vezes, por um crédito que cobra juros exorbitantes. Segundo dados recentes do Banco Central, a taxa média do cartão de crédito rotativo — para onde muitos brasileiros recorrem ao não conseguirem quitar o valor total da fatura — ultrapassa a marca de 400% ao ano.

 

O consumismo, porém, não é apenas um fenômeno econômico; é uma construção cultural de urgência. A necessidade de “começar o ano de cara nova” — seja trocando de smartphone, de carro ou renovando o guarda-roupa — é alimentada por um marketing agressivo que ignora a capacidade real de pagamento do cidadão. O resultado é um ciclo vicioso em que a satisfação imediata da compra é substituída pela angústia da inadimplência.

 

Nesse sentido, é preciso que as resoluções de ano novo extrapolem a perda de peso ou a mudança de hábitos de lazer. O “consumo consciente” precisa deixar de ser um termo distante e se tornar uma prática de sobrevivência doméstica. Além dos benefícios individuais, há o impacto coletivo, considerando que o conceito tem uma preocupação também com a mitigação de danos ambientais.

 

A transição de dezembro para janeiro marca o encontro do desejo com a realidade. Enquanto o primeiro é o mês do bônus e do 13o salário, o segundo chega acompanhado de siglas conhecidas e temidas: IPVA, IPTU e as despesas escolares. A economia da virada dos calendários exige, mais do que nunca, equilíbrio.

 

Planejar os gastos de janeiro com antecedência e priorizar o pagamento das contas fixas sobre os desejos supérfluos é o primeiro passo para garantir que o “Feliz Ano Novo” não seja apenas uma frase protocolar, mas uma realidade financeira para os próximos 12 meses.

 

(Editorial. https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao, 26.12.2025. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão     Com base nas informações textuais, conclui-se corretamente que o consumo consciente
  1. Atem relevante papel para além dos interesses individuais dos cidadãos.
  2. Bcorresponde a um conceito pouco disseminado sobre os danos ambientais.
  3. Cé importante para o meio ambiente, mas não para os interesses coletivos.
  4. Dpotencializa as relações comerciais, elevando os lucros do varejo nacional.
  5. Eestá desarticulado da ideia de priorizar o pagamento das contas fixas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — tem relevante papel para além dos interesses individuais dos cidadãos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Consumo consciente: o papel coletivo e individual

Gabarito: letra A. O consumo consciente tem relevante papel para além dos interesses individuais dos cidadãos, pois o texto afirma que ele gera "impacto coletivo" e "preocupação também com a mitigação de danos ambientais". A alternativa A é a única que sintetiza fielmente essa dupla dimensão — individual e coletiva — sem acrescentar, restringir ou contradizer o que o autor escreveu.

O comando pede uma conclusão baseada nas informações textuais, ou seja, uma inferência ancorada no que está escrito. Não se trata de localizar uma frase literal, mas de reconhecer a ideia que o texto sustenta e que pode ser parafraseada. A resposta correta é aquela que o texto autoriza — nem mais, nem menos do que ele diz.

O texto é um editorial que critica o consumismo das festas de fim de ano e defende o consumo consciente como prática necessária. No 4º parágrafo, o autor apresenta o núcleo da resposta:

"Além dos benefícios individuais, há o impacto coletivo, considerando que o conceito tem uma preocupação também com a mitigação de danos ambientais."

Essa passagem é decisiva: ela diz explicitamente que o consumo consciente não se limita ao indivíduo — há um impacto coletivo e uma preocupação ambiental. A alternativa A parafraseia exatamente isso: o consumo consciente "tem relevante papel para além dos interesses individuais dos cidadãos". O termo "para além" captura o "Além dos benefícios individuais" do texto.

A técnica central aqui é testar cada alternativa contra o texto: a correta é a única que o texto sustenta integralmente; as erradas ou extrapolam, ou restringem, ou contradizem, ou tangenciam o que foi dito. Vamos ver cada uma.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa A é uma paráfrase fiel do 4º parágrafo. O texto afirma que o consumo consciente traz "benefícios individuais" e, além deles, um "impacto coletivo" e uma "preocupação também com a mitigação de danos ambientais". A expressão "para além dos interesses individuais" corresponde diretamente a "Além dos benefícios individuais". Não há acréscimo, restrição ou opinião externa — apenas a reescritura da ideia do autor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa B diz que o consumo consciente "corresponde a um conceito pouco disseminado sobre os danos ambientais". O texto não afirma que o conceito é "pouco disseminado"; ele diz que o consumo consciente "precisa deixar de ser um termo distante e se tornar uma prática" — ou seja, o conceito existe, mas a prática é que precisa ser adotada. A alternativa extrapola ao transformar uma crítica à falta de prática em uma afirmação sobre a disseminação do conceito. Além disso, o texto não quantifica o quanto o conceito é ou não disseminado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa C afirma que o consumo consciente "é importante para o meio ambiente, mas não para os interesses coletivos". Isso contradiz o texto, que diz exatamente o oposto: "há o impacto coletivo". O autor afirma que o consumo consciente tem impacto coletivo e preocupação ambiental — não um em detrimento do outro. A alternativa usa a conjunção adversativa "mas" para criar uma oposição que o texto não estabelece.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa D diz que o consumo consciente "potencializa as relações comerciais, elevando os lucros do varejo nacional". O texto não faz essa afirmação. Pelo contrário, ele critica o consumismo que movimenta o varejo e defende o consumo consciente como uma forma de evitar a inadimplência. A alternativa tangencia o tema (fala de comércio e varejo, que aparecem no texto) mas inverte o papel do consumo consciente: ele não é apresentado como algo que eleva lucros, mas como uma prática de equilíbrio financeiro e responsabilidade. É uma extrapolação com aparência de plausibilidade.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa E afirma que o consumo consciente "está desarticulado da ideia de priorizar o pagamento das contas fixas". O texto diz o contrário: no último parágrafo, o autor orienta a "priorizar o pagamento das contas fixas sobre os desejos supérfluos" como parte do planejamento financeiro — que é exatamente a prática do consumo consciente. A alternativa contradiz o texto ao afirmar uma desarticulação que não existe; na verdade, o consumo consciente implica priorizar contas fixas.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a contradição e a extrapolação. As alternativas C e E invertem o sentido do texto (dizem o oposto do que ele afirma), enquanto B e D acrescentam informações que não estão nele. A correta é a única que permanece dentro dos limites do que o autor escreveu.

PEGA ESSA DICA!

Ao resolver questões de interpretação, grife as palavras que indicam oposição (mas, porém, contudo) e inclusão (além de, também). Elas costumam marcar o ponto exato que a banca explora. Aqui, o "Além dos benefícios individuais" é a chave.

Gabarito: letra A.

A regra de ouro: a resposta correta é a que o texto autoriza — nem mais, nem menos. Teste cada alternativa perguntando: "o texto diz isso, ou eu estou completando com o que eu acho?" Se a alternativa exige acrescentar algo de fora, ela está errada.

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