Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026
Português›Interpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166660
Banca
VUNESP
Órgão
FEMA
Ano
2026
Cargo
Vest ( )
1 Na tradição iorubá antiga, tal como chegou ao Brasil nos porões dos tumbeiros e foi preservada em muitos terreiros, compreende-se que a alma que habita o ser humano é plural. Três são as almas mais lembradas e cultuadas nos terreiros que mantêm acesa a concepção original, antes do contato com o cristianismo.
A primeira é a alma-natureza, que nos liga ao mundo material em que vivemos. Essa alma é o orixá. Ou melhor: os orixás, que são muitos, cada um ligado a um aspecto da natureza: o mar, a montanha, os rios, a cachoeira, a terra do chão, o arco-íris no céu, o trovão e o raio… e tantos outros. O orixá é natureza, e sua diversidade espelha a diversidade do mundo.
A segunda é o egum, a alma ancestral, que após a morte renasce, retornando como nova vida à família, ao grupo social, à comunidade de origem. É a alma social, retrato da cultura e da coletividade. Até aqui, somos produto da natureza e da sociedade.
Mas há ainda uma terceira alma: o ori, nossa cabeça, que nos dá a individualidade. É o ori que carrega o destino, nossas vocações, vontades e capacidades a desenvolver — aquilo que a vida, se bem vivida, pode nos trazer de realizações e felicidade.
5 Natureza, sociedade, indivíduo: é disso que somos feitos, segundo essa tradição. Que não destoa, na verdade, de concepções ocidentais aceitas e estudadas.
(Orixás: Os deuses que habitam em nós, 2025.)
Leia o trecho do livro Orixás, do sociólogo Reginaldo Prandi, para responder a questão a seguir. De acordo com o texto, a tradição iorubá antiga
Ainterpreta a individualidade humana como produto da sociedade.
Bcompreende a alma ori como resultado do contato com o cristianismo.
Cadmite a reencarnação apenas da alma-natureza.
Didentifica as vontades humanas como um fator de coesão social.
Erelaciona os orixás a diferentes elementos da natureza.
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GabaritoE — relaciona os orixás a diferentes elementos da natureza.
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Compreensão textual: a alma-natureza e os orixás
Gabarito: letra E. A questão pede o que o texto afirma sobre a tradição iorubá antiga — tarefa de compreensão/recorrência, resolvida localizando a paráfrase de uma passagem. A alternativa E é a única inteiramente sustentada: o texto diz que os orixás são a alma-natureza e que cada um está ligado a um aspecto da natureza (mar, montanha, rios, cachoeira etc.). As demais trocam os atributos entre as três almas ou acrescentam ideias que o texto não contém.
O comando "De acordo com o texto" é o sinal clássico de compreensão: a resposta está explícita, não exige dedução. Basta encontrar o trecho que corresponde à ideia da alternativa e conferir se a paráfrase é fiel — sem acrescentar, sem restringir, sem inverter. É o método que separa o candidato que "acha" do que prova.
O texto organiza-se em torno de três almas: a alma-natureza (orixá), a alma ancestral (egum) e a alma individual (ori). Cada parágrafo define uma. A resposta mora no 2º parágrafo, onde se lê:
"Essa alma é o orixá. Ou melhor: os orixás, que são muitos, cada um ligado a um aspecto da natureza: o mar, a montanha, os rios, a cachoeira, a terra do chão, o arco-íris no céu, o trovão e o raio…"
A alternativa E é a reescritura fiel desse trecho: "relaciona os orixás a diferentes elementos da natureza" = "cada um ligado a um aspecto da natureza". Não há dedução, há paráfrase.
A armadilha central da questão é a troca de atributos: a banca embaralha o que é próprio de cada alma. Quem lê rápido confunde "ori" (individualidade) com "egum" (social), ou atribui ao orixá o que é do egum. A técnica é grifar a definição de cada alma antes de ler as alternativas — assim a troca salta aos olhos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca os atributos entre as três almas. A letra A atribui ao "ori" (individualidade) o que é do "egum" (social); a B inventa uma origem cristã para o ori; a C restringe a reencarnação à alma-natureza, quando o texto a atribui ao egum; a D inverte a relação entre vontades e sociedade. Só a E respeita a definição dada.
Três almas (tradição iorubá): Orixá (alma-natureza) (Ligado a um aspecto da natureza, Mar, montanha, rios, cachoeira); Egum (alma ancestral) (Renasce após a morte, Retrato da cultura e coletividade); Ori (alma individual) (Carrega destino, vocações e vontades, Não é produto da sociedade)
Alternativa A — ❌ Incorreta
"É o ori que carrega o destino, nossas vocações, vontades e capacidades a desenvolver"
O texto diz que a individualidade (ori) é que carrega vontades e vocações. A alternativa afirma que a individualidade é produto da sociedade — mas o texto diz que o egum é "a alma social, retrato da cultura e da coletividade". Há troca de atributos: o que é do egum foi posto no ori. Erro: troca_conceito.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"antes do contato com o cristianismo"
O texto situa a concepção das três almas antes do contato com o cristianismo — ou seja, o ori não é resultado desse contato. A alternativa contradiz o texto ao afirmar que o ori é "resultado do contato com o cristianismo". Erro: contradiz_texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"A segunda é o egum, a alma ancestral, que após a morte renasce"
O texto atribui a reencarnação ao egum, não à alma-natureza (orixá). A alternativa restringe a reencarnação à alma-natureza, invertendo a informação. Erro: generalizacao (restringe indevidamente).
Alternativa D — ❌ Incorreta
"É o ori que carrega o destino, nossas vocações, vontades e capacidades"
O texto diz que as vontades estão no ori (individualidade), não que sejam "fator de coesão social" — coesão social é atributo do egum. A alternativa inverte a relação: o que é individual vira social. Erro: troca_conceito.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"os orixás, que são muitos, cada um ligado a um aspecto da natureza: o mar, a montanha, os rios, a cachoeira…"
A alternativa "relaciona os orixás a diferentes elementos da natureza" é paráfrase exata do trecho. Não acrescenta, não restringe, não inverte. É a única que o texto autoriza integralmente.
Conclusão: em questões de compreensão, a resposta é a paráfrase fiel — nada de deduzir, completar ou trocar atributos. Teste cada alternativa perguntando: "o texto diz exatamente isto, ou exige que eu acrescente algo de fora?". A letra E é a única que resiste ao teste.