Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166627
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - AOp II ( )
Como conquistar a confiança de uma onça-pintada?
Respeitar o habitat natural do animal, se aproximar aos poucos criando uma relação verdadeira de confiança ao longo do tempo, pertencer ao ambiente do bicho sem interferir em seus hábitos… Essa é a base da “habituação”, um método respeitoso de convívio dos seres humanos com animais silvestres usado por alguns pesquisadores para estudar o maior felino das Américas, a onça-pintada (Panthera onca).
Ficar de olho nesse majestoso animal é, justamente, o trabalho da bióloga Lilian Rampim já há mais de treze anos em campo no Pantanal brasileiro. Lilian adotou a metodologia de habituação para estudar a onça. Implementar a metodologia de habituação no Pantanal foi um projeto piloto da Onçafari, instituição sem fins lucrativos de conservação da fauna silvestre, turismo sustentável, pesquisa científica, reintrodução na natureza, educação e promoção social. Lilian e sua equipe conquistaram a confiança das onças da região ao se aproximarem um pouco a cada dia. “É realmente um trabalho de fazer o animal se habituar à presença humana no mesmo ambiente”, afirma a bióloga.
Inicialmente, Lilian e um motorista paravam a mais de 200 metros da onça e ficavam estacionados, quietos. Aos poucos simulavam um ruído, uma tosse, para observar a reação do animal que, em um primeiro momento, reagia, mas depois se acostumava. “A primeira vez que eu realmente fiquei a 12 metros de uma onça foi depois de estar trabalhando há nove meses no Pantanal”, conta a bióloga. “Trata-se de um processo lento, mas qual é a beleza da habituação? Ela passa de geração para geração nos animais”, diz.
Isso significa que a Esperança, uma das primeiras onças observadas, “começou a ensinar para seus filhotes a ideia de que aquele carro com pessoas já não era um problema”, informa a bióloga. “A Natureza, que era a filha mais velha da Esperança, já entendia e ‘ensinava’ também para as suas crias”.
(National Geographic Brasil. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/animais/2025/11/ como-conquistar-a-confianca-de-uma-onca-pintada-odiario- de-uma-biologa-no-pantanal-brasileiro. Adaptado)
Leia o texto a seguir para responder à questão Segundo o texto, uma das consequências positivas da habituação é que
Aas onças passam a depender da presença humana para sobreviver.
Bo processo de aproximação acontece rapidamente, em poucos dias.
Ca primeira onça observada é a que melhor se adapta à presença humana.
Do aprendizado da convivência com humanos é transmitido às crias.
Eos pesquisadores conseguem tocar os animais com facilidade.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — o aprendizado da convivência com humanos é transmitido às crias.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Habituação da onça-pintada: a consequência que o texto prova
Gabarito: letra D. A consequência positiva da habituação apontada pelo texto é que o aprendizado da convivência com humanos é transmitido às crias — como se lê no 4º parágrafo, quando a bióloga afirma que a onça Esperança “começou a ensinar para seus filhotes a ideia de que aquele carro com pessoas já não era um problema”. As demais alternativas ou extrapolam o texto (dependência, rapidez, toque físico) ou restringem indevidamente o alcance (primeira onça).
O comando: compreensão, não inferência
O enunciado pede “segundo o texto” — isso marca compreensão/recorrência: a resposta deve estar explícita no texto, bastando localizá-la e reconhecê-la numa paráfrase. Não se trata de deduzir, imaginar ou completar com conhecimento de mundo. A técnica é: procurar a passagem que fala de consequência da habituação e comparar com cada alternativa, perguntando sempre “onde o texto autoriza isto?”.
O texto: tema, tese e o ponto decisivo
O texto explica o método da habituação — aproximação gradual e respeitosa para estudar onças-pintadas no Pantanal. A tese central é que esse método funciona e tem um diferencial: o efeito se perpetua entre gerações. O 3º parágrafo introduz a ideia: “Trata-se de um processo lento, mas qual é a beleza da habituação? Ela passa de geração para geração nos animais”. O 4º parágrafo concretiza com o exemplo de Esperança e sua filha Natureza. É exatamente aí que mora a resposta: a consequência positiva é a transmissão do aprendizado às crias.
A técnica que decide: causa e consequência ancorada no texto
A questão cobra a relação de causa e consequência: a habituação (causa) gera determinados efeitos (consequências). O texto enumera consequências reais:
o animal se acostuma à presença humana (3º parágrafo);
o aprendizado é passado de geração em geração (3º e 4º parágrafos).
A alternativa D parafraseia exatamente a segunda: “o aprendizado da convivência com humanos é transmitido às crias” = “começou a ensinar para seus filhotes a ideia de que aquele carro com pessoas já não era um problema”. É uma reescritura fiel, sem acréscimo nem restrição.
“Ela passa de geração para geração nos animais”
“a Esperança, uma das primeiras onças observadas, ‘começou a ensinar para seus filhotes a ideia de que aquele carro com pessoas já não era um problema’”
Essas passagens provam a letra D. Nenhuma outra alternativa encontra respaldo equivalente.
Análise das alternativas
Habituação da onça-pintada: Processo (Aproximação gradual, Lento (nove meses)); Consequências (Animal tolera presença humana, Aprendizado transmitido às crias); Erros das demais (Dependência humana (extrapola), Rapidez (contradiz), Primeira onça melhor (restringe), Toque físico (extrapola))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto jamais afirma que as onças passam a depender da presença humana para sobreviver. A habituação apenas as faz tolerar a presença humana; não há qualquer menção a dependência ou sobrevivência. A alternativa acrescenta uma informação que não está no texto — e ainda com um tom dramático que o autor não externou.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. O texto diz explicitamente o contrário: “Trata-se de um processo lento”. A bióloga relata que só conseguiu ficar a 12 metros de uma onça após nove meses de trabalho. Afirmar que a aproximação acontece “rapidamente, em poucos dias” é inverter o sentido do texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: restringe indevidamente. O texto menciona que Esperança foi “uma das primeiras onças observadas”, mas não diz que a primeira onça observada é a que melhor se adapta. A palavra “primeira” é usada apenas para identificá-la, não para estabelecer uma comparação de adaptação. A alternativa limita o alcance do texto e cria uma hierarquia que não existe.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Paráfrase fiel do texto. O 4º parágrafo afirma que Esperança “começou a ensinar para seus filhotes a ideia de que aquele carro com pessoas já não era um problema” e que sua filha Natureza “já entendia e ‘ensinava’ também para as suas crias”. Isso é exatamente “o aprendizado da convivência com humanos é transmitido às crias”. A alternativa não acrescenta, não restringe, não contradiz — apenas reescreve com outras palavras o que está dito.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. O texto fala em aproximação e observação, mas nunca menciona toque físico. A bióloga relata ficar a 12 metros da onça — distância de observação, não de contato. A ideia de “tocar os animais com facilidade” é uma invenção que vai muito além do que o texto sustenta.
Fechamento
A regra de ouro desta questão: toda resposta de compreensão precisa de uma passagem que a autorize. A letra D é a única que encontra respaldo literal no 4º parágrafo; as demais ou extrapolam (A, E), ou contradizem (B), ou restringem (C). Antes de marcar, pergunte sempre: “onde o texto diz isso?” — se você não achar a passagem, a alternativa está errada.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de “segundo o texto”, sublinhe a passagem que sustenta a alternativa antes de marcar. Se não houver passagem, descarte.