Questão de Português — Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo — VUNESP 2026
Português›Termos Acessórios (Adjunto Adnominal, Adjunto Adverbial e Aposto). Vocativo
Código
vu166685
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - Vest ( )
Para responder a questão, leia o soneto “Tédio”, do poeta parnasiano Olavo Bilac, publicado originalmente em 1902.
Sobre minh’alma, como sobre um trono, Senhor brutal, pesa o aborrecimento. Como tardas em vir, último outono, Lançar-me as folhas últimas ao vento!
Oh! dormir, no silêncio e no abandono, Só, sem um sonho, sem um pensamento, E, no letargo¹ do aniquilamento, Ter, ó pedra, a quietude do teu sono!
Oh! deixar de sonhar o que não vejo! Ter o sangue gelado, e a carne fria! E, de uma luz crepuscular velada, Deixar a alma dormir sem um desejo, Ampla, fúnebre, lúgubre, vazia Como uma catedral abandonada!....
(Olavo Bilac. Poesias, 2001.)
¹ letargo: letargia.
No soneto, o eu lírico dirige-se explicitamente a dois interlocutores, quais sejam,
A“último outono” e “pedra”.
B“folhas últimas” e “pedra”.
C“Senhor brutal” e “pedra”.
D“Senhor brutal” e “catedral abandonada”.
E“último outono” e “catedral abandonada”.
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GabaritoA — “último outono” e “pedra”.
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Vocativo no soneto "Tédio": a quem o eu lírico se dirige?
Gabarito: letra A. O eu lírico dirige-se explicitamente a "último outono" e a "pedra" — os dois únicos vocativos do poema. A pista decisiva é a pontuação e a interpelação direta: "último outono" aparece isolado por vírgula e é invocado pelo verbo em segunda pessoa ("Como tardas em vir"), e "pedra" é chamada pelo vocativo com a interjeição "ó" ("Ter, ó pedra, a quietude do teu sono!"). As demais alternativas confundem vocativo com adjunto adnominal ("Senhor brutal", "folhas últimas") ou com termo de comparação ("catedral abandonada").
O comando: identificar os interlocutores diretos
A questão pede que você reconheça a quem o eu lírico fala diretamente — ou seja, os vocativos do poema. Vocativo é o termo que chama, invoca ou interpela alguém ou algo, e vem sempre separado por vírgula (ou acompanhado de "ó"). Não é sujeito, não é objeto, não é adjunto: é uma interpelação — o falante "conversa" com o ser nomeado. Para resolvê-la, você não precisa de inferência nem de conhecimento de mundo: basta localizar no texto as palavras que estão sendo chamadas, marcadas pela vírgula e pelo tom de invocação.
O texto: onde estão os vocativos
No soneto, o eu lírico fala com dois seres:
"Como tardas em vir, último outono, Lançar-me as folhas últimas ao vento!"
Aqui, "último outono" é o primeiro vocativo: o eu lírico se dirige ao outono, personificado, pedindo que ele venha. A vírgula isola o termo, e o verbo "tardas" (2ª pessoa) confirma a interpelação.
"E, no letargo do aniquilamento, Ter, ó pedra, a quietude do teu sono!"
Aqui, "pedra" é o segundo vocativo: o eu lírico invoca a pedra, desejando ter a quietude dela. A interjeição "ó" é marca clássica de vocativo.
Os demais termos citados nas alternativas — "Senhor brutal", "folhas últimas", "catedral abandonada" — não são vocativos: "Senhor brutal" é um aposto (explica "aborrecimento"), "folhas últimas" é um adjunto adnominal (acompanha "folhas"), e "catedral abandonada" é um termo de comparação (como uma catedral abandonada).
A técnica: como reconhecer um vocativo
O vocativo é um termo acessório que serve para chamar o interlocutor. Ele não faz parte do sujeito nem do predicado; é uma interpelação que pode ser retirada sem prejuízo da estrutura básica da oração. Suas marcas formais são:
Separação por vírgula (ou travessão, ou dois-pontos);
Uso de interjeição "ó" (facultativo);
Verbo em 2ª pessoa (tu/vós) ou pronome de tratamento;
Tom de invocação (apelo direto).
No poema, os dois vocativos são claros: "último outono" e "pedra". As alternativas que trazem "Senhor brutal" erram porque esse termo é um aposto — ele explica "aborrecimento", não é chamado. As que trazem "folhas últimas" erram porque é um adjunto adnominal — caracteriza "folhas", não é chamado. As que trazem "catedral abandonada" erram porque é um termo de comparação — não é invocado, é apenas uma imagem.
Vocativo: Marca formal (Separação por vírgula, Interjeição "ó", Verbo em 2ª pessoa); Função (Chama/invoca o interlocutor, Não integra sujeito nem predicado); Confusões comuns (Adjunto adnominal (caracteriza), Aposto (explica), Termo de comparação (imagem))
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única que aponta os dois vocativos reais do poema: "último outono" e "pedra". Como vimos, ambos são interpelados diretamente pelo eu lírico, com marcas formais de vocativo (vírgula e "ó"). Não há outra leitura possível: o texto autoriza exatamente esses dois interlocutores.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B troca "último outono" por "folhas últimas". "Folhas últimas" é um adjunto adnominal — o adjetivo "últimas" caracteriza o substantivo "folhas", que é o objeto direto de "lançar". Não há interpelação: as folhas não são chamadas, são apenas mencionadas. A banca explora a confusão entre vocativo e adjunto adnominal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C traz "Senhor brutal" e "pedra". "Pedra" é vocativo, mas "Senhor brutal" não é: é um aposto do substantivo "aborrecimento" ("pesa o aborrecimento, Senhor brutal"). O aposto explica ou especifica um termo anterior; não é uma interpelação. A banca explora a confusão entre vocativo e aposto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D traz "Senhor brutal" e "catedral abandonada". Nenhum dos dois é vocativo: "Senhor brutal" é aposto, e "catedral abandonada" é um termo de comparação ("Como uma catedral abandonada"). A banca explora a confusão entre vocativo e termos que não são interpelação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E traz "último outono" e "catedral abandonada". "Último outono" é vocativo, mas "catedral abandonada" é comparação, não vocativo. A banca mistura um vocativo real com um termo que apenas compõe uma imagem poética.
NÃO CAIA NESSA!
A banca adora oferecer termos que acompanham substantivos (adjuntos adnominais) ou que explicam outros termos (apostos) como se fossem vocativos. A pergunta que decide é: o termo está sendo chamado? Se não há interpelação direta, não é vocativo.
PEGA ESSA DICA!
Grife os vocativos no texto antes de olhar as alternativas. Procure por vírgulas isolando termos e pela interjeição "ó". Se o termo não puder ser retirado sem prejuízo da interpelação, não é vocativo.