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Questão de Português — Tipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre) — VUNESP 2026

PortuguêsTipos de Discurso (Direto, Indireto e Indireto Livre)
Código
vu166751
Banca
VUNESP
Órgão
FASM
Ano
2026
Cargo
Vest Med ( )

Leia o conto de Dalton Trevisan para responder a questão seguinte.

 

Daqui ninguém sai

 

1 Fim de tarde, ele encurta o caminho pelo cemitério. No escuro cai numa cova aberta para o enterro da manhã. Aos pulos, tenta alcançar as bordas, e nada. “Se eu grito, acham que é um fantasma. Em vez de acudir, fogem.”

 

Exausto, se encolhe num canto, bem quieto. De manhã, pede ajuda. Já cochilando, ouve passos. Alguém usa o mesmo atalho.

 

De repente cai uma sombra ali dentro. Habituado à escuridão, enxerga o outro, que não o vê. “Se eu falo, esse aí tem um ataque.” O qual repete as suas tentativas: pula, quer agarrar-se às beiras, e nada. Cabeça baixa, ofegante, mãos contra a parede. Vencido.

 

O primeiro se ergue em silêncio. Uma batidinha no ombro:

 

5 — É, meu chapa. Daqui ninguém sai.

 

Pronto: único salto, o meu chapa fora da cova ia longe. E ele? Tem que esperar o socorro até de manhã. Sob a garoa fininha.

 

(Dalton Trevisan. Antologia pessoal, 2023.)

O narrador, ao contar a história, alterna os fatos objetivos com pensamentos dos personagens. Corresponde a um pensamento do primeiro homem o trecho:
  1. A“O primeiro se ergue em silêncio” (4º parágrafo).
  2. B“No escuro cai numa cova aberta” (1º parágrafo).
  3. C“De manhã, pede ajuda” (2º parágrafo).
  4. D“tenta alcançar as bordas” (1º parágrafo).
  5. E“enxerga o outro, que não o vê” (3º parágrafo).
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — “De manhã, pede ajuda” (2º parágrafo).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Discurso indireto livre: o pensamento do personagem na narração

Gabarito: letra C. O trecho "De manhã, pede ajuda" (2º parágrafo) é o único que corresponde a um pensamento do primeiro homem, pois expressa sua intenção — o que ele planeja fazer —, e não um fato narrado objetivamente. As demais alternativas descrevem ações concretas narradas pelo narrador em 3ª pessoa, sem qualquer marca de subjetividade do personagem.

O comando: identificar o discurso indireto livre

A questão pede que você reconheça, entre os trechos, aquele que veicula o pensamento do personagem — ou seja, o discurso indireto livre. Nesse tipo de discurso, o narrador (em 3ª pessoa) insere, sem marcas formais (verbos de elocução, travessão, aspas), a fala ou o pensamento do personagem, geralmente em 1ª pessoa ou com verbos que indicam intenção/desejo. O leitor percebe a mudança de voz porque o conteúdo é subjetivo — não é um fato observável, mas uma decisão, um plano, uma reação interna.

O texto: narração objetiva × pensamento subjetivo

No conto, o narrador alterna fatos objetivos (o homem cai na cova, tenta sair, vê o outro cair) com pensamentos do personagem ("Se eu grito, acham que é um fantasma...", "Se eu falo, esse aí tem um ataque"). Esses pensamentos aparecem em discurso indireto livre, sem aspas ou travessão, mas com verbos que revelam a voz interior do personagem.

No trecho "De manhã, pede ajuda", o verbo "pede" está no presente do indicativo, mas o contexto indica que se trata de uma intenção futura — o personagem decide que, ao amanhecer, pedirá ajuda. Não é uma ação que está ocorrendo no momento da narração; é um plano que ele formula. Essa é a marca do discurso indireto livre: o narrador transmite o pensamento do personagem sem citá-lo diretamente.

A técnica: distinguir fato narrado de pensamento

Para resolver, pergunte: o trecho descreve uma ação que acontece no mundo da história, ou expressa uma intenção/desejo/reflexão do personagem? Se for ação, é narração objetiva; se for intenção, é discurso indireto livre. No caso, "pede ajuda" é uma intenção — o personagem ainda não pediu, ele pretende pedir. As outras alternativas descrevem ações concretas: erguer-se, cair, tentar alcançar, enxergar — todas observáveis, narradas pelo narrador.

Análise das alternativas

1Marca
Pensamento do personagem
Sem aspas/travessão
Verbo de intenção/desejo
2Exemplo
"De manhã, pede ajuda"
Intenção futura
3Distinção
Narração objetiva (fato)
Discurso indireto livre (subjetivo)
Discurso indireto livre
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Discurso indireto livre: Marca (Pensamento do personagem, Sem aspas/travessão, Verbo de intenção/desejo); Exemplo ("De manhã, pede ajuda", Intenção futura); Distinção (Narração objetiva (fato), Discurso indireto livre (subjetivo))

Alternativa A — ❌ Incorreta

"O primeiro se ergue em silêncio" (4º parágrafo).

Erro: contradiz o texto? Não — é narração objetiva. O trecho descreve uma ação física do personagem (erguer-se), narrada pelo narrador em 3ª pessoa. Não há qualquer marca de pensamento ou intenção. É um fato observável.

Alternativa B — ❌ Incorreta

"No escuro cai numa cova aberta" (1º parágrafo).

Erro: narração objetiva. Descreve um fato — o homem cai na cova. É ação concreta, sem subjetividade. Não é pensamento.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

"De manhã, pede ajuda" (2º parágrafo).

Correta. O verbo "pede" expressa uma intenção do personagem: ele planeja pedir ajuda ao amanhecer. Não é uma ação que está ocorrendo; é um pensamento — o que ele pretende fazer. Isso caracteriza o discurso indireto livre, pois o narrador transmite a voz interior do personagem sem marcas formais.

Alternativa D — ❌ Incorreta

"tenta alcançar as bordas" (1º parágrafo).

Erro: narração objetiva. Descreve uma ação do personagem (tentar alcançar as bordas). É fato observável, não pensamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

"enxerga o outro, que não o vê" (3º parágrafo).

Erro: narração objetiva. Descreve uma percepção do personagem (enxergar o outro), mas é narrada como fato, não como pensamento. O narrador relata o que acontece, sem subjetividade.

Conclusão

A única alternativa que expressa um pensamento do personagem é a letra C, pois "pede ajuda" é uma intenção — o personagem decide o que fará. As demais descrevem ações concretas narradas objetivamente. Para acertar questões assim, grife os verbos: se indicam ação no mundo, é narração; se indicam intenção/desejo/reflexão, é discurso indireto livre.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de discurso indireto livre, procure por verbos que expressam vontade, intenção ou pensamento (querer, pretender, pensar, decidir) e por mudanças de pessoa (1ª pessoa no meio da narração em 3ª). O trecho "De manhã, pede ajuda" é um exemplo clássico: o personagem planeja uma ação futura.

Gabarito: letra C

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