Questão de Português — Figuras de Linguagem — VUNESP 2026
Português›Figuras de Linguagem
Código
vu166743
Banca
VUNESP
Órgão
UNISA
Ano
2026
Cargo
Vest Med ( )
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
(www.academia.org)
Leia o soneto “As pombas”, de Raimundo Correia, publicado em 1883, para responder à questão. No soneto, a relação estabelecida entre as pombas e os sonhos sugere que os sonhos
Ase perdem na juventude e não retornam.
Bse renovam ao longo da vida de forma cíclica.
Csão constantes e sempre retornam ao indivíduo.
Dsão controlados pela vontade humana.
Edependem do ambiente externo para existir.
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GabaritoA — se perdem na juventude e não retornam.
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A relação entre pombas e sonhos no soneto de Raimundo Correia
Gabarito: letra A. A relação entre as pombas e os sonhos sugere que os sonhos se perdem na juventude e não retornam, como se lê no último verso: "E eles aos corações não voltam mais...". A alternativa A é a única que capta a oposição central do poema: enquanto as pombas voltam ao pombal, os sonhos, uma vez partidos, não retornam ao coração.
O comando pede que você infira o que a relação entre pombas e sonhos sugere — não é uma pergunta de compreensão literal, mas de interpretação da comparação implícita (metáfora) construída pelo poeta. Para resolvê-la, é preciso acompanhar o movimento do texto: as pombas saem de manhã e voltam à tarde; os sonhos, comparados às pombas, também "voam" dos corações, mas, ao contrário das aves, não voltam.
O texto estabelece uma analogia entre dois planos: o concreto (pombas) e o abstrato (sonhos). Nos dois primeiros quartetos, descreve-se o ciclo das pombas: saem ao amanhecer e retornam ao entardecer. Nos dois tercetos, o eu lírico aplica essa imagem aos sonhos: eles "voam" dos corações, mas, diferentemente das pombas, não retornam. A chave está no verso final, que explicita a diferença:
"Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam, / E eles aos corações não voltam mais..."
O "Mas" é o conectivo que marca a oposição: as pombas voltam, os sonhos não. A alternativa A é a paráfrase exata dessa ideia: os sonhos se perdem na juventude ("No azul da adolescência as asas soltam") e não retornam ("não voltam mais").
A técnica para resolver: teste cada alternativa perguntando se o texto a autoriza. A correta é a que reproduz fielmente a oposição final; as demais ou invertem o sentido, ou acrescentam ideias que o poema não sustenta.
1Pombas saem de manhã
2Pombas voltam à tarde
3Sonhos voam dos corações
4[-] Sonhos não voltam mais
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa A é a única que corresponde ao que o texto afirma. O verso final é explícito: "E eles aos corações não voltam mais...". O pronome "eles" retoma "os sonhos", e a negação "não voltam mais" indica que, uma vez perdidos, os sonhos não retornam. Além disso, o verso "No azul da adolescência as asas soltam" localiza a perda na juventude. Portanto, a ideia de que os sonhos "se perdem na juventude e não retornam" é uma paráfrase direta do texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A alternativa B afirma que os sonhos "se renovam ao longo da vida de forma cíclica". Isso contradiz o texto: o poema diz exatamente o oposto — os sonhos não voltam. O ciclo é das pombas, não dos sonhos. A banca tenta confundir o leitor que se fixa apenas na primeira parte da comparação, esquecendo o verso final. Erro: contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa C diz que os sonhos "são constantes e sempre retornam ao indivíduo". Novamente, o texto nega isso: "não voltam mais". A palavra "sempre" é um absoluto que não encontra apoio no poema. Erro: contradiz o texto (e ainda usa um quantificador absoluto, "sempre", que o texto desmente).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa D afirma que os sonhos "são controlados pela vontade humana". O texto não menciona vontade, controle ou qualquer agência humana sobre os sonhos. Essa é uma extrapolação: o poema fala de perda e ausência, não de controle. Erro: extrapola (acrescenta informação que não está no texto).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa E diz que os sonhos "dependem do ambiente externo para existir". O texto não estabelece nenhuma relação de dependência entre os sonhos e o ambiente. A comparação com as pombas é apenas metafórica, não causal. Erro: extrapola (introduz uma relação de causa que o poema não sustenta).
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a comparação entre pombas e sonhos: como as pombas voltam, o candidato pode achar que os sonhos também voltam, mas o texto inverte essa ideia no último verso. Fique atento ao conectivo "Mas", que sinaliza a oposição.
PEGA ESSA DICA!
Em questões de interpretação de texto poético, sublinhe os conectivos (mas, porém, portanto) e os verbos no final do poema — eles costumam carregar a tese. Aqui, o "Mas" e o "não voltam mais" decidem a questão.
Gabarito: letra A — os sonhos se perdem na juventude e não retornam, como afirma o verso final do soneto.