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Questão de Português — Funções Sintáticas dos Pronomes Relativos — VUNESP 2026

PortuguêsFunções Sintáticas dos Pronomes Relativos
Código
vu166621
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - Ass TA I ( )

A economia das bets e a saúde mental

 

“Doutor, minha esposa descobriu. Eram R$ 400 mil que eu deveria ter depositado na conta da construtora. O apartamento dos meus filhos. Apostei tudo.”

 

Quando meu paciente disse isso no consultório, não estava falando de um episódio isolado. Era a quinta vez naquele mês. Cinco pessoas diferentes, cinco histórias semelhantes: a promessa de dinheiro fácil, a ilusão de controle, a espiral de perdas que culmina em desespero. Todas tinham algo em comum: apostas esportivas online, as chamadas bets.

 

O que começou como entretenimento legalizou-se como tragédia sanitária. Em menos de dois anos desde a regulamentação, assistimos a um experimento social em tempo real – e os resultados são alarmantes. Não porque faltassem avisos. Mas porque, como sociedade, decidimos ignorá-los. Os números contam parte da história. Segundo dados do Banco Central e da Confederação Nacional do Comércio, brasileiros destinaram cerca de R$ 240 bilhões às plataformas de apostas em 2024 – valor equivalente ao orçamento anual do Ministério da Saúde, projetado em R$ 246 bilhões para 2025. Estima-se que 1,8 milhão de brasileiros tenha entrado em inadimplência por conta das bets apenas no último ano. O varejo brasileiro estima ter perdido R$ 103 bilhões em 2024 – dinheiro que deixou de circular em supermercados, farmácias e comércio local para alimentar algoritmos de cassinos digitais. Números tristes, mas previsíveis.

 

Há algo perverso no mecanismo do jogo: o design deliberadamente viciante das plataformas. Notificações constantes, “promoções exclusivas”, bônus que nunca se concretizam – tudo meticulosamente calculado para maximizar o engajamento e as perdas do usuário. É engenharia comportamental a serviço do lucro, travestida de entretenimento esportivo. Entre jovens, a situação é ainda mais grave: pesquisas indicam que mais de metade dos que apostam constantemente desenvolvem padrões de jogo problemático ou de risco.

 

O impacto vai além do indivíduo. Nós, psiquiatras, vemos famílias se implodindo – não apenas pela falta de recursos, mas também pela ruptura de confiança quando descobrem que o dinheiro da reserva familiar foi apostado. Testemunhamos casamentos de décadas desmoronando. Atendemos jovens profissionais bem-sucedidos que desenvolveram ansiedade e depressão após contraírem dívidas impagáveis.

 

Precisamos chamar isso pelo nome: não é entretenimento, é saúde pública. A epidemia das bets não é acidente. A pergunta que fica é: quanto sofrimento precisamos testemunhar antes de agir?

 

(Rodolfo Damiano, 22.12.2025. Disponível em: https://www.estadao.com.br/ opiniao. Adaptado)

Leia a tira a seguir para responder à questão     A passagem do 3o parágrafo “… assistimos a um experimento social em tempo real – e os resultados são alarmantes. Não porque faltassem avisos.” está reescrita em conformidade com a norma-padrão em:
  1. A… assistimos a uma experiência social em tempo real, onde os resultados são alarmantes. Não porque não houvessem avisos.
  2. B… assistimos à uma experiência social em tempo real, que os resultados são alarmantes. Não porque não houvesse avisos.
  3. C… assistimos a uma experiência social em tempo real, cujos resultados são alarmantes. Não porque não houvesse avisos.
  4. D… assistimos à uma experiência social em tempo real, às quais os resultados são alarmantes. Não porque não houvessem avisos.
  5. E… assistimos a uma experiência social em tempo real, aonde resultados são alarmantes. Não porque não houvessem avisos.
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GabaritoC — … assistimos a uma experiência social em tempo real, cujos resultados são alarmantes. Não porque não houvesse avisos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Reescrita com pronomes relativos e concordância: a norma-padrão em jogo

Gabarito: letra C. A alternativa C é a única que respeita simultaneamente a regência e a coesão ao empregar o pronome relativo cujo (que estabelece relação de posse entre "experimento social" e "resultados") e a concordância verbal com o verbo haver impessoal ("não houvesse avisos"). A passagem original — "assistimos a um experimento social em tempo real – e os resultados são alarmantes" — pede um pronome que retome "experimento" como possuidor dos resultados; cujo faz exatamente isso, enquanto as demais opções usam pronomes inadequados (onde, que, aonde) ou erram a concordância.

O comando: reescrita conforme a norma-padrão

A questão pede uma reescritura do trecho do 3º parágrafo. Isso significa que a alternativa correta deve:

  • preservar o sentido original (a relação entre o experimento e seus resultados);

  • obedecer à norma culta em três pontos: escolha do pronome relativo, crase e concordância verbal.

Não se trata de interpretar o texto, mas de aplicar regras gramaticais sobre ele. Por isso, o método é: testar cada alternativa em três frentes — pronome relativo, crase e concordância do verbo haver.

O texto: onde mora a resposta

No 3º parágrafo, o autor escreve:

"assistimos a um experimento social em tempo real – e os resultados são alarmantes. Não porque faltassem avisos."

A reescrita ideal deve manter a ideia de que o experimento tem resultados alarmantes. Para isso, o pronome relativo precisa indicar posse (os resultados pertencem ao experimento). O pronome cujo é o único que expressa essa relação de posse entre dois substantivos. Além disso, a segunda parte exige o verbo haver no singular, pois é impessoal (não tem sujeito).

A técnica: três testes que decidem

1. Pronome relativo:

  • cujo (e variações) indica posse e concorda com o substantivo que segue ("cujos resultados" = os resultados do experimento).

  • onde só se usa para lugar físico; aqui não há lugar.

  • que pode ser relativo, mas não indica posse; precisaria de "cujos" ou "dos quais".

  • aonde indica movimento/destino; inadequado.

  • às quais exigiria antecedente feminino plural e preposição "a"; não se aplica.

2. Crase:

  • Antes de palavra feminina, usa-se crase quando há fusão da preposição "a" com o artigo "a".

  • Em "assistimos a uma experiência", não há crase, pois "uma" é artigo indefinido, não definido; a preposição "a" (exigida por "assistir") não se funde com artigo. Portanto, "à uma" é erro.

3. Concordância do verbo haver:

  • O verbo haver no sentido de "existir" é impessoal: fica sempre na 3ª pessoa do singular.

  • "Não houvesse avisos" está correto; "não houvessem avisos" é erro.

Análise das alternativas

1Pronome relativo
cujo → posse (cujos resultados)
onde → só lugar físico
aonde → movimento/destino
que → não indica posse
2Crase
a uma → sem crase (artigo indefinido)
à uma → erro
3Verbo haver (impessoal)
houvesse → singular (correto)
houvessem → erro
Reescrita conforme a norma-padrão
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Reescrita conforme a norma-padrão: Pronome relativo (cujo → posse (cujos resultados), onde → só lugar físico, aonde → movimento/destino, que → não indica posse); Crase (a uma → sem crase (artigo indefinido), à uma → erro); Verbo haver (impessoal) (houvesse → singular (correto), houvessem → erro)

Alternativa A — ❌ Incorreta

"... assistimos a uma experiência social em tempo real, onde os resultados são alarmantes. Não porque não houvessem avisos."

Erro 1: O pronome onde só se refere a lugar físico. Aqui o antecedente é "experiência social" (abstrato), então deveria ser "cujos" ou "em que". Erro 2: "não houvessem avisos" — o verbo haver impessoal exige singular: "não houvesse avisos".

Tipo de erro: troca de pronome relativo (onde por cujo) e erro de concordância verbal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"... assistimos à uma experiência social em tempo real, que os resultados são alarmantes. Não porque não houvesse avisos."

Erro 1: "à uma" — crase indevida, pois "uma" é artigo indefinido; o correto é "a uma". Erro 2: O pronome que não pode ser usado aqui porque não estabelece relação de posse; a frase fica sem sentido ("que os resultados são alarmantes" não se conecta adequadamente).

Tipo de erro: crase indevida e pronome relativo inadequado.

Alternativa C — ✅ Correta

"... assistimos a uma experiência social em tempo real, cujos resultados são alarmantes. Não porque não houvesse avisos."

Acertos:

  • "a uma" — sem crase, correto.

  • "cujos resultados" — pronome relativo que indica posse, concordando com "resultados" (masculino plural).

  • "não houvesse avisos" — verbo haver impessoal no singular, correto.

Por que é a única: preserva o sentido original e obedece à norma-padrão nos três pontos testados.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"... assistimos à uma experiência social em tempo real, às quais os resultados são alarmantes. Não porque não houvessem avisos."

Erro 1: "à uma" — crase indevida. Erro 2: "às quais" — pronome relativo feminino plural, mas o antecedente é "experiência" (singular); além disso, não há preposição "a" exigida pelo verbo "assistir" nesse contexto. Erro 3: "não houvessem avisos" — concordância errada.

Tipo de erro: crase, pronome relativo e concordância.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"... assistimos a uma experiência social em tempo real, aonde resultados são alarmantes. Não porque não houvessem avisos."

Erro 1: "aonde" indica movimento/destino; aqui não há movimento. Erro 2: "não houvessem avisos" — concordância errada.

Tipo de erro: pronome relativo inadequado e concordância verbal.

Conclusão

A alternativa C é a única que atende aos três requisitos: pronome relativo adequado (cujo), crase correta (a uma) e concordância verbal correta (houvesse). As demais falham em pelo menos um desses pontos.

PEGA ESSA DICA!

Ao reescrever trechos, teste sempre: 1) o pronome relativo retoma o antecedente com a função certa? 2) há crase? 3) o verbo concorda com o sujeito (ou é impessoal)? Esses três filtros eliminam a maioria dos distratores.

Gabarito: letra C

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