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Questão de Português — Interpretação de Textos (Compreensão) — VUNESP 2026

PortuguêsInterpretação de Textos (Compreensão)
Código
vu166847
Banca
VUNESP
Órgão
UNESP
Ano
2026
Cargo
V - - AOp II ( )

Leia o texto para responder à questão:

 

A doçura do silêncio

 

A avó de Fabrício, Dona Elisa, refugiava-se, de tardezinha, na máquina de costura nos fundos de sua casa. Era um dos poucos momentos em que ficava absolutamente calada. Quando cozinhava, ela conversava. Quando varria, cantava. Porém, quando costurava, emudecia completamente.

 

Dona Elisa fazia os seus próprios vestidos e os das filhas. Não se gastava dinheiro com roupa naquela época. O barulho da máquina de costura da avó tranquilizava Fabrício, sendo, para ele, o som mais terno da vida. Nem a chuva nas calhas se mostrava tão melodiosa. Nada se igualava à sinfonia da agulha cerzindo, em linha reta. A avó virava o tecido, desvirava, ajeitava, retomava. Parecia que não ia dar certo a operação, tamanhas as idas e vindas, mas ninguém notava depois onde estava a linha.

 

Fabrício gostava de se sentar embaixo da mesinha da máquina de costura, no espaço apertado entre os chinelos da avó, como um cachorro. Às vezes, ela fazia um carinho em seus cabelos e unia a imaginação de ambos por um breve momento.

 

O vestido descia da mesa à medida que o trabalho evoluía. Fechava as frestas de luz como uma cabana. Em seguida, ele subia de novo, trazendo a claridade. Fabrício então brincava de noite e dia, de claro e escuro. Como se a máquina de costura fosse também uma máquina do tempo. Ele permanecia eternidades naquele esconderijo, sem se mexer, atento aos sons.

 

A avó vestia a solidão do menino Fabrício, que repartia com ela o que há de mais precioso numa amizade: o silêncio. A doçura do silêncio.

 

(Fabrício Carpinejar. Família é tudo: nossos filhos, nossos pais, nossos avós, nossa vida. 4a ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020. Adaptado)

De acordo com a leitura do texto, é correto afirmar que
  1. AFabrício sentia que a avó não ligava para ele quando costurava.
  2. Bos ruídos da máquina de costura eram sons agradáveis para Fabrício.
  3. CFabrício disputava o espaço embaixo da máquina com o seu cachorro.
  4. Das filhas de Dona Elisa preferiam comprar roupas em lojas do centro da cidade.
  5. Eo neto de Dona Elisa achava que a avó não se preocupava com detalhes na costura.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — os ruídos da máquina de costura eram sons agradáveis para Fabrício.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Compreensão textual: a resposta mora no texto

Gabarito: letra B. A alternativa B é a única que parafraseia fielmente uma informação explícita do texto: o barulho da máquina de costura era, para Fabrício, "o som mais terno da vida" — ou seja, um som agradável. Todas as demais alternativas extrapolam o que está escrito, acrescentando ideias que o texto não autoriza.

O comando

O enunciado pede "de acordo com a leitura do texto" — isso é compreensão/recorrência: a resposta deve estar explícita no texto, bastando localizá-la e reconhecê-la numa paráfrase (reescritura com outras palavras, sem mudar o sentido). Não se trata de inferir, deduzir ou completar com conhecimento de mundo: a alternativa correta é a que repete o conteúdo do texto com vocabulário diferente.

O texto

O texto narra a relação afetiva entre Fabrício e sua avó, Dona Elisa, que se calava ao costurar. O ponto central para esta questão está no 2º parágrafo, onde o narrador descreve o efeito do som da máquina sobre o menino:

"O barulho da máquina de costura da avó tranquilizava Fabrício, sendo, para ele, o som mais terno da vida."

Aqui está a âncora da resposta: o barulho tranquilizava e era terno — adjetivos claramente positivos. A alternativa B apenas troca "barulho" por "ruídos" e "ternos/agradáveis" por "agradáveis", mantendo o sentido. É uma paráfrase perfeita.

A técnica

Para cada alternativa, pergunte: o texto autoriza isto? Se a resposta exigir acrescentar algo que não está escrito, a alternativa está errada — mesmo que soe plausível no mundo real. As distratoras aqui seguem o padrão clássico da extrapolação: pegam um elemento do texto (a avó calada, o espaço embaixo da máquina, as filhas, a costura) e inventam uma consequência ou detalhe que o autor não afirmou.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que a avó "emudecia completamente" ao costurar, mas não diz que Fabrício sentia que ela não ligava para ele. Pelo contrário, o silêncio era compartilhado como algo precioso: "A avó vestia a solidão do menino Fabrício, que repartia com ela o que há de mais precioso numa amizade: o silêncio." A alternativa inverte o sentido afetivo da cena.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Paráfrase direta. O texto afirma que o barulho da máquina "tranquilizava Fabrício, sendo, para ele, o som mais terno da vida". "Ruídos agradáveis" é exatamente o que isso significa. Não há nenhuma informação no texto que contradiga ou restrinja essa leitura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz que Fabrício "gostava de se sentar embaixo da mesinha da máquina de costura, no espaço apertado entre os chinelos da avó, como um cachorro". A comparação "como um cachorro" é uma metáfora (jeito de se acomodar), não a afirmação de que havia um cachorro real disputando espaço. A alternativa materializa a comparação, inventando um animal que não existe no texto.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: extrapolação. O texto diz apenas que "Dona Elisa fazia os seus próprios vestidos e os das filhas. Não se gastava dinheiro com roupa naquela época." Não há nenhuma menção a lojas, centro da cidade ou preferência das filhas. A alternativa inventa um dado completamente ausente.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: contradiz o texto. O texto descreve a avó como cuidadosa: "A avó virava o tecido, desvirava, ajeitava, retomava. Parecia que não ia dar certo a operação, tamanhas as idas e vindas, mas ninguém notava depois onde estava a linha." Ou seja, ela se preocupava com os detalhes — o resultado era perfeito. A alternativa afirma o oposto, dizendo que Fabrício achava que ela não se preocupava. Além disso, o texto não registra a opinião de Fabrício sobre isso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a extrapolação — oferece alternativas que parecem plausíveis (como a do cachorro, que aproveita a comparação do texto) mas que acrescentam informações que o autor não escreveu. A correta é sempre a que repete o texto com outras palavras.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de "de acordo com o texto", sublinhe a passagem que sustenta cada alternativa. Se não achar, a alternativa está errada. Desconfie de comparações ("como um cachorro") — elas são figuras de linguagem, não fatos.

Gabarito: letra B.

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