Questão de Português — Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais) — VUNESP 2026
Português›Regência Nominal e Verbal (Casos Gerais)
Código
vu166613
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - Ass SA II ( )
Mal os ecos das celebrações natalinas se dissipam, a sociedade brasileira é rapidamente impelida para o próximo ciclo de expectativas: a virada de ano. Entre os brindes de esperança e as promessas de renovação, uma realidade mais árida se impõe nos bastidores das famílias: a fatura do cartão de crédito. Celebrações à parte, o ciclo do consumismo transforma a alegria das festividades em uma “ressaca financeira” prolongada.
O período que compreende o Natal e o Réveillon é, historicamente, o motor do varejo. Estimativas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontam que o Natal sozinho movimenta dezenas de milhões de reais na economia brasileira. Contudo, esse impulso é movido, muitas vezes, por um crédito que cobra juros exorbitantes. Segundo dados recentes do Banco Central, a taxa média do cartão de crédito rotativo — para onde muitos brasileiros recorrem ao não conseguirem quitar o valor total da fatura — ultrapassa a marca de 400% ao ano.
O consumismo, porém, não é apenas um fenômeno econômico; é uma construção cultural de urgência. A necessidade de “começar o ano de cara nova” — seja trocando de smartphone, de carro ou renovando o guarda-roupa — é alimentada por um marketing agressivo que ignora a capacidade real de pagamento do cidadão. O resultado é um ciclo vicioso em que a satisfação imediata da compra é substituída pela angústia da inadimplência.
Nesse sentido, é preciso que as resoluções de ano novo extrapolem a perda de peso ou a mudança de hábitos de lazer. O “consumo consciente” precisa deixar de ser um termo distante e se tornar uma prática de sobrevivência doméstica. Além dos benefícios individuais, há o impacto coletivo, considerando que o conceito tem uma preocupação também com a mitigação de danos ambientais.
A transição de dezembro para janeiro marca o encontro do desejo com a realidade. Enquanto o primeiro é o mês do bônus e do 13o salário, o segundo chega acompanhado de siglas conhecidas e temidas: IPVA, IPTU e as despesas escolares. A economia da virada dos calendários exige, mais do que nunca, equilíbrio.
Planejar os gastos de janeiro com antecedência e priorizar o pagamento das contas fixas sobre os desejos supérfluos é o primeiro passo para garantir que o “Feliz Ano Novo” não seja apenas uma frase protocolar, mas uma realidade financeira para os próximos 12 meses.
Leia o texto para responder à questão Considere as frases: • O consumismo, porém, não é apenas um fenômeno econômico; ele diz respeito ______ uma construção cultural de urgência. • O conceito de consumo consciente corresponde também _______ mitigação de danos ambientais. • Muitos brasileiros _____ crédito rotativo do cartão ao não conseguirem quitar o valor total da fatura. Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, com:
Aa ... à ... optam com o
Bde ... a ... servem-se ao
Cà ... a ... utilizam do
Dem ... à ... lançam mão do
Ea ... à ... socorrem-se do
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GabaritoE — a ... à ... socorrem-se do
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Regência nominal e verbal: preposições e crase no texto
Gabarito: letra E. A alternativa E é a única que preenche as três lacunas em conformidade com a norma-padrão: "a" (preposição exigida por "diz respeito"), "à" (preposição "a" + artigo "a" antes de "mitigação") e "socorrem-se do" (verbo "socorrer-se" rege a preposição "de"). A questão cobra regência nominal e verbal — a relação de subordinação entre um termo regente (nome ou verbo) e seu complemento — e a crase como fusão da preposição "a" com o artigo feminino "a".
O comando: o que a banca pede
O enunciado pede que você preencha as lacunas "em conformidade com a norma-padrão". Isso significa que a resposta não depende de interpretação do texto, mas de conhecimento gramatical aplicado ao contexto: identificar qual preposição cada verbo ou nome exige e quando ocorre crase. É uma questão de gramática normativa, não de compreensão textual — embora o texto sirva de base para as frases, a decisão é puramente sintática.
A técnica: regência e crase, passo a passo
1ª lacuna — "diz respeito ______ uma construção cultural de urgência"
A expressão "diz respeito" é uma locução verbal que exige a preposição "a". Quem diz respeito, diz respeito a algo. Como o termo seguinte é "uma construção cultural" (substantivo feminino sem artigo definido "a"), não há crase: fica apenas a preposição "a".
"O consumismo, porém, não é apenas um fenômeno econômico; é uma construção cultural de urgência."
O texto confirma que "construção cultural" é o complemento da ideia de "diz respeito", mas a regência é uma regra da língua: "diz respeito a".
2ª lacuna — "corresponde também _______ mitigação de danos ambientais"
O verbo "corresponder" também rege a preposição "a". Quem corresponde, corresponde a algo. O termo seguinte é "mitigação" (substantivo feminino) precedido do artigo definido "a". Há, portanto, a fusão: preposição "a" + artigo "a" = "à" (crase).
"o conceito tem uma preocupação também com a mitigação de danos ambientais"
O texto usa "com a mitigação", mas a frase da questão troca o verbo para "corresponde a", o que exige a preposição "a" — e, com o artigo "a" presente, forma-se a crase.
3ª lacuna — "Muitos brasileiros _____ crédito rotativo do cartão"
O verbo "socorrer-se" (no sentido de recorrer, valer-se) rege a preposição "de". Quem se socorre, socorre-se de algo. A forma correta é "socorrem-se do crédito rotativo" (preposição "de" + artigo "o" = "do").
"para onde muitos brasileiros recorrem ao não conseguirem quitar o valor total da fatura"
O texto usa o verbo "recorrer" (que rege "a"), mas a questão propõe "socorrer-se", que rege "de". A alternativa E é a única que respeita essa regência.
Análise das alternativas
Lacuna
Termo regente
Preposição exigida
Complemento
Resultado
1ª
diz respeito
a
uma construção (sem artigo)
a
2ª
corresponde
a
a mitigação (com artigo)
à
3ª
socorrem-se
de
o crédito rotativo
do
Alternativa A — ❌ Incorreta
"a ... à ... optam com o" — Erro na terceira lacuna: o verbo "optar" rege a preposição "por" (opta-se por algo), não "com". Além disso, "optam com o crédito" não faz sentido na norma-padrão. As duas primeiras lacunas estão corretas, mas a terceira invalida a alternativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"de ... a ... servem-se ao" — Erro na primeira lacuna: "diz respeito" exige "a", não "de". A segunda lacuna está correta ("a" antes de "mitigação" sem artigo, pois "mitigação" está sem o artigo definido — na verdade, a frase original tem "a mitigação", então seria "à"; mas a alternativa traz apenas "a", o que também estaria errado se o artigo estivesse presente). A terceira lacuna: "servem-se ao" está incorreto — o verbo "servir-se" rege "de" (serve-se de algo), não "a".
Alternativa C — ❌ Incorreta
"à ... a ... utilizam do" — Erro na primeira lacuna: "diz respeito" exige apenas a preposição "a", sem crase, pois "uma construção" não tem artigo definido "a". A crase seria indevida. A segunda lacuna está correta ("a" antes de "mitigação" sem artigo — mas, se o artigo estiver presente, seria "à"). A terceira lacuna: "utilizam do" é erro de regência — o verbo "utilizar" é transitivo direto (utiliza-se algo, sem preposição), ou, na forma pronominal, "utilizar-se de" (com "de"). A forma "utilizam do" sem o pronome "se" é incorreta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"em ... à ... lançam mão do" — Erro na primeira lacuna: "diz respeito" exige "a", não "em". A segunda lacuna está correta ("à" com crase). A terceira lacuna: "lançam mão do" está correto (lança-se mão de algo), mas o erro na primeira lacuna invalida a alternativa.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"a ... à ... socorrem-se do" — As três lacunas estão corretas:
"a" — preposição exigida por "diz respeito" (diz respeito a algo), sem crase porque não há artigo definido antes de "uma construção".
"à" — preposição "a" (exigida por "corresponde") + artigo "a" (antes de "mitigação") = crase.
"socorrem-se do" — verbo "socorrer-se" rege "de" (socorre-se de algo), e "do" = preposição "de" + artigo "o".
PEGA ESSA DICA!
Para resolver questões de regência, identifique primeiro o termo regente (verbo ou nome) e pergunte: "quem [verbo], [verbo] o quê ou a quê?". A preposição que responder a essa pergunta é a exigida. Depois, verifique se o complemento tem artigo definido feminino "a" — se tiver, há crase.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura verbos com regências diferentes ("diz respeito a", "corresponde a", "socorrer-se de") e explora a confusão entre preposição e crase. A alternativa C tenta enganar com "à" na primeira lacuna, mas "uma construção" não tem artigo definido, então não há crase.
Gabarito: letra E — a única que respeita integralmente a regência nominal ("diz respeito a"), a regência verbal ("corresponde a", "socorrer-se de") e a crase ("à mitigação").