Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
vu166658
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Olhe em mim eu tenho as marcas Me impuseram sobreviver Por ser livre nas palavras Condenaram meu saber Fui a caneta que não reproduziu A sina da mulher preta no Brasil
Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania
Sonhei sobre as páginas da vida Ilusões tolhidas no sistema algoz Que tenta apagar nossa grandeza Calar a realeza que resiste em nós Dos salões da burguesia aos barracos do Borel Onde nascem Carolinas Não seremos mais os réus Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado Meu país nasceu com nome de mulher Sou a liberdade, mãe do Canindé
Muda essa história, Tijuca! Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é nosso jeito de escrever
(Lico Monteiro et al. www.gresunidosdatijuca.com.br, 2026.)
Leia o trecho da letra do samba-enredo que a escola Unidos da Tijuca apresentou no Carnaval do Rio de Janeiro em 2026, em homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, para responder a questão abaixo. Nos versos “Fui a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”, a metonímia utilizada substitui
Aa parte pelo todo.
Bo autor pela obra.
Ca causa pelo efeito.
Do continente pelo conteúdo.
Eo agente pelo instrumento.
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GabaritoE — o agente pelo instrumento.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Metonímia: a substituição por relação de proximidade
Gabarito: letra E. No verso “Fui a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”, a metonímia substitui o agente pelo instrumento: a escritora (agente) é representada pela caneta (instrumento com que escreve). A passagem que ancora essa leitura é o próprio verso, em que “caneta” designa a pessoa que escreve — Carolina Maria de Jesus —, e não o objeto físico.
“Fui a caneta que não reproduziu / A sina da mulher preta no Brasil”
Aqui, “caneta” não é um objeto literal: é o instrumento pelo qual a autora produziu sua obra. A metonímia opera justamente nessa troca: em vez de dizer “fui a escritora que não reproduziu”, o eu lírico diz “fui a caneta”, usando o instrumento para referir-se à agente. Essa é a relação clássica de agente pelo instrumento.
O comando e o que ele pede
A questão pede que você identifique o tipo de metonímia presente no verso. Metonímia é a figura de linguagem em que um termo é substituído por outro com o qual mantém uma relação de proximidade, de contiguidade — não de semelhança (isso seria metáfora). O enunciado já afirma que há metonímia; sua tarefa é classificar qual relação está sendo explorada.
A técnica: reconhecer a relação entre os termos
Para resolver, pergunte: quem é o termo real e quem é o termo substituto? No verso, o sujeito é “eu” (a escritora). Ela se autodenomina “caneta”. A caneta é o instrumento que a escritora usa para escrever. Logo, o termo substituto (caneta) mantém com o termo real (escritora) uma relação de instrumento → agente. A metonímia clássica é “o agente pelo instrumento” (ou, na ordem inversa, o instrumento pelo agente).
Análise das alternativas
Metonímia: Relação de proximidade (Substituição por contiguidade, ≠ metáfora (semelhança)); Tipos clássicos (Parte pelo todo, Autor pela obra, Causa pelo efeito, Continente pelo conteúdo, Agente pelo instrumento); Caso do verso (Termo real: escritora (agente), Termo substituto: caneta (instrumento), Relação: agente pelo instrumento)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Parte pelo todo ocorreria se, por exemplo, “caneta” representasse “todo o conjunto de escritores” ou “a literatura”. Não é o caso: a caneta representa uma pessoa específica (a autora), não uma parte de um todo maior. A relação aqui é de instrumento, não de parte/todo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Autor pela obra seria se disséssemos “li Machado de Assis” para dizer “li a obra de Machado”. No verso, não há substituição do autor pela obra; há substituição da pessoa pelo instrumento. A caneta não é a obra, é o meio de produção.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Causa pelo efeito seria, por exemplo, “vivo do meu suor” (causa = trabalho, efeito = suor). No verso, não há relação de causa e efeito entre “caneta” e “sina”. A caneta não é causa da sina; é instrumento de escrita.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Continente pelo conteúdo seria “bebi um copo” (copo = conteúdo). No verso, não há um continente e um conteúdo. A caneta não contém nada; ela é o instrumento.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A relação é agente pelo instrumento: a escritora (agente) é substituída pela caneta (instrumento). Isso é confirmado pelo contexto: o eu lírico se identifica como a pessoa que escreve, e a caneta é o objeto que ela usa para escrever. A metonímia, portanto, troca o agente pelo seu instrumento típico.
NÃO CAIA NESSA!
A banca lista outras relações metonímicas clássicas (parte/todo, autor/obra, causa/efeito, continente/conteúdo) para você confundir com a relação específica do verso. A chave é identificar quem está sendo substituído por quê: aqui, a pessoa pelo objeto que ela usa.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar metonímia, sempre pergunte: “qual é o termo real e qual é o substituto?” e “que relação existe entre eles?”. Se o substituto é o instrumento usado pelo agente, a relação é agente pelo instrumento.