Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
vu166703
Banca
VUNESP
Órgão
Humanitas
Ano
2026
Cargo
Vest Med ( )
Leia o poema em prosa “Tudo escapa aqui dentro”, de Bruno Zeni, para responder à questão.
Não sei se há remédio para esses dias em que tudo escapa. Dias assim, o peito é como um buraco negro que tudo atrai, com força descomunal. Um peito que dói, quente e pulsante. A garganta obstruída de expectativa frustrada. Não sei se há remendo, conserto, ajuste — se há o que dê jeito. Se. Não são dias de choro ou desespero, antes fossem. São de tensionamento e ansiedade. Experiência fendida — eu a vejo em sua conformação de fiapos de osso de fratura exposta.
(Boa companhia: poesia, 2003.)
Para conferir expressividade ao que descreve no trecho “o peito é como um buraco negro que tudo atrai”, o eu lírico recorre à seguinte figura de linguagem:
Aeufemismo, pois há a intenção de neutralizar um forte sentimento.
Bhipérbole, pois há exagero intencional na afirmação.
Cantítese, pois aproximam-se palavras de sentido oposto.
Dpleonasmo, pois há emprego de expressão redundante.
Eironia, pois há a intenção de expressar o contrário do que se diz.
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GabaritoB — hipérbole, pois há exagero intencional na afirmação.
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Figuras de linguagem: hipérbole no trecho
Gabarito: letra B. No trecho “o peito é como um buraco negro que tudo atrai”, o eu lírico recorre à hipérbole, pois há exagero intencional na afirmação: o peito é comparado a um buraco negro que atrai tudo, com “força descomunal” — uma intensificação que ultrapassa o literal. A passagem que ancora essa leitura é:
“o peito é como um buraco negro que tudo atrai, com força descomunal”
A palavra tudo e a expressão força descomunal são marcas claras de exagero: nenhum peito humano atrai literalmente tudo, nem possui força descomunal. O eu lírico amplifica a sensação de vazio e dor para transmitir a intensidade do sentimento.
O comando
A questão pede que você identifique a figura de linguagem presente no trecho destacado. Isso é uma tarefa de interpretação de texto aplicada à estilística: você precisa reconhecer o recurso expressivo usado pelo autor, não apenas compreender o sentido literal. A banca quer que você saiba classificar o recurso, distinguindo hipérbole de outras figuras próximas.
O texto
O poema em prosa descreve um estado de angústia e ansiedade: “dias em que tudo escapa”, o peito como um buraco negro que tudo atrai, a garganta obstruída de expectativa frustrada. O eu lírico não está descrevendo um fenômeno físico, mas uma experiência emocional intensa. Para expressar essa intensidade, ele recorre ao exagero: o peito não apenas dói, ele é um buraco negro que atrai tudo — uma imagem hiperbólica que amplifica a sensação de vazio e sofrimento.
A técnica
A hipérbole é uma figura de pensamento que consiste no exagero intencional de uma ideia, para dar ênfase ou expressividade. Exemplos clássicos: “morri de rir”, “chorei rios de lágrimas”. No trecho, o exagero está em:
“força descomunal”: força além do comum, desmedida.
Esses elementos tornam a afirmação deliberadamente exagerada, caracterizando a hipérbole.
Análise das alternativas
Figuras de linguagem: Hipérbole (gabarito) (Exagero intencional, Marcas: "tudo", "força descomunal"); Eufemismo (Suaviza ideia desagradável); Antítese (Aproxima sentidos opostos); Pleonasmo (Redundância de ideias); Ironia (Diz o contrário do que quer comunicar)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Eufemismo é a figura que suaviza uma ideia desagradável, substituindo uma expressão dura por outra mais amena (ex.: “ele partiu” por “morreu”). No trecho, não há suavização; ao contrário, há intensificação do sofrimento. O eu lírico não neutraliza o sentimento, ele o amplifica. Erro: troca de conceito — confunde eufemismo com hipérbole.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como visto, o trecho apresenta exagero intencional: o peito é comparado a um buraco negro que atrai tudo, com força descomunal. Essa amplificação é a marca da hipérbole. A alternativa define corretamente a figura e a aplica ao trecho.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Antítese é a aproximação de palavras ou ideias de sentido oposto (ex.: “o amor e o ódio caminham juntos”). No trecho, não há oposição: o peito é comparado a um buraco negro, e a comparação é de semelhança, não de contraste. Erro: troca de conceito — confunde antítese com comparação/hiperbólica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Pleonasmo é a redundância de ideias, repetição desnecessária (ex.: “subir para cima”). No trecho, não há repetição de sentido; há uma comparação exagerada. Erro: troca de conceito — confunde pleonasmo com hipérbole.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Ironia consiste em dizer o contrário do que se quer comunicar, geralmente com tom crítico ou humorístico. No trecho, o eu lírico diz exatamente o que sente, sem inversão de sentido. Erro: troca de conceito — confunde ironia com hipérbole.
NÃO CAIA NESSA!
A banca oferece figuras que podem parecer plausíveis (eufemismo, antítese), mas a chave é perceber o exagero — a palavra “tudo” e a expressão “força descomunal” são pistas diretas de hipérbole.
PEGA ESSA DICA!
Ao identificar figuras, procure marcas linguísticas: exagero (hipérbole), oposição (antítese), suavização (eufemismo), repetição (pleonasmo), inversão de sentido (ironia). No trecho, o exagero salta aos olhos.