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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166754
Banca
VUNESP
Órgão
PM SP
Ano
2026
Cargo
2º Ten ( )

A literatura como remédio: os clássicos e a saúde da alma

 

Desde muito, os livros vêm sendo responsáveis por grandes transformações em direções e com efeitos muito variáveis. Vivenciada como uma operação essencialmente solitária e subjetiva, a leitura de obras literárias foi sempre considerada uma experiência tão poderosa quanto perigosa. E, se nem sempre se tenha explicitado a necessidade da supervisão, a importância, pelo menos, da interlocução é algo que aparece como elemento fundamental no contexto da experiência da leitura. Assim, fica evidente que não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la.

 

Ainda que essencialmente solitária, a leitura pode ser algo excessivamente pesado e difícil para se enfrentar sozinho.

 

Por outro lado, se vencidas as dificuldades iniciais de falta de hábito e compreensão, o grande poder mobilizador da leitura praticamente exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento, concretizada numa situação de interlocução, para que esse processo ocorra de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização.

 

Um dos exemplos mais interessantes nesse sentido talvez seja a biblioterapia, que propõe a leitura de obras literárias como recurso psicoterapêutico. Abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana, a biblioterapia surgiu como proposta ainda na década de 1940, porém só mais recentemente, no contexto da busca de abordagens alternativas para os efeitos patológicos causados pelo acirramento da dinâmica desumanizadora da vida moderna, que ela passou a ser mais difundida e utilizada em diversos contextos e modalidades.

 

Concomitantemente, porém com um grau de difusão significativamente maior, cabe assinalar o aparecimento dos grupos de leitura ou clubes do livro, onde leitores se reúnem para compartilhar sensações, impressões e opiniões suscitadas pela leitura de determinada obra. Tais dinâmicas, ainda pouco estudadas, porém em franco processo de expansão, parecem operar como elemento incentivador da prática da leitura, ao mesmo tempo em que possibilitam o desdobramento do processo reflexivo, formativo e humanizador que a experiência literária propicia.

 

(Dante Gallian. São Paulo: Martin Claret, 2019; ePUB. Adaptado)

Leia o texto para responder à questão:

   

De acordo com as informações do texto, a leitura de obras literárias recomendada como terapia

  1. Atem sido responsável por grandes transformações vivenciadas por pessoas que se consideram solitárias e introvertidas.
  2. Bé uma abordagem contraditória, pois, mesmo com práticas solitárias e introspectivas, tem alcançado efeitos positivos do ponto de vista da humanização.
  3. Cperdeu espaço para grupos de leitura e clubes do livro, nos quais as pessoas se sentem mais confortáveis para compartilhar suas sensações e opiniões.
  4. Dprecisa ser, em alguma medida, acompanhada, pois o compartilhamento é fundamental para o papel humanizador da experiência de leitura.
  5. Eé uma abordagem psicoterapêutica proposta por Freud, baseada na teoria aristotélica que combate a dinâmica desumanizadora da modernidade.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — precisa ser, em alguma medida, acompanhada, pois o compartilhamento é fundamental para o papel humanizador da experiência de leitura.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

A leitura como terapia: o que o texto realmente defende

Gabarito: letra D. A questão pede uma compreensão global do texto, e a alternativa D é a única que sintetiza a tese central defendida pelo autor: a leitura, mesmo sendo solitária, precisa ser acompanhada — por meio da interlocução — para cumprir seu papel humanizador. Essa ideia está explicitamente formulada no primeiro parágrafo, quando o autor afirma que "não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la". As demais alternativas ou extrapolam o texto, ou contradizem o que ele diz, ou tangenciam o tema.

O comando: compreensão, não inferência

O enunciado pede "de acordo com as informações do texto" — ou seja, a resposta deve estar ancorada no que está escrito, sem deduções livres. Isso não significa que a resposta precise estar literalmente copiada; significa que ela deve ser uma paráfrase fiel de uma ideia que o texto sustenta. A alternativa D é exatamente isso: reescreve, com outras palavras, a tese do primeiro parágrafo.

O texto: tese e argumentos

O texto de Dante Gallian defende que a leitura literária é uma experiência poderosa, mas que, por ser essencialmente solitária, pode ser "excessivamente pesada e difícil para se enfrentar sozinho". Por isso, o autor argumenta que a interlocução — o compartilhamento com outros leitores — é fundamental para que a leitura ocorra "de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização". Ele cita dois exemplos: a biblioterapia (leitura como recurso psicoterapêutico) e os grupos de leitura (clubes do livro), ambos baseados na ideia de que a leitura não deve ser uma experiência isolada.

A alternativa D capta exatamente essa tese: a leitura recomendada como terapia precisa ser acompanhada, pois o compartilhamento é essencial para o efeito humanizador. Veja a passagem que sustenta isso:

"não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la"

E também:

"o grande poder mobilizador da leitura praticamente exige uma dinâmica de expressão e compartilhamento, concretizada numa situação de interlocução, para que esse processo ocorra de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização"

A técnica: teste cada alternativa perguntando "o texto autoriza isto?"

A armadilha central desta questão é a extrapolação: a banca oferece alternativas que parecem plausíveis, mas que acrescentam informações que o texto não traz, ou que distorcem o que ele diz. A alternativa D é a única que permanece dentro dos limites do texto.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que a leitura é "vivenciada como uma operação essencialmente solitária e subjetiva", mas não afirma que ela é recomendada como terapia para pessoas "solitárias e introvertidas". Essa é uma conclusão que o candidato pode tirar por conta própria, mas que não está no texto. A alternativa generaliza e acrescenta uma característica psicológica que o autor não menciona.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. A alternativa chama a leitura de "abordagem contraditória", mas o texto não apresenta a leitura como contraditória. Pelo contrário, o autor vê a leitura como uma experiência positiva, desde que acompanhada. A palavra "contraditória" é um juízo de valor que o autor não emite. Além disso, a alternativa sugere que a leitura tem efeitos positivos "mesmo com práticas solitárias", o que inverte a lógica do texto: para o autor, a solidão é um problema que precisa ser superado pela interlocução, não uma característica que convive pacificamente com os efeitos positivos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto não diz que a leitura como terapia "perdeu espaço" para os grupos de leitura. Pelo contrário, o autor apresenta os grupos de leitura como um fenômeno concomitante e em "franco processo de expansão", mas não afirma que eles substituíram a biblioterapia. A alternativa inventa uma relação de concorrência que não existe no texto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta: paráfrase fiel da tese. A alternativa D reescreve, com outras palavras, a ideia central do texto: a leitura, inclusive a recomendada como terapia, precisa ser acompanhada, pois o compartilhamento é fundamental para o papel humanizador. Isso está literalmente no primeiro parágrafo:

"não basta simplesmente incentivar ou promover a leitura de obras literárias, mas que é preciso também, de alguma forma, acompanhá-la"

E também no terceiro parágrafo, que fala da necessidade de "expressão e compartilhamento" para que a leitura ocorra "de forma saudável e produtiva do ponto de vista da humanização". A alternativa D é a única que não acrescenta nada de fora do texto.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto (troca de autoria). O texto diz que a biblioterapia é "abordagem fundamentada na teoria de catarse de Aristóteles e na psicanálise freudiana", mas não diz que foi "proposta por Freud". A biblioterapia surgiu na década de 1940, muito depois de Freud, e se baseia na psicanálise, mas não foi criada por ele. A alternativa atribui a Freud uma autoria que o texto não confirma. Além disso, o texto diz que a biblioterapia "surgiu como proposta ainda na década de 1940", não que foi proposta por Freud.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre a biblioterapia (que se fundamenta em Freud) e a tese geral do texto (necessidade de acompanhamento). A alternativa E parece correta porque menciona Freud e Aristóteles, mas inverte a autoria. A alternativa D, por sua vez, parece genérica, mas é a única que capta a tese central.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de compreensão, desconfie de alternativas que acrescentam informações (como "pessoas solitárias e introvertidas") ou que invertem relações (como "proposta por Freud"). A resposta correta é sempre a que parafraseia o texto, sem ir além dele.

Conclusão: a leitura como terapia, segundo o texto, não é uma prática solitária que dispensa acompanhamento; pelo contrário, o autor defende que a interlocução é essencial para o efeito humanizador. Por isso, a alternativa D é a única que está inteiramente sustentada pelo texto. Gabarito: letra D.

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