Leia a tirinha de Laerte para responder à questão.
(Laerte. Manual do Minotauro, 2021.)
No trecho “É por gostar de música que eu busco o silêncio.” (4º quadro), o termo sublinhado expressa ideia de
Aproporção.
Bconcessão.
Cfinalidade.
Dcausa.
Econdição.
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GabaritoD — causa.
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Conjunção causal: o valor de "por" no trecho da tirinha
Gabarito: letra D. No trecho “É por gostar de música que eu busco o silêncio.”, o termo sublinhado "por" expressa ideia de causa, pois introduz o motivo, a razão pela qual o eu lírico busca o silêncio. A construção "É por X que Y" é uma estrutura de ênfase (clivagem) que realça exatamente a causa da ação: o gostar de música é o motivo que leva à busca do silêncio.
O comando da questão
A questão pede que se identifique o valor semântico do termo destacado, ou seja, a relação de sentido que ele estabelece no contexto. Isso é diferente de pedir a classe gramatical: aqui, o foco é o efeito de sentido que a palavra "por" produz na frase. Em questões assim, a banca testa se o candidato compreende a função do conectivo dentro do período, não apenas se o reconhece isoladamente.
O texto e a estrutura da frase
Na tirinha de Laerte, o personagem afirma: "É por gostar de música que eu busco o silêncio." A estrutura "É... que" é uma clivagem, um recurso de ênfase que destaca um termo da oração. Sem a ênfase, a frase seria: "Eu busco o silêncio por gostar de música." Nessa versão, fica claro que "por gostar de música" é a causa — o motivo — de "eu buscar o silêncio". O gostar de música não é a finalidade (não se busca o silêncio para gostar de música), nem uma condição, concessão ou proporção; é a razão que explica a atitude.
A técnica: como distinguir causa de finalidade
A confusão mais comum é entre causa e finalidade. A diferença é temporal e lógica:
Causa responde a "por quê?" e aponta para um fato anterior ou simultâneo que explica a ação: Não saí porque chovia (a chuva é o motivo).
Finalidade responde a "para quê?" e aponta para um objetivo futuro: Estudei para passar (passar é a meta).
No trecho, "gostar de música" é apresentado como o motivo que leva à busca do silêncio — é uma relação de causa e efeito, não de propósito. Se fosse finalidade, a frase diria algo como "busco o silêncio para gostar de música", o que inverteria a lógica.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre causa e finalidade, oferecendo "finalidade" como distrator. A palavra "por" pode ter valor final em outros contextos ("lutei por vencer"), mas aqui o contexto clivado "É por X que Y" fixa o valor causal.
Análise das alternativas
Valor semântico de "por": Causa (gabarito) (Responde "por quê?", Fato anterior/simultâneo, "porque gosto de música"); Finalidade (distrator) (Responde "para quê?", Objetivo futuro, "para gostar de música"); Outros valores (Proporção ("à medida que"), Concessão ("embora"), Condição ("se"))
Alternativa A — ❌ Incorreta
Proporção indica uma relação de correspondência ou simultaneidade entre dois fatos, como em "à medida que". No trecho, não há qualquer ideia de proporcionalidade: o gostar de música não varia em função do silêncio. A alternativa extrapola um valor que o texto não autoriza.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Concessão expressa uma ideia de oposição ou quebra de expectativa, como em "embora". No trecho, não há contrariedade: o gostar de música não se opõe à busca do silêncio; ao contrário, é o que a motiva. A alternativa contradiz a relação lógica estabelecida no texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Finalidade indica objetivo ou propósito, como em "para que". No trecho, o gostar de música não é a meta da busca do silêncio, mas a razão dela. A alternativa troca o conceito: confunde o motivo (causa) com o objetivo (finalidade).
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Causa é a relação correta. O trecho "É por gostar de música que eu busco o silêncio" pode ser reescrito como "Eu busco o silêncio porque gosto de música", mantendo o sentido. O "por" introduz o motivo da ação, exatamente o valor de causa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Condição expressa uma hipótese necessária para que algo ocorra, como em "se". No trecho, não há qualquer relação condicional: o gostar de música não é apresentado como condição para a busca do silêncio, mas como sua causa. A alternativa extrapola um valor que o texto não sustenta.
Conclusão
A questão se resolve testando cada alternativa com a pergunta: "o texto autoriza esta relação?" A única relação que o trecho sustenta é a de causa: o gostar de música é o motivo que explica a busca do silêncio. As demais alternativas ou extrapolam valores que o texto não apresenta ou trocam o conceito de causa por finalidade.