Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — VUNESP 2026
Português›Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
vu166659
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
Olhe em mim eu tenho as marcas(C) Me impuseram sobreviver Por ser livre nas palavras Condenaram meu saber Fui a caneta que não reproduziu A sina da mulher preta no Brasil
Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania
Sonhei sobre as páginas da vida Ilusões tolhidas no sistema algoz Que tenta apagar nossa grandeza Calar a realeza que resiste em nós Dos salões da burguesia aos barracos do Borel Onde nascem Carolinas Não seremos mais os réus(A) Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados(B) Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado Meu país nasceu com nome de mulher Sou a liberdade, mãe do Canindé(D)
Muda essa história, Tijuca(E)! Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é nosso jeito de escrever
(Lico Monteiro et al. www.gresunidosdatijuca.com.br, 2026.)
Leia o trecho da letra do samba-enredo que a escola Unidos da Tijuca apresentou no Carnaval do Rio de Janeiro em 2026, em homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, para responder a questão abaixo.
Vocativo é um termo que se usa para chamar ou invocar diretamente um interlocutor (seja pessoa ou coisa personificada). Tem função de vocativo o termo sublinhado em:
A“Onde nascem Carolinas / Não seremos mais os réus”
B“Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados”
C“Olhe em mim eu tenho as marcas”
D“Sou a liberdade, mãe do Canindé”
E“Muda essa história, Tijuca!”
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GabaritoE — “Muda essa história, Tijuca!”
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Vocativo: o chamamento que não se integra à oração
Gabarito: letra E. O vocativo é o termo que chama ou invoca o interlocutor, e na alternativa E — “Muda essa história, Tijuca!” — a palavra “Tijuca” exerce exatamente essa função: é a escola de samba personificada, invocada diretamente pelo eu lírico. A pista decisiva é o verbo no imperativo (“Muda”), que marca o chamamento, e a vírgula separando o vocativo do restante da oração. Nenhuma outra alternativa traz um termo com função de invocação: todas apresentam sujeitos, adjuntos ou apostos.
O comando: identificar a função, não o sentido
A questão pede que você reconheça o vocativo — um termo acessório que não faz parte do sujeito nem do predicado, servindo apenas para evocar o interlocutor. O enunciado já define o conceito: “termo que se usa para chamar ou invocar diretamente um interlocutor (seja pessoa ou coisa personificada)”. Portanto, a tarefa é puramente sintática: localizar, entre os versos, aquele em que uma palavra ou expressão está fora da estrutura oracional, funcionando como chamamento.
O texto: a voz que clama por mudança
O samba-enredo homenageia Carolina Maria de Jesus e, no último verso, o eu lírico se dirige diretamente à escola: “Muda essa história, Tijuca!”. Aqui, “Tijuca” é a escola personificada — tratada como interlocutora capaz de agir. O verbo “Muda” está no imperativo, modo verbal típico de ordens, pedidos ou convocações, o que reforça a presença do vocativo. A vírgula isola o chamamento, como manda a norma: vocativo vem separado por pontuação.
A técnica: três testes infalíveis
Para não errar, aplique estes critérios em cada alternativa:
Teste do imperativo: há um verbo no imperativo (ordem/pedido) indicando que alguém está sendo chamado a agir? Só na E.
Teste da exclusão: retire o termo suspeito. Se a oração continua íntegra (sujeito + predicado), e o termo era apenas um chamamento, é vocativo. Em “Muda essa história, Tijuca!”, sem “Tijuca” a oração “Muda essa história!” permanece completa.
Teste da entoação: o vocativo é pronunciado com pausa e entonação de chamamento — “Ó Tijuca!”. Nas demais, não há essa quebra.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre vocativo e aposto. Em “Sou a liberdade, mãe do Canindé”, “mãe do Canindé” é aposto explicativo (explica “liberdade”), não vocativo. Já em “Muda essa história, Tijuca!”, “Tijuca” não explica nada: é o interlocutor invocado.
Análise das alternativas
Vocativo: Função (Chama/invoca interlocutor, Pessoa ou coisa personificada); Características (Não integra sujeito/predicado, Isolado por vírgula, Verbo no imperativo); Testes de identificação (Imperativo (ordem/pedido), Exclusão (oração permanece íntegra), Entoação (pausa de chamamento)); Confusões comuns (Aposto explicativo (explica, não chama), Sujeito (fala sobre, não com), Objeto indireto (complemento, não invocação))
Alternativa A — ❌ Incorreta
“Onde nascem Carolinas / Não seremos mais os réus”
Aqui, “Carolinas” é o sujeito da oração “nascem Carolinas” (plural poético que remete a Carolina e outras mulheres como ela). Não há chamamento: o eu lírico fala sobre as Carolinas, não com elas. O verbo “nascem” está no indicativo, não no imperativo. Erro: troca de função — sujeito no lugar de vocativo.
Alternativa B — ❌ Incorreta
“Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados”
“Marias” é o núcleo do adjunto adnominal “tantas Marias”, que funciona como objeto indireto do verbo “chorar” (implícito) ou como complemento de “por”. Não há invocação: as Marias são mencionadas como referência, não chamadas. O pronome relativo “que” retoma “Marias” como sujeito da oração adjetiva. Erro: termo integrante/adjunto confundido com vocativo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
“Olhe em mim eu tenho as marcas”
Aqui, “mim” é o objeto indireto do verbo “olhar” (olhar em mim). Não há chamamento: o eu lírico fala de si mesmo, não invoca ninguém. O verbo “Olhe” está no imperativo, mas o interlocutor é o leitor/ouvinte genérico, não nomeado — e o termo sublinhado é “mim”, que exerce função de complemento. Erro: objeto indireto no lugar de vocativo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
“Sou a liberdade, mãe do Canindé”
“mãe do Canindé” é um aposto explicativo: explica, desenvolve o termo anterior “a liberdade”. O aposto tem valor substantivo e vem separado por vírgula, mas não chama ninguém — apenas acrescenta uma caracterização. O eu lírico se identifica como “mãe do Canindé” (referência a Carolina, que morava no Canindé), mas não está invocando esse lugar. Erro: aposto confundido com vocativo.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
“Muda essa história, Tijuca!”
“Tijuca” é o vocativo: a escola de samba é personificada e invocada diretamente pelo eu lírico, que lhe dirige uma ordem (“Muda essa história”). O verbo no imperativo e a vírgula são as marcas formais do chamamento. Retirando “Tijuca”, a oração “Muda essa história!” permanece completa — prova de que o termo é acessório, com função de invocação. É a única alternativa em que o termo sublinhado chama o interlocutor, exatamente como pede o enunciado.
Conclusão
A questão testa a distinção entre vocativo e outros termos acessórios. A regra de ouro: vocativo é o chamamento — vem isolado por vírgula, não integra a oração e costuma acompanhar verbo no imperativo. Aplicando esse filtro, apenas a letra E resiste.